Quem manda aqui?

A etapa 17 do Tour de France constitui a penúltima jornada de alta montanha da edição de 2021 e uma das tiradas mais duras de toda a competição. Trata-se ainda da etapa do dia 14 de julho, o Dia da Bastilha, feriado nacional de França, e que tanto significado ganha também na Grande Boucle!

Em mais uma aventura pela região dos Pirenéus, o pelotão enfrenta desta feita 178.4 km, entre Muret e Saint-Lary-Soulan (Col du Portet), e um dia marcado por uma primeira metade de percurso bem suave, praticamente plana, seguindo-se uma fase complementar bem difícil, com duas contagens de montanha de 1ª categoria e uma de categoria especial que irá coincidir com a linha de meta.

A primeira subida do dia será o emblemático Col de Peyresourde (13.3 km a 6.9%), seguindo-se o Col de Val Louron-Azet (6.8 km a 8.1%), com o prato principal do dia a ser o Col du Portet, um monstro com 16.3 km de extensão e 8.7% de pendente média. Será uma subida final bem exigente, com setores bem íngremes no princípio, no meio, e no fim, com muitas zonas acima dos 10%, incluindo já dentro do quilómetro final!

Perfil da etapa 17 do Tour
A subida final para o Col du Portet

Favoritos

Perante um cenário de corrida com um vencedor praticamente anunciado, o pelotão tem tido uma abordagem bastante conservadora em algumas etapas, o que tem resultado em muitas vitórias das fugas nas etapas de montanha. Este pode ser o dia em que, finalmente, a corrida volte ao status quo habitual, com o pelotão e em particular os favoritos da geral a discutirem a etapa.

Uma das equipas-chave para a definição do desfecho da etapa será a Ineos Grenadiers. A poderosa formação britânica, a mais rica do pelotão e teoricamente a mais forte na startlist deste Tour, acabou por ter uma prova muito aquém dos seus pergaminhos, onde os azares de Geraint Thomas não explicam tudo o que tem corrido menos bem. A faltarem duas etapas de montanha e um contrarrelógio para encerrar a competição, a Ineos arrisca-se a sair sem etapa e sem pódio, algo que seria um fracasso absoluto. Bater Pogacar parece, nesta altura, praticamente impossível, mas existe ainda espaço para tornar o Tour 2021 minimamente positivo para os britânicos, leia-se conseguir uma etapa e Carapaz fechar em segundo.

Desse modo, é previsível que a Ineos controle as operações, pelo menos de modo a não permitir que a fuga ganhe uma vantagem muito grande. A movimentação do dia será certamente bem forte, com muitos interessados em estar na fuga, nomeadamente os homens que lutam pela classificação da montanha. Será interessante de analisar como joga a Ineos e mesmo as outras formações da geral: lançarão homens na frente para mais tarde ajudarem os seus líderes? Ou será melhor manter um bloco coeso para o tríptico montanhoso que encerra a jornada?

Uma vez que a Ineos deverá estar interessada na vitória de etapa, o cenário mais provável deverá ser o pelotão a manter uma rédea curta na fuga, que não poderá ser muito numerosa, o que poderá significar um início de jornada frenético e com pouco consenso em relação à constituição da fuga.

Se forem mesmo os homens do pelotão a discutir a etapa, é impossível de apostar contra Tadej Pogacar! O super esloveno está num nível completamente à parte de toda a concorrência, tendo mostrado apenas uma (muito) ligeira fraqueza no Mont Ventoux, face a Vingegaard. Desta feita, o “Orgulho de Komenda” não quererá deixar quaisquer tipos de dúvidas sobre a sua superioridade, vencendo numa das etapas mais exigentes e colocando um ponto final parágrafo na luta pela amarela.

