O mítico Zoncolan!

Ao 14º dia de prova, o Giro d’Italia entra decisivamente nos grandes desafios de alta montanha! Perante os ciclistas, perfila-se uma jornada de 205 km, com partida em Cittadella e chegada no topo do mítico Monte Zoncolan, uma das mais emblemáticas subidas do ciclismo transalpino e mundial!

A maior parte da tirada será relativamente plana, pontuada apenas com uma curta ascensão de 4ª categoria, até que o pelotão atinge uma contagem de 2ª categoria que irá anteceder a dificuldade final, uma subida de 1ª categoria, com 14.1 km de extensão e 8.9% de pendente média, sendo que perto do final existem zonas que irão atingir uns estonteantes 27%! Não é por acaso que muitos consideram o Monte Zoncolan a subida mais dura do ciclismo internacional!

O perfil da 14ª etapa da Volta a Itália

Os favoritos

Apesar de apenas existir uma contagem de 1ª categoria no perfil desta etapa, trata-se do primeiro verdadeiro desafio de alta montanha deste Giro e um dia que pode marcar claramente a luta pela geral. A subida final representa um obstáculo duríssimo e quem não estiver bem pode facilmente perder muitos minutos nas íngremes inclinações que marcam os metros finais.

O desfecho mais provável desta jornada será o pelotão discutir a vitória através de uma corrida de eliminação entre os homens da geral. No entanto, nunca se pode colocar de parte mais uma vitória da fuga, como tão habitual tem sido neste Giro. A Ineos Grenadiers e mesmo outras equipas da geral quererão certamente controlar a etapa, mas a composição da fuga irá ditar se o pelotão terá interesse ou não em perseguir durante toda a jornada.

De qualquer forma, para hoje apostamos nos favoritos para triunfarem nesta mítica chegada! Assim, o candidato nº1 à vitória, por uma margem considerável, é o atual camisola rosa, Egan Bernal, da Ineos Grenadiers. O colombiano tem estado em grande nível, ganhando tempo à concorrência sempre que lhe é possível, e quererá certamente capitalizar o seu momento de forma com nova vitória em etapa, somando mais alguns (muitos?) segundos de vantagem no topo da CG.

O único homem que tem estado minimamente perto de Bernal é Aleksandr Vlasov, da Astana, e será expectável que o mesmo aconteça nesta etapa, embora perante o cenário atual e a forma superlativa do camisola rosa, o jovem russo certamente não se importará se pelo menos não ceder muitos segundos no duro final. O atraso de 45 segundos na geral para alguém que se tem mostrado tão forte como Bernal, será certamente uma grande motivação para Vlasov, que quererá manter o colombiano em ponto de mira, esperando tirar partido de alguma fragilidade que acometa o camisola rosa.

Em crescendo de forma está Emanuel Buchmann, da BORA-hansgrohe, ainda para mais agora que a prova entra no seu terreno predileto, a alta montanha. O alemão possui um extraordinário motor a diesel, sendo que poderá ser prejudicado pelas zonas mais inclinadas da subida, no entanto, será um homem muito difícil de fazer descolar antes disso e que pode tentar eliminar os seus rivais apenas com o seu ritmo de subida.

O mesmo pode ser dito de Hugh Carthy, da EF Education-Nippo, embora no caso do britânico, que já venceu no comparável Angliru, seja mais fácil de o ver a lidar bem com as zonas mais íngremes. A maior dúvida em relação a Carthy prende-se com o seu momento de forma, sendo que na etapa de Montalcino acabou por sofrer um pouco perto do final, embora tal possa ter-se devido a uma má alimentação. Com a entrada nas etapas de alta montanha, o líder da EF tem de ser encarado como um dos mais perigosos do pelotão.

Um dos ciclistas que se adapta bem a esta subida e que seria claramente um candidato à vitória, mas que ainda não mostrou estar perto do seu nível máximo de forma, é Simon Yates, da Team BikeExchange. Ainda assim, o britânico parece estar em crescendo, o que pode ser preocupante para a concorrência!

