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Depois do pequeno aperitivo nas ruas de Belém, a Volta a Portugal prossegue com a realização da 1ª etapa em linha, numa jornada que será decidida num dos mais belos cenários para uma prova desportiva! O percurso consiste numa ligação de 175.8 km, com os ciclistas a partirem de Torres Vedras e a viajarem para Sul, rumo à cidade de Setúbal. Trata-se de um final de etapa com grande história no ciclismo português, onde a subida ao Alto da Arrábida, poucos quilómetros antes da capital do choco frito, é o prato principal deste menu bem saboroso!

A 1ª etapa da Volta começa quase de imediato em subida, a dar o mote para o que será uma semana e meia bem montanhosa! Depois de arrancarem de Torres Vedras, os ciclistas encontram uma contagem de 4ª categoria para Sobral de Monte Agraço, seguindo-se uma fase em descida, rumo às duas primeiras metas volantes da Volta, uma em Alenquer, outra em Arruda dos Vinhos. Após uma curta subida não categorizada, perfilam-se mais de 50 km praticamente planos, com o pelotão a continuar a pedalar para Sul, rumo à Península de Setúbal.

Chegados a esta zona do País, os ciclistas dirigem-se para Palmela, onde, a 40 km do fim, estará colocada nova meta volante, esta em subida. O pelotão desloca-se depois para Setúbal, para uma primeira passagem na zona de meta. Em vez de pararem aí, os corredores continuam rumo à Serra da Arrábida, onde os espera uma subida de 2ª categoria com 6.5 km de extensão e 4.8% de pendente média e com um quilómetro e meio final bem duro, acima dos 8%.

Do Alto da Arrábida, os corredores irão descer durante 13 km, regressando à capital sadina para a decisão da etapa na icónica Avenida Luísa Todi.

Perfil da 1ª etapa da Volta a Portugal

Os favoritos

O cenário mais provável para o desfecho desta etapa será a formação de uma fuga inicial, que irá tentar-se na frente o máximo de tempo possível, com o pelotão a controlar distâncias e a preparar a decisão da etapa nas colinas da Arrábida. Note-se que, após um curto prólogo de abertura, as diferenças entre os corredores são escassas, pelo que não haverá margem para permitir ataques fortes de longe.

Além disso, as principais equipas do pelotão, leia-se W52-Porto e Efapel, e também formações como a Kelly/Simoldes/UDO, a Antarte-Feirense, a Radio Popular Boavista, e mesmo as formações espanholas, terão interesse numa discussão mais ou menos numerosa da etapa, seja na subida para a Arrábida, seja no sprint em Setúbal.

No ano passado, num final emocionante, um grupo de 16 corredores acabou por discutir a vitória em Setúbal, com o mais forte a ser António Carvalho, ele que tinha atacado na subida conseguindo depois ainda bater a concorrência, encabeçada por Luís Fernandes e Luís Gomes.

A possibilidade de um ataque preciso na subida para a Arrábida resultar em vitória existe claramente, no entanto, com as forças ainda bastante frescas neste pelotão, acreditamos que um grupo mais ou menos numeroso poderá discutir a chegada em Setúbal. Note-se que o pelotão, como é habitual, está recheado de homens que sobem bem e que são rápidos no sprint, pelo que podemos esperar mais uma chegada emocionante, típica da Grandíssima!

Como principal favorito vamos apontar para um dos homens mais consistentes do pelotão nacional: Luís Gomes, da Kelly/Simoldes/UDO, ele que nos últimos dois anos venceu sempre uma etapa e uma camisola na Volta. Em 2020, etapa e classificação dos pontos, em 2019, etapa e classificação da montanha! O corredor oriundo de Vila Nova de Gaia é uma cara habitual nestas chegadas seletivas e será certamente um dos mais rápidos para uma discussão em pelotão reduzido.

Um dos grandes rivais de Luís Gomes poderá muito bem ser o venezuelano da Caja Rural, Orluis Aular, um ciclista com um perfil bem interessante para esta etapa e alguém que coleciona já resultados importantes, nomeadamente um 2º posto na etapa 2 da Route d’Occitanie, em junho passado, nesse dia batido apenas por Arnaud Démare!

Entre os principais favoritos para este dia refiram-se dois corredores da Radio Popular Boavista com perfil para poderem estar entre os melhores: Luís Fernandes e Gonçalo Carvalho. Também a Tavfer-Measindot-Mortágua apresenta vários nomes capazes de brilhar neste percurso, entre eles Tiago Antunes e Iúri Leitão, embora no caso do jovem de Viana do Castelo fiquem algumas dúvidas se irá sobreviver à subida.

Note-se que diversos corredores estarão de olho na camisola amarela de Rafael Reis. A Efapel tentará proteger o vencedor do prólogo, na medida do possível, mas o principal foco estará em Mauricio Moreira, que ocupa o 2º posto da CG. O uruguaio oferece mais garantias na montanha, pelo que deverá ser o corredor protegido nesta fase da Volta, e poderá ser também ele um caso sério para a discussão da etapa.

Note-se que no 3º posto da geral está Lluís Mas, da Movistar, que certamente tentará manter-se entre os melhores na subida, de modo a poder atacar a amarela, sendo que no final poderá ser um dos mais fortes no sprint.

A qualidade do pelotão da Volta deste ano é inegável, pelo que o lote de candidatos a vencer neste tipo de etapas é extenso. Muitos corredores têm capacidade e ambição suficientes para desfeitear o pelotão neste percurso, pelo que um ataque, por exemplo, na descida para Setúbal, pode ser muito difícil de anular. Pensamos em nomes como Joel Suter, jovem talento suíço da Bingoal, ou Ben King, corredor da Rally Cycling, com muita experiência ao mais alto nível e com duas etapas ganhas na Vuelta.

Refira-se que, se a jornada for relativamente tranquila e um pelotão algo numeroso acabar por se digladiar na Avenida Luísa Todi, poderá ser a W52-Porto a equipa-chave, na tentativa de levar ao triunfo um dos seus homens rápidos, como Samuel Caldeira, Daniel Mestre, ou mesmo Ricardo Mestre. Neste cenário, também Luís Mendonça, da Efapel, ou Enrique Sanz, da Kern Pharma, poderão ter uma palavra a dizer, assim como alguns dos homens rápidos já referidos nesta análise.

Por outro lado, se a tirada acabar por ser bastante seletiva, a decisão poderá ficar limitada a um grupo bastante reduzido composto pelos melhores trepadores. Nesse caso, a vitória poderá mesmo ficar para nomes como Vicente García de Mateos, Gustavo Veloso, António Carvalho, Frederico Figueiredo, Joni Brandão, João Rodrigues, Amaro Antunes, Alejandro Marque, João Benta, ou Sergio Samitier, embora muitos destes corredores tenham de atacar antes dos metros finais, pois não terão nem peso nem velocidade para se baterem com muitos dos nomes já referidos.

Favoritos Ciclismo Mundial

⭐⭐⭐⭐⭐ Luís Gomes
⭐⭐⭐⭐ Orluis Aular e Luís Fernandes
⭐⭐⭐ Gonçalo Carvalho, Tiago Antunes, e Mauricio Moreira
⭐⭐ Lluís Mas, Joel Suter, Ben King, e Samuel Caldeira
⭐ Iúri Leitão, Daniel Mestre, Ricardo Mestre, Luís Mendonça, Enrique Sanz, Vicente García de Mateos, Gustavo Veloso, António Carvalho, Frederico Figueiredo, Joni Brandão, João Rodrigues, Amaro Antunes, Alejandro Marque, João Benta, e Sergio Samitier

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