Marianne Vos à procura de fazer história no Trofeo Alfredo Binda!

Tal como já é habitual, o Trofeo Alfredo Binda sai para a estrada no dia após a Milano Sanremo e, após o cancelamento devido ao Covid-19 em 2020, realiza este ano a sua 46ª edição. A clássica apresenta um perfil de média montanha, capaz de potenciar uma corrida de cariz ofensivo que tanto pode terminar ao sprint num grupo restrito, como terminar com uma ciclista isolada a levantar os braços em solitário. Marianne Vos venceu em 2019, conquistando a sua quarta vitória, o que lhe permitiu empatar a contenda a italiana Maria Canins, que entre 1984 e 1992 também venceu o troféu por quatro vezes.

Perfil

Um percurso de 142.5km, em constante sobe e desce irá levar as ciclistas desde Cocquio Trevisago até Cittiglio. A primeira metade terá duas subidas categorizadas, a primeira logo ao km 17.5, com 1.4km a 6.2% a levarem as ciclistas ao topo de Caldana, e que deverá provocar uma boa dose de ataques, talvez até formando a primeira fuga do dia. O ritmo continuará a ser certamente alto, e a segunda subida aparecerá ao km 44.5, com 4km a 4.7% de pendente média a marcarem a ascensão ao Cunardo, numa colina com uma parte intermédia bem mais complicada que a parte final e até mesmo que a inicial.

O ritmo deverá depois acalmar um pouco, com o pelotão a entrar numa fase maioritariamente de descida e de plano, até chegar ao km 71.5, onde se cruzará pela primeira vez a linha da chegada. As ciclistas darão depois 4 voltas ao circuito final de 17.75km em que se incluirão duas ascensões, a primeira ao Casalzuigno, uma pequena rampa de 700m a 7.2% de pendente média, que apesar de não categorizada, poderá também ver diversos ataques acontecerem, e a segunda a Orino, uma colina de 3.4km a 4.2% de pendente média, em que a fase final se apresenta claramente como decisiva, já que após 500m a 7.2% na entrada do segundo km de subida, a pendente no km inicial, e no km intermédio não passa dos 3.5%. Os 900m finais de Orino farão certamente a maior seleção e será aí que as principais candidatas deverão jogar as suas cartas.

Após a descida de cerca de 5km, o pelotão terá 3km planos até cruzar a linha de meta, e se aqui tivermos o habitual jogo do gato e do rato, a situação poderá ficar propícia a que alguém tome por inspiração Jasper Stuyven (Trek – Segafredo) na Milano Sanremo de ontem, e ganhe vantagem suficiente para vencer de forma isolada a corrida.

Perfil do 46º Trofeo Alfredo Binda

Favoritas

De entre as ciclistas presentes, salta à vista claro o nome de Marianne Vos (Jumbo – Visma Women Team), ela que já aqui venceu por quatro vezes, e tem mais do que capacidade para cruzar estas subidas com as melhores, e até de fazer a diferença caso queira atacar e vencer de forma isolada. É por isso a principal favorita para o dia e as possibilidades de confirmar esse mesmo favoritismo no risco de meta é bastante elevada, numa corrida com um perfil que parece assentar na perfeição nas suas características.

Numa segunda linha temos Elisa Longo Borghini (Trek – Segafredo) e Chantal van den Broek – Blaak (Team SD Worx), elas que protagonizaram um emocionante duelo na última Strade Bianche e que podem aqui também conquistar uma vitória, quer com um ataque de longe quer ao sprint num grupo restrito, porém, a maior ameaça para Vos não surge de nenhuma das duas, mas sim de Lizzie Deignan (Trek – Segafredo). A britânica pode até nem ter começado a temporada da melhor forma, mas é uma das ciclistas que já bateu Vos neste tipo de percursos, tal como aconteceu na última La Course by Le Tour. Os ataques de longe são também a sua especialidade, e foi assim mesmo que em 2020 venceu o GP Plouay e a Liege – Bastogne – Liege.

