Quem irá triunfar neste final armadilhado?

Depois de um sprint polémico na etapa 9 da Volta a Espanha, que resultou na desclassificação de Sam Bennett e na atribuição da vitória a Pascal Ackermann, a prova continua para a 10ª jornada.

Os corredores enfrentam hoje uma ligação de 185 km entre Castro Urdiales e Suances e apenas uma contagem de montanha de 3ª categoria ao longo do percurso. Este não será, no entanto, um dia fácil. O perfil apresenta diversas zonas planas mas também algumas subidas curtas que podem armadilhar a corrida. Note-se que a grande maioria das subidas do dia, incluindo a 3ª categoria (4.5 km a 4.1%), não deverão ser suficientemente duras para fazer descolar mesmo os ciclistas mais pesados, no entanto, a etapa termina numa subida com 1.5 km e 5.9% de inclinação, o que tornará difícil a tarefa aos sprinters mais puros de baterem a concorrência. Isto significa que muitas equipas poderão querer manter a corrida dura, de forma a desgastar as equipas dos homens mais rápidos, impossibilitando qualquer hipótese de vitória.

Perfil da 10ª etapa da Volta a Espanha

Um dos ciclistas que poderá brilhar neste tipo de final, que não sendo muito inclinado será certamente seletivo no assomo à meta, é Alex Aranburu (Astana), um corredor rápido e que já mostrou estar a subir bem. A Astana deverá apostar nesta jornada e fazer uso do seu bloco de espanhóis (Omar Fraile, Luis Leon Sanchez, e irmãos Izagirre) para endurecer a corrida nos 2 km finais e retirar uma boa parte do pelotão da discussão da etapa.

Uma vez que é previsível que a corrida seja algo endurecida e que no final o pelotão alongue, com a vitória a ficar para os mais bem colocados na frente do grupo, não podemos excluir que o próprio Primoz Roglic (Team Jumbo-Visma) possa ter ideias para este final, ele que tem também um excelente punch e um sprint explosivo e que verá com bons olhos a possibilidade de tentar a 3ª vitória nesta Vuelta e possivelmente recuperar mais alguns segundos ao líder, Richard Carapaz (INEOS). Recorde-se que apenas 13 segundos separam os dois tubarões desta prova e que o vencedor da etapa bonifica 10! Não é de todo descabido que o esloveno possa tentar roubar a camisola vermelha ao equatoriano já hoje, colecionando mais uma vitória pelo caminho. O próprio Carapaz deverá figurar entre os primeiros da etapa, mas será difícil para ele bater a concorrência neste tipo de inclinação, tão suave para ele.

Nos últimos anos, existe um ciclista que seria sempre favorito nº 1 neste tipo de final, especialmente na Volta a Espanha: Alejandro Valverde (Movistar). O espanhol não tem estado ao mesmo nível em termos de finais com este tipo de inclinação, mas já provou estar num momento relativamente bom e nunca poderá ser descartado para a etapa.

Claro que se os sprinters forem levados até perto do final num ritmo confortável e tiverem ainda algum apoio das suas equipas, não é impossível de acreditar que num esforço de potência um corredor como Sam Bennett possa estar na discussão da jornada. O irlandês já venceu em finais semelhantes mas com a qualidade de endurecimento e de punch que existe no pelotão, temos de ser muito otimistas para imaginar o irlandês na discussão. A Deceuninck-Quick Step deverá antes apostar em Bagioli.

Além de Bennett, apenas mais um ou dois dos sprinters mais puros terão hipótese de lutar por uma vitória nesta tirada, entre eles Jon Aberasturi (Caja Rural). Será muito difícil para Ackermann e possivelmente para Philipsen estarem na luta e as suas equipas deverão apostar noutros nomes. No caso da UAE-Team Emirates, esse pode muito bem ser Rui Costa. A equipa poderá querer assumir a corrida, eliminando concorrentes, e lançando o português para um final que o favorece.

Outros nomes que poderão estar na discussão são o dinamarquês Magnus Cort (EF Pro Cycling), o italiano Andrea Bagioli (Deceuninck-Quick Step), o belga Tim Wellens (Lotto Soudal), o espanhol Carlos Barbero (NTT), ou mesmo ciclistas do perfil do alemão Felix Grossschartner (BORA) ou do irlandês Dan Martin (Israel Start-Up Nation).

Claro que a possibilidade de uma fuga resultar existe claramente, em particular se a Astana preferir colocar homens na mesma. No caso da equipa cazaque, terá nas suas fileiras um forte candidato a triunfar a partir da fuga. Pensamos claro num especialista das escapadas e que adorará este perfil: Omar Fraile. Na linha do espanhol estão corredores como Zdenek Stybar e Remi Cavagna (Deceuninck-Quick Step), ou Michael Valgren (NTT), além de muitos corredores que apontámos para a vitória através de um sprint final, entre eles Rui Costa.

O campeão português não irá certamente parar de tentar alcançar uma vitória nesta prova e depois de ver o seu objetivo gorado em jornadas mais exigentes, o perfil mais suave desta tirada e o final convidativo podem ser do seu agrado, seja a partir da fuga seja sprintando ou atacando perto do fim.

⭐⭐⭐⭐⭐ Alex Aranburu

⭐⭐⭐⭐ Primoz Roglic e Alejandro Valverde

⭐⭐⭐ Rui Costa, Magnus Cort, e Andrea Bagioli

⭐⭐ Tim Wellens, Carlos Barbero, Felix Grossschartner, e Dan Martin

⭐ Jon Aberasturi, Sam Bennett, Jasper Philipsen, Omar Fraile, Zdenek Stybar, Remi Cavagna, e Michael Valgren

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