Quem aguentará este carrossel montanhoso catalão?

O britânico Adam Yates (INEOS Grenadiers) fez jus ao seu papel de favorito e “esmagou” todos os adversários na primeira das duas etapas nos Pirenéus da Volta a Catalunya, e agora tentará lutar para conquistar a vitória na classificação geral que perdeu há dois anos. Hoje a etapa oferece três grandes passagens de montanha e um final montanhoso bastante difícil em Port Ainé.

Perfil

Perfil da quarta etapa 4 da Volta a Catalunya.

Este ano, a segunda das duas difíceis finalizações de montanha aparece ao quarto dia de corrida. Em contraste com a etapa anterior, desta vez a etapa será complicada desde início, com três subidas principais e, portanto, haverá uma última grande batalha, antes de um terreno mais acessível aparecer nos próximos dias.

Um total de 166.5km serão percorridos desde Ripoll até ao topo de Port Ainé a 1995m de altitude. A cidade de partida está localizada no sopé dos Pirenéus, e o ritmo será certamente full gas até ao primeiro sprint intermédio do dia, localizado 11.3km depois. Após isso a etapa começa desde logo a subir de forma mais íngreme depois do falso plano inicial, e apesar de a contagem de primeira categoria ser apenas de 6.2km de extensão, com 7% de pendente média, uma descida técnica estará no menu do pelotão até ao km 50, sendo que depois o percurso será num falso plano até quase ao km 100. O sprint intermédio do dia estará ao km91.2, e por volta do km 98 a inclinação voltará a aumentar.

O próximo desafio é mais uma contagem de montanha, mas desta vez, de categoria especial, com 25km a 4% de pendente média, mas com um inicio sempre a rondar os 8%. Apesar do topo estar ainda longe do final, a mais de 40km, poderão haver aqui várias acelerações e ataques com vista a eliminar alguns dos candidatos. Seguir-se-á uma descida bastante sinuosa até Sort, e uma zona plana de meia dúzia de kms até Rialp, onde se inicia a subida final, mais uma categoria especial, desta feita com 18.4km de extensão e pendente média de 6.7%, com uma ou outra zona a 12% a marcarem as rampas mais complicadas. O inicio da subida será duro, com 3km a cerca de 8-9%, que depois varia entre os 5 e 8%, até chegar ao 1.5km final, que volta a colocar inclinações superiores a 8%. A montanha serpenteia com diversas curvas fechadas, o que será também importante para o rumo das decisões. A etapa oferece um total de 3980m de desnível positivo de altitude.

A última passagem da prova pelo Port Ainé foi em 2016, onde Thomas de Gendt venceu de forma impressionante. Em 2013 a vitória sorriu a Dan Martin e em 2012, com a etapa encurtada devido à neve, Janez Brajkovic venceu.

Favoritos

À partida, o vencedor da geral estará já hoje encontrado, pois apesar das dificuldades dos dias seguintes, fica difícil de criar diferenças tão grandes como se poderão fazer num dia como este. A natureza da etapa de hoje também poderá criar mais jogadas táticas para defrontar e bater os adversários, o que é um bónus para o espetáculo. A Ineos, para além de controlar a etapa, por certo que fará as suas jogadas para obrigar outras equipas a trabalharem e quem sabe colocarem também Geraint Thomas no pódio. A Movistar, a Jumbo – Visma e a BikeExchange deverão fazer parte do trabalho do dia, caso isso seja necessário, e acima de tudo se tiverem ainda esforços humanos. A etapa será muito dura do inicio ao fim e só quem estiver bem fisicamente é que aguentará o dia com os melhores.

Tendo tudo isto em consideração, Adam Yates é de novo o principal candidato, e tendo um bloco forte em seu auxílio mais ainda. A forma como descarregou quem levou com ele nas várias acelerações foi impressionante! Se a Ineos usar os seus homens não para forçar ataques, mas para endurecer a corrida, ficará difícil alguém mais acompanhar o ritmo. Para vencer a etapa, dentro da Ineos, haverá sempre Richard Carapaz, Geraint Thomas e Richie Porte, sendo que estes últimos dois poderão tentar atacar João Almeida para colocar 3 homens da equipa britânica no top3 final.

Depois do que vimos ontem, Alejandro Valverde precisa de ser hoje nomeado. Atendendo à sua forma de ontem, o que vimos não deverá ter sido apenas por um dia, e os ares espanhóis fazem sempre bem ao veterano espanhol. A sua experiência neste tipo de dias poderá fazer-se valer, e Valverde poderá correr para a vitória na etapa. Esteban Chaves renasceu das cinzas e parece estar de volta à sua grande forma. Porque não imaginar uma vitória do pequenino? Há motivos fortes para considerar que hoje ele poderá vencer a etapa.

Sem precisar de liderar o pelotão, João Almeida hoje poderá defender-se, mas também atacar se considerar que tem capacidade para isso. Com 22 anos já provou que sabe gerir o seu esforço como poucos no pelotão e se não andar mais rápido é porque o corpo não permite, mas se atacar, dificil é de o apanharem. Se a etapa só tiver a discussão na última subida, Almeida poderá ter o seu prémio: a vitória!

Michael Woods e Hugh Carthy estão também obviamente entre os candidatos. O canadiano e o britânico sobem muito bem e também são explosivos para esta chegada do dia de hoje. Woods entrou muito bem em 2021 e Carthy também parece estar a ganhar ritmo e a andar já bem na sua primeira corrida por etapas do ano, por isso não será surpresa alguma se vencerem ou ficarem perto da vitória no dia hoje.

Menção ainda para Nairo Quintana, Simon Yates e Lucas Hamilton e ainda Harm Vanhoucke e Wilco Kelderman.

Favoritos Ciclismo Mundial

⭐⭐⭐⭐⭐ Adam Yates
⭐⭐⭐⭐ Alejandro Valverde, Esteban Chaves
⭐⭐⭐ Michael Woods, Hugh Carthy e João Almeida
⭐⭐ Geraint Thomas, Nairo Quintana, Simon Yates e Richie Porte
⭐  Giulio Ciccone, Richard Carapaz, Lucas Hamilton, Harm Vanhoucke, Wilco Kelderman, Dan Martin e Enric Mas

Presença Portuguesa

Em prova estarão dois portugueses: (21) João Almeida, que é líder da classificação da juventude, e (101) Ruben Guerreiro. Rui Costa viu-se obrigado a abandonar devido a um atropelamento de uma mota de corrida na etapa 1.

Transmissão e Horas de Partida

A Eurosport2 terá transmissão a partir das 14h15.

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