Será Pogacar capaz de concretizar o favoritismo?

Filippo Ganna (Ineos Grenadiers) obteve ontem uma das vitórias mais esperadas do ano, mas os maiores vencedores do dia foram Tadej Pogacar (UAE Team Emirates) e João Almeida (Deceuninck – QuickStep), que se afastaram de Adam Yates (Ineos Grenadiers) e estão a ganhar espaço na luta pela geral. Hoje ambos serão testados na tradicional e íngreme Jebel Habeef, onde Adam Yates deu mais de 1 minuto a Pogacar em 2020!

Percurso

Perfil da Etapa 3

Depois de dois dias num terreno quase 100% plano, é hora de aprender que nem todo o deserto é plano. Hoje o menu terá a famosa Jebel Hafeet, onde Rui Costa venceu em 2017, para conquistar o Abu Dhabi Tour. A vitória nesta etapa costuma significar a vitória na geral. Era assim no Abu Dhabi Tour e tem sido no UAE Tour. Apenas na vitória de Alejandro Valverde (Movistar) em 2019 assim não aconteceu, com a vitória de Primoz Roglic (Jumbo Visma), graças ao TTT inicial.

A etapa segue o padrão completamente clássico que conhecemos de antes, e é quase uma cópia das anteriores – com exceção da 3ª etapa em 2020, onde a montanha foi escalada duas vezes. Desta vez serão 166km desde Al Ain até ao topo da Jebel Hafeet, localizado fora da cidade. Portanto, a primeira parte consiste numa “viagem” pelo deserto, cheio de zonas com ventos cruzados, antes de chegar ao inicio da subida.

O arranque em Al Ain é desde o centro da cidade. Após uma incursão até ao norte da mesma, está localizado o primeiro ponto de sprint intermédio (28.6km). Daqui até ao regresso a Al Ain é necessário muito cuidado, com as transições de sentido a poderem originar cortes. O último sprint aguarda o pelotão ao km152.5, antes de iniciarem a subida de 10.8 km, com 6.8% de pendente média.

Um início fácil, com 4.8% ao longo de 1.5km marca a primeira fase da subida, enquanto que depois 7km, subindo de forma constante com média de 8.0% e pendente máxima de 11%, serão a chave para a decisão da etapa. A 3km do final a estrada deixa de ser tão íngreme, com a pendente a reduzir-se para algo como 4.5%, e já no último 1.5, para apenas 1.3%. A etapa oferece um total de 1430 metros de desnível positivo acumulado.

O vento pode fazer a diferença, e se ler em algum lado que não, estarão a mentir. Exemplo disso é em 2017, quando Nairo Quintana (Movistar) atacou incansavelmente até ficar sozinho e sem equipa, para depois Rui Costa (UAE Team Emirares) e Ilnur Zakarin (Katusha – Alpecin) aproveitarem para fazer a diferença e discutir a vitória entre os dois. Em 2018, o vento foi aproveitado por Alejandro Valverde (Movistar) que conseguiu afastar-se de Miguel Angel Lopez (Astana Pro Team).

No ano passado, um redirecionamento tardio significou que a montanha foi visitada duas vezes. Primeiro, Adam Yates quase humilhou Tadej Pogacar e a restante concorrência, vencendo com mais de 1min de avanço, enquanto que na segunda passagem foi Tadej Pogacar que venceu, mas sem distanciar Yates.

Há ainda o insólito e triste momento de 2015, quando Wout Poels (Team Sky), cai na última curva, e Esteban Chaves (Orica GreenEdge) vence, após um duelo emocionante.

Jebel Hafeet
Mapa Etapa 3

Favoritos

O vento fará parte de grande parte do percurso, tendo zonas no plano muitas vezes propicias a ventos cruzados. Na subida é expectável vento de costas.