Katarzyna “Kasia” Niewiadoma (Canyon // SRAM Racing) e Cecilie Uttrup Ludwig (FDJ Novuelle – Aquitaine Futuroscope) são também duas cartas que podem conquistar a vitória no dia de hoje. A polaca e a dinamarquesa dão-se bastante bem neste tipo de percursos e gostam particularmente de estar na ofensiva em busca de trazer espetáculo às corridas. Com o trabalho certo e com a tática correta, tanto uma quanto outra podem muito bem atacar e fazer a diferença no Orino, para se isolarem das restantes adversárias. Niewiadoma não finaliza tão bem ao sprint, e por isso terá de fazer pela vida se quiser subir ao pódio, porém Ludwig será capaz de fechar nas primeiras posições caso um grupo restrito venha a chegar junto, e por isso tem um pouco mais de hipóteses.

Amanda Spratt (Team BikeExchange) tem uma grande oportunidade de conquistar uma posição nas 10 primeiras e assim voltar aos resultados a que nos habituou enquanto gregária de Annemiek van Vleuten. A australiana passou por um mau bocado após a queda sofrida no último Giro Rosa, e precisa de voltar a ganhar forma para voltar a estar competitiva ao seu nível. O 15º lugar na Omloop Het Nieuwsblad e o 12º na Strade Bianche, fazem-nos acreditar que Spratt vai hoje chegar ao top10 final e assim ganhar ainda mais motivação para uma temporada que ainda será longa. Da Austrália, chega-nos também outro nome, que fará, curiosamente, a sua estreia a correr na Europa em 2021. Sarah Gigante (Team TIBCO – Silicon Valley Bank) é a menina prodígio da nação australiana e as suas exibições mais recentes fazem avizinhar um futuro risonho para ela. O percurso de hoje assenta-lhe também bastante bem, e sem a pressão de outras ciclistas mais experientes, poderá ter o à vontade para correr com alegria e de forma ofensiva como ela gosta, e assim conquistar um lugar nas 10 primeiras do dia.

Ashleigh Moolman – Pasio (Team SD Worx) e Mavi Garcia (Ale BTC Ljubljana) são talvez as trepadoras presentes com menos capacidade de finalização ao sprint, mas caso a corrida endureça bastante são também elas candidatas a estarem entre as melhores. A SD Worx já nos mostrou em 2020 que é a corrida quem faz a líder da equipa, e mesmo com Blaak a ter o dorsal #1 da equipa, pode muito bem ser outra ciclista a assumir esse papel. De Mavi não se espera mais do que uma corrida de ataque e contra-ataque, e apesar de a temporada ter começado menos bem, a espanhola tem aqui uma excelente oportunidade para nos mostrar todo o seu valor.

Caso a corrida venha a terminar ao sprint, há um bom número de gregárias capazes de se intrometerem no top10 final, e as suas líderes podem até dar-lhes essa liberdade. Falamos claro de Marta Cavalli (FDJ Novuelle – Aquitaine Futuroscope) e de Elena Cecchini (Team SD Worx). Marta Bastianelli (Ale BTC Ljubljana) deverá ter um papel livre na corrida, e seguir de acordo com as suas sensações. Se a italiana estiver bem, poderá muito bem intrometer-se no pódio final e até quem sabe vencer ao sprint. Elisa Balsamo (Valcar – Travel & Service) é sem dúvida, das ciclistas presentes, a que melhor sprinta, e apesar de ter uma pequena possibilidade de vencer hoje, acreditamos que a corrida vá ser muito endurecida, e por isso mesmo a jovem italiana venha a ficar impedida de disputar a vitória final. Nota também para Soraya Paladin (Liv Racing), ela que será também líder da sua equipa, e sem a pressão ou o destaque de outras pode muito bem passar despercebida o suficiente para poder atacar e não ter resposta, ou até para se intrometer nas 10 primeiras ao sprint.

Startlist Completa

Favoritas Ciclismo Mundial

⭐⭐⭐⭐⭐ Marianne Vos
⭐⭐⭐⭐ Lizzie Deignan e Chantal van den Broek – Blaak
⭐⭐⭐ Elisa Longo Borghini, Cecilie Uttrup Ludwig e Katarzyna Niewiadoma
⭐⭐ Amanda Spratt, Ashleigh Moolma – Pasio, Mavi Garcia e Sarah Gigante
⭐ Marta Cavalli, Elena Cecchini, Marta Bastianelli, Soraya Paladin e Elisa Balsamo

Transmissão em Direto

Podes acompanhar a prova em direto na Eurosport2, a partir das 13h30!

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