Os grandes rivais do “Miúdo-Maravilha” serão Jonas Vingegaard e Richard Carapaz, sendo que a batalha pelo 2º lugar será um dos grandes pontos de interesse desta reta final de Tour. Neste momento, o favoritismo parece estar do lado do jovem dinamarquês, que tem subido tão bem ou melhor que o equatoriano, e que terá depois vantagem no contrarrelógio. Resta saber se os números da Ineos serão suficientes para isolar homens como Vingegaard, que apesar de ter já poucos colegas ao seu dispor, tem ainda Sepp Kuss e, claro, um super Wout Van Aert, que tem sido pau para toda a obra dentro da equipa holandesa.

Nesta equação entra ainda Rigoberto Urán, que é também ele um candidato à etapa, mas que poderá sentir dificuldades neste final frente aos outros galos do pódio, se os ataques forem muito fortes nas zonas mais íngremes. De qualquer forma, não se pode menosprezar a categoria e a experiência de Urán, sendo que se o virmos no segundo degrau do pódio em Paris não será surpresa nenhuma.

O único que parece poder intrometer-se entre os quatro já citados numa chegada em alto é Enric Mas, da Movistar, ele que ocupa a 8ª posição da CG e que estará com ganas de retificar a sua posição. O espanhol está a 7:11 de Pogacar mas a apenas 1:13 do 5º lugar de Ben O’Connor. Refira-se que é previsível que tanto o australiano como Wilco Kelderman, Alexey Lutsenko, ou Guillaume Martin, estejam entre os melhores do dia, mas dificilmente irão bater todos os nomes referidos anteriormente.

De modo a completar a lista de favoritos à etapa, vamos destacar alguns nomes que poderão vencer a partir da fuga, um cenário que pode perfeitamente verificar-se. Em particular, refira-se David Gaudu, que tão bem esteve na etapa de ontem e que, apesar de poder estar algo desgastado, dará certamente tudo para oferecer um triunfo à França no Dia da Bastilha! Além disso, o jovem gaulês ocupa neste momento o 11º lugar da CG, a pouco mais de 3 minutos do 10º, pelo que estará confiante em poder ainda subir na geral.

Na fuga estarão com certeza os ciclistas que lutam pela montanha: Wout Poels, Nairo Quintana, Michael Woods, e até, quem sabe, Wout Van Aert. A estratégia da Jumbo-Visma poderá muito bem voltar a passar por colocar o campeão belga na frente, dando-lhe liberdade para lutar pela montanha ou até pela etapa, mas mantendo-o como recurso à disposição de Vingegaard, se tal for necessário.

A batalha pelo top 10 será outro dos motivos de interesse. Além do referido Gaudu, Mattia Cattaneo estará na busca desse objetivo, ocupando por ora o 12º posto, a 3:46 do 10º, que é Pello Bilbao. O espanhol estará também atento à possibilidade de estar na fuga, onde será um dos grandes favoritos à vitória.

Refiram-se também nomes como Sergio Higuita, Louis Meintjes, Alejandro Valverde, Miguel Angel Lopez, Emanuel Buchmann, Esteban Chaves, ou Bauke Mollema entre os candidatos a integrar a fuga e a triunfar no Col du Portet.

Quanto aos portugueses, este deverá ser um dia para estarem próximos dos seus líderes, embora não seja totalmente de descartar que a EF Education-Nippo possa lançar Ruben Guerreiro na fuga de modo a ganhar opções táticas no final.

Favoritos Ciclismo Mundial

⭐⭐⭐⭐⭐ Tadej Pogacar
⭐⭐⭐⭐ Jonas Vingegaard e Richard Carapaz
⭐⭐⭐ Rigoberto Urán, Enric Mas, e David Gaudu
⭐⭐ Wout Poels, Nairo Quintana, Michael Woods, e Wout Van Aert
⭐ Mattia Cattaneo, Pello Bilbao, Sergio Higuita, Louis Meintjes, Alejandro Valverde, Miguel Angel Lopez, Emanuel Buchmann, Esteban Chaves, Bauke Mollema, Ruben Guerreiro

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