Sam Bennett para iniciar as vitórias na Europa?

Está de regresso a corrida para o Sol, o Paris-Nice, uma das primeiras voltas por etapas da temporada, e uma que marca também o início da temporada europeia para os voltistas. Nos últimos anos era costume o Paris-Nice começar com um prólogo, mas tal já não acontece desde 2016, ano em que Geraint – Thomas (Team Sky) bateu Alberto Contador (Tinkoff) por apenas 4s na geral final.

Em 2021 a corrida abrirá com um circuito nos subúrbios de Paris com uma expectativa de tempo lindo e ensolarado, o que não é por norma o que acontece nos primeiros dias de corrida, fazendo os sprinters favoritos para esta etapa de abertura.

Etapa

Perfil da Etapa 1

A etapa irá então começar com um circuito ao redor de Paris, tal como tem acontecido nos últimos anos, permitindo que os sprinters mais frequentemente consigam correr com a camisa de líder. Em 2018 e em 2020, a etapa inicial recebeu uma reviravolta extra ao projetar finais que poderiam fornecer ideias para puncheurs, mas este ano, apesar de uma série de pequenas colinas, parece mais preparada para um sprint em massa, embora em uma final em ligeira subida.

No total 166km relativamente modestos serão percorridos e, como tantas vezes no passado, esta é uma tirada disputada num circuito, desta vez com partida e chegada em Saint-Cur-l’Ecole. A etapa consiste em duas voltas de 83km, com duas contagens de 3ª categoria (ambos de pouco mais de 1km a 5,5%) e um ponto de sprint intermédio colocados consecutivamente no circuito, num espaço de 16.5km. Na chegada não há curvas fechadas, apenas algumas viragens suaves até aos últimos 450m, que incluem uma ligeira subida, onde iremos conhecer o vencedor do dia.

A etapa oferece um total de 1.525 metros de altitude, um valor até elevado para um traçado que se diz “para sprinters”.

Uma curiosidade é que Saint-Cyr-l’Ecole nunca foi passagem de uma grande corrida de ciclismo.

Favoritos

A forma como se deu inicio ao Paris-Nice no ano passado será altamente improvável de se repetir, e por isso é de esperar que Deceuninck – QuickStep, Groupama – FDJ e Bora – Hansgrohe controlem o pelotão desde o inicio, já que trazem os seus melhores sprinters, e poderá muito bem ser dessas três equipas que sairá o primeiro vencedor de etapa. A ligeira subida com 2.4% poderá criar um ataque inesperado de algum corredor, mas tendo em conta os comboios poderosos será algo pouco provável de acontecer.

Comecemos por Sam Bennett, o irlandês que tem já 2 vitórias em 3 possíveis esta época, depois de uma bela prestação no UAE Tour. Bennett admitiu ter sofrido uma derrota pesada no último dia nos Emirados, mas ele correu de forma extremamente convincente no deserto. Na verdade, Bennett é tão forte que só pode ter como vantagem o final numa rampa como esta com percentagens agradáveis, e um belo exemplo disso foi o final em Oviedo na Vuelta a España de 2019. Para ter o comboio mais forte, Bennett traz Michael Morkov, Florian Senechal e Yves Lampaert. Quem é pode fazer frente ao irlandês?

Bem, Arnaud Demare é um deles! O francês está cada vez melhor ao sprint, e desde sempre se dá bastante bem no Paris – Nice. O seu comboio também é dos melhores, e tem uma vantagem: Miles Scotson, Ramon Sinkeldam e Jacopo Guarnieri acompanham sempre o francês, o que faz com que o trabalho da equipa seja mais consistente e esteja muito bem engrenado. Na Provence falhou, mas não falhará para sempre.

Mads Pedersen é um dos grandes favoritos. Antes de ser campeão do Mundo em 2019, ninguém o colocava como favorito em nada, mas agora é favorito em qualquer terreno. Ainda está à procura da sua melhor forma, mas Pedersen já venceu este ano na Kuurne Brussel Kuurne. Ao seu lado tem Alex Kirsch, Edward Theuns e Jasper Stuyven, para fazerem frente aos comboios da Quickstep e da FDJ. O maior desafio será o de manter a roda de Stuyven, que infelizmente tem o hábito de perder, mas mesmo sozinho Pedersen já mostrou ser bem capaz de se safar bastante bem.

Esta chegada coloca também Giacomo Nizzolo em jogo. O Campeão Europeu parece estar a alcançar gradualmente um nível de forma elevado, e a a presença de uma rampa, ainda que não muito explosiva, no final, poderá dar-lhe mais chances de vencer esta etapa. O seu posicionamento parece melhor do que há muitos anos, e cabe agora finalizar o sprint para vencer.

Christophe Laporte não é dos melhores sprinters, mas esta ligeira subida pode ajudá-lo a fazer alguma diferença face aos restantes sprinters. Pascal Ackermann continua a não atingir os resultados a que nos habituou. No UAE Tour seguiu a linha de 2020, não conseguindo intrometer-se na luta pela vitória aos sprint com frequência.

Depois existem os dois franceses, Nacer Bouhanni e Bryan Coquard, mas não se espera uma vitória por parte deles. Ainda assim deverão ser capazes de lutar pelo Top5 da etapa e quem sabe até chegar a uma posição de pódio. A mesma opinião para Jasper Philipsen, ele que se safa muito bem perante pequenas oscilações, mas esta não será suficiente para fazer a diferença. Faz-lhe falta na equipa da Alpecin – Fenix um Rui Oliveira para o colocar da melhor maneira, já que Kristian Sbaragli e Scott Thwaites são homens rápidos, mas não muito fortes no posicionamento. Danny van Poppel parece estar a voltar ao nível a que nos habituou noutros anos. Teve uma excelente prestação no GP Le Samyn e no ano passado venceu a Binche-Chimay-Binche.

Por último, Michael Matthews faz a tão esperada estreia pela Team BikeExchange. Vem sem corridas ainda em 2021, mas deverá estar muito motivado para começar em grande. As hipóteses de Matthews vencer hoje são poucas, já que a etapa não é assim tão dura para ele, mas o Paris – Nice é uma das suas corridas de eleição e por isso será interessante ver o que fará o australiano!

Outros nomes a ter em consideração: Cees Bol, Phil Bauhaus (ambos estiveram apagados no UAE Tour),  Alexander Kristoff (que terá um belo comboio, mas poderá não ser capaz de aproveitá-lo) e Magnus Cort (que quando lhe apanha o jeito é um rival sério). Rudy Barbier, André Greipel e Hugo Hofstetter criam imprevisibilidade sobre quem será o líder na Israel Start-Up Nation, Edvald Boasson Hagen e Chris Lawless na Total Direct Energie,  Florian Vermeersch, Stefano Oldani ou John Degenkolb na Lotto Soudal.

Favoritos Ciclismo Mundial

⭐⭐⭐⭐⭐ Sam Bennett
⭐⭐⭐⭐ Arnaud Demare e Mads Pedersen
⭐⭐⭐ Giacomo Nizzolo, Pascal Ackermann e Christophe Laporte
⭐⭐ Nacer Bouhanni, Jasper Philipsen, Danny van Poppel e Bryan Coquard
⭐ Michael Matthews, Cees Bol, Phil Bauhaus, Alexander Kristoff e Magnus Cort

Presença Portuguesa

Em prova estarão dois portugueses: Rui Costa (153) e Rui Oliveira (156), e é de esperar termos o o gémeo Rui no lançamento do sprint para Kristoff ou Trentin dentro da UAE Emirates.

Transmissão e Horas de Partida

A Eurosport1 terá transmissão a partir das 14h.

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