No papel, Tadej Pogacar é o favorito a vencer a etapa e a geral da competição, mas nem sempre isso acontece e veja-se como Roglic foi derrotado quando tudo achava que a vitória seria certa em 2019. Adam Yates quererá voltar a vencer a competição e dos três melhores homens à geral é teoricamente o melhor trepador. No entanto, há um nome, português, que anda a crescer a olhos vistos! João Almeida é desde o Giro d’Itália respeitado por todo o pelotão, e tem consigo a melhor equipa do mundo, que fará o que de melhor for possível para vencer a etapa.

Tendo em conta as principais diferenças entre os líderes e mais de 1/5 do pelotão, imaginamos que possa haver duas corridas – a etapa e a geral. Todos os que perderam o comboio pela geral tentarão fazer de tudo para vencer a etapa, e podem os três favoritos à geral não se meter nessas lutas. Mas também poderá acontecer o contrário! A QuickStep sabe que se acelerar a etapa em zonas de ventos cruzados pode fazer a Ineos e mesmo a UAE perderem os principais apoios dos seus líderes, e aliado a equipas com vontade de ganhar a etapa poderá ser uma combinação explosiva, já que Almeida quer ganhar tempo e não apenas vencer a etapa! O vento de “cauda” ainda mais diferenças poderá fazer, caso haja desde logo cortes no inicio da subida.

Num dia normal, teremos que apontar Adam Yates e Tadej Pogacar como principais favoritos. Pogacar conhece muito bem a subida e treina-a desde o inicio de fevereiro, enquanto Yates tem boas referências do ano passado e ambos trazem uma equipa de montanha prontos para os ajudar. Emanuel Buchmann (Bora – Hansgrohe) é outro nome a referir, mas está sozinho dentro da equipa e poderá ser difícil de bater a super Ineos. Ainda assim pode tentar vencer a etapa se a equipa britânica não der carta branca a Ivan Sosa, por exemplo. Também Wout Poels, que anda desde 2015 a tentar vingar o 2º lugar, e terá a sua equipa pronta a ajudar, ele que gosta deste tipo de subidas e terá liberdade para atacar e fazer a sua corrida.

A lógica sugere que João Almeida terá dificuldade em seguir Pogacar e Yates, mas o português sabe minimizar perdas e não quererá nunca ceder para estes dois, mesmo que seja menos favorito. Conseguindo acompanhar o ritmo, ele é rápido como um relâmpago, e na meta poderá até fazer diferenças. Essas são as caraterísticas que fazem de Almeida um dos principais favoritos à vitória de hoje. Vai ser difícil, mas a equipa poderá ajudar e muito a um resultado espetacular. Caso o vento cruzado se venha a concretizar, as hipóteses de Almeida aumentam, e muito.

Alguém que não deve ser tirado das cartas, é Damiano Caurso (Bahrain Victorious). O italiano está na luta pela geral, apesar de alguns dizerem que não. Não é o Caruso de outros tempos, mas a sabedoria e experiência podem ajudar o italiano a brilhar.

Outros nomes a considerars são os de Sepp Kuss, Harm Vanhoucke, Jonas Vingegaard, Sergio Higuita, Domenico Pozzovivo, Ben Hermans, Alexey Lutsenko, Daniel Martinez, Jack Haig, e claro, Alejandro Valverde.

Favoritos Ciclismo Mundial:

⭐⭐⭐⭐⭐ Tadej Pogacar
⭐⭐⭐⭐ Adam Yates e João Almeida
⭐⭐⭐ Ivan Sosa, Harm Vanhoucke, Emanuel Buchmann, Wout Poels
⭐⭐ Jonas Vingegaard, Sergio Higuita, Domenico Pozzovivo, Ben Hermans
⭐ Alejandro Valverde, Jack Haig, Alexey Lutsenko, Neilson Powless, Damiano Caurso e Mattia Cattaneo.

Transmissão e Horas de Partida

Poderá acompanhar a prova em direto na Eurosport 1 às 10h45 ou no link abaixo desde o km 0!

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