Na roda dos Alpecin!

A etapa 4 da Volta a França constitui a última jornada na região da Bretanha, num dia que se espera mais tranquilo do que os três anteriores, repletos de quedas, lesões, e abandonos. Desta feita, o pelotão enfrenta uma curta jornada, de apenas 150.4km, entre Redon e Fougères, num percurso ainda mais plano do que ontem, desta vez sem qualquer subida categorizada.

Perfil da etapa 4 da Volta a França

Além de se tratar de um dia ainda mais plano, à partida será também menos perigoso, com estradas mais largas e menos sinuosas. Também o final será, ao que tudo indica, menos periclitante para o pelotão, e mesmo as curvas no interior de Fougères serão menos acentuadas do que aconteceu na etapa 3. No entanto, é preciso ter em conta que o final será, ainda assim, algo técnico e em ligeira subida.

Os quilómetros finais da etapa 4

Os favoritos

O caótico final da etapa 3 trouxe uma alteração significativa no que toca ao panorama das chegadas mais rápidas neste Tour: a desistência do favorito nº1 para os sprints, Caleb Ewan, na sequência de uma fratura na clavícula sofrida na queda já perto do final. Outra conclusão da conturbada etapa 3 é que o super comboio da Alpecin-Fenix confirmou a sua força (e de que maneira!), graças a um espetacular “lead out” de Mathieu Van der Poel, com os dois sprinters da equipa, Tim Merlier e Jasper Philipsen, a completarem o trabalho. Não é claro se Ewan seria capaz de vencer, caso não caísse, mas os homens da Alpecin estavam já numa posição de conforto, bem na frente à saída da curva que dava acesso ao risco de meta.

Se o australiano tivesse vencido, poderíamos estar agora a falar num problema de coordenação entre os dois homens mais rápidos da Alpecin, mas o próprio final caótico acabou por propiciar que ambos os corredores atacassem o risco de meta. Ainda assim, não restam grandes dúvidas: com MVDP, Philipsen, e Merlier, a Alpecin tem um alinhamento assustador para os 500 m finais de qualquer chegada plana, sendo que partem na pole position para os próximos sprints. Se mais lá para a frente poderá chegar a vez de Philipsen ser o sprinter principal da equipa, neste ponto esse lugar deverá ser ainda de Tim Merlier, pelo que será ele o nosso favorito nº 1 para esta etapa.

Em virtude do caos da etapa 3, que retirou da discussão da etapa uma boa parte dos sprinters, não é possível aferir grandes conclusões em termos de hierarquias de sprinters dentro do pelotão. De qualquer forma, há pelo menos dois homens que deverão ter capacidade para discutir a etapa com Merlier: Mark Cavendish e Arnaud Démare.

Note-se que não é de excluir que a Alpecin-Fenix possa estar com ideias de colocar Jasper Philipsen como última carruagem do comboio, sendo que o belga voltou a mostrar que tem velocidade para se bater com qualquer opositor. Se a equipa conseguir vencer três etapas consecutivas com três corredores diferentes, a que se junta o facto de ter a amarela do seu lado, será algo de absolutamente histórico, ainda para mais tratando-se de uma equipa que não faz parte do World Tour!

No rol de favoritos para hoje, refira-se depois o campeão eslovaco, Peter Sagan, que também caiu juntamente com Ewan perto do final, mas que não parece ter tido grandes problemas a nível físico. O homem da BORA-hansgrohe estava também em boa posição para discutir os primeiros lugares da etapa, pelo que é de acreditar que o mesmo possa voltar a acontecer na etapa de hoje, sendo que o final em ligeira subida acaba por favorecer o Hulk de Zilina.

Um dos ciclistas que conseguiu sobreviver ao caos da etapa 3 foi o “Boxeur”, Nacer Bouhanni, ele que acabou por fechar no 3º posto da jornada. Em condições normais, o homem de Arkéa Samsic não deve ter grandes hipóteses de bater os homens já referidos, mas estará certamente motivado para voltar a fazer um bom sprint, fazendo novamente uso da sua capacidade de colocação.

Entre os maiores candidatos a poderem fazer um resultado de destaque nesta jornada, refiram-se Wout Van Aert, cujas aspirações neste dia estarão condicionadas pelo apoio que possa ter de dar a Roglic, e ainda Sonny Colbrelli, Mads Pedersen, Cees Bol, Danny van Poppel, Michael Matthews, Christophe Laporte, André Greipel, e ainda o camisola amarela, Mathieu van der Poel.

A postura ofensiva do líder da corrida tem sido um dos grandes destaques deste Tour, sendo que além de já ter vencido uma etapa e ter chegado à liderança da prova, conseguiu ainda na etapa de ontem executar um trabalho de lançamento perfeito para os seus colegas. No final da tirada, Merlier referia que tinha sido o próprio Van der Poel a insistir para lançar o sprint, ao que o sprinter belga lhe terá respondido: “You’re crazy!” (És louco!). De facto, estamos perante não só um grande ciclista, como alguém que não tem medo de arriscar, um atleta com raça e panache e que quer dar espetáculo sempre que possível!

O cenário mais previsível para esta etapa será o de um sprint em pelotão compacto, onde MVDP deverá voltar a ser a principal locomotiva do comboio da Alpecin, abrindo caminho para os dois homens mais rápidos da equipa, mas não é de descartar que alguma condicionante como queda ou vento possa fracionar o pelotão, cenário que poderia motivar um sprint para a vitória por parte do holandês. Note-se ainda que, mesmo no caso de um sprint massivo, a Alpecin pode entrar na frente na curva final, através de MVDP, sendo que se o ritmo for suficientemente alto, o Godzilla pode ser tentado a atacar.

Favoritos Ciclismo Mundial:

⭐⭐⭐⭐⭐ Tim Merlier

⭐⭐⭐⭐ Mark Cavendish e Arnaud Démare

⭐⭐⭐ Jasper Philipsen, Peter Sagan, e Nacer Bouhanni

⭐⭐ Wout Van Aert, Sonny Colbrelli, Mads Pedersen, e Cees Bol

⭐ Danny van Poppel, Michael Matthews, Christophe Laporte, André Greipel, e Mathieu van der Poel

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