Falando em dúvidas sobre momento de forma, o que dizer de Remco Evenepoel, que na etapa do sterrato passou por claras dificuldades, embora mostrando também que não está completamente desprovido de pernas. Apesar de ter ficado a ideia que a incapacidade para seguir os melhores nas estradas empoeiradas terá ficado a dever-se a algum nervosismo, o jovem belga mostrou que não está bem. Some-se ainda o grande desconhecimento de saber como o jovem belga vai lidar com este tipo de subidas, a meio de uma grande volta, e temos alguém que reúne muito mais incertezas do que convicções por esta altura. De qualquer forma, queremos acreditar que Evenepoel recuperou do desgaste da etapa de Montalcino e que estará com ganas de mostrar que não é um flop e que a (agora clara) aposta da equipa em si como líder não foi um fiasco, pelo que o consideramos como candidato a poder atacar e começar a recuperar algum do tempo perdido.

As interrogações dentro da Deceuninck-Quick Step são mais que muitas depois da hesitação na etapa de Montalcino. Se houve falha de comunicação dentro da equipa ou se foi João Almeida a tardar o seu apoio a Evenepoel, o que é certo é que a Deceuninck é, por esta altura, uma casa a arder, com um claro desconforto do português sobre o apoio dado pela equipa à liderança (supostamente) bicéfala. De qualquer forma, o português será também ele um candidato a triunfar nesta mítica subida, sendo que a pecha no seu jogo não será tanto o seu nível de forma, que parece estar bastante elevado, mas as características da subida, que acabam por não o favorecer.

Seguem-se três nomes que têm estado entre os melhores deste Giro, mas que deixam algumas reticências quanto à possibilidade de aguentarem junto dos melhores nesta jornada: Giulio Ciccone, Damiano Caruso, e Dan Martin. Refiram-se também Romain Bardet, um ciclista talhado para estas etapas, e também Vincenzo Nibali, que se mostrou bem agressivo, em especial na descida final da etapa de Bagno di Romagna, restando saber como estarão as barbatanas do “Tubarão do Estreito” na alta montanha.

Entre os melhores deverão estar também Davide Formolo, Tobias Foss, e possivelmente o ex-camisola rosa Attila Valter, sendo o dark horse para esta jornada Jan Hirt!

Como referimos, ao contrário das restantes etapas montanhosas, esta deverá ser uma jornada discutida pelo pelotão, mas não se pode excluir totalmente a possibilidade de a fuga voltar a triunfar. Entre os principais candidatos a integrar a movimentação que irá marcar a jornada, conseguindo depois bater a concorrência no Zoncolan, refiram-se: Bauke Mollema, George Bennett, Koen Bowman, Sebastien Reichenbach, ou Harm Vanhoucke.

Esta poderia ser uma boa jornada para Ruben Guerreiro e Nelson Oliveira integrarem a fuga, no entanto, o duro final não favorece nenhum deles e, no caso do ciclista da EF Education-Nippo, é muito provável que tenha que estar no apoio a Hugh Carthy durante grande parte da jornada.

Favoritos Ciclismo Mundial

⭐⭐⭐⭐⭐ Egan Bernal

⭐⭐⭐⭐ Aleksandr Vlasov e Emanuel Buchmann

⭐⭐⭐ Hugh Carthy, Simon Yates, e Remco Evenepoel

⭐⭐ João Almeida, Giulio Ciccone, Damiano Caruso, e Dan Martin

⭐ Romain Bardet, Vincenzo Nibali, e Davide Formolo, Tobias Foss, Attila Valter, Jan Hirt, Bauke Mollema, George Bennett, Koen Bowman, Sebastien Reichenbach, e Harm Vanhoucke

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Releated

Please turn AdBlock off  | Por favor desative o AdBlock