Irão os tugas deixar alguma coisa para os outros?

Depois de um dia mágico para as cores nacionais, bem precisávamos de um dia de descanso para apreciar convenientemente a dimensão dos feitos de João Almeida e de Ruben Guerreiro. Se o primeiro está a fazer uma estreia simplesmente de sonho em grandes voltas, liderando uma das maiores equipas do pelotão internacional e preparando-se para envergar a camisola rosa pelo sétimo dia consecutivo, o segundo tornou-se no segundo português a conseguir vencer uma etapa do Giro, ascendendo ao mesmo tempo à liderança da classificação da montanha.

O Guerreiro de Gelo foi o mais forte na nona etapa, que viu mais uma vez a fuga a resultar. A décima etapa apresenta um perfil que pode dar muitas ideias aos aventureiros deste pelotão, cientes que as forças de perseguição não são as mais robustas neste tipo de etapa e com poucas equipas dispostas a controlar. A jornada é longe de ser fácil, pelo que será complicado para as equipas com interesses num sprint manterem as operações sob controlo, basicamente a BORA-hansgrohe para Peter Sagan e a Team Sunweb para Michael Matthews, embora alguma ajuda pudesse vir da INEOS ou da AG2R.

No menu estão 177 km entre Lanciano e Tortoreto. No total serão quatro as contagens de montanha, duas de terceira categoria e duas de quarta, além de diversas ascensões curtas e duras não categorizadas. A última ascensão do dia será uma quarta categoria, com 1.9 km a 7.4%, colocada a 11 km do final, e virá na sequência de várias subidas semelhantes.

Perfil da décima etapa da Volta a Itália

A chave da etapa irá estar na composição da fuga e na vantagem que a mesma poderá alcançar. No caso da BORA e da Sunweb optarem por lançar alguém na fuga, quem sabe até os próprios Sagan e Matthews, e esta for relativamente numerosa, então haverá chances muito fortes da movimentação de longe resultar. A Deceuninck-Quick Step não irá trabalhar para apanhar nenhum grupo de escapados, a menos que alguém que possa ameaçar a liderança de Almeida esteja presente.

Por um lado, esta é uma das melhores oportunidades de Michael Matthews e de Peter Sagan, a “cara” deste Giro e da camisola ciclamino, de vencerem uma etapa, uma vez que Démare não irá certamente aguentar as subidas. Por outro, tanto a BORA como a Sunweb têm em Majka e Kelderman homens com fortes interesses à geral, pelo que não poderão colocar a equipa “à morte” se estiver muito difícil de alcançar a fuga.

Num cenário de 50-50, torna-se difícil de apontar, não só o desfecho previsto da etapa, como o grande favorito a vencê-la. No entanto, há alguns nomes que poderão dar cartas em qualquer um dos três cenários: fuga, sprint, ou ataque perto do final. À cabeça está o italiano Diego Ulissi (UAE-Team Emirates), ele que é muito forte neste tipo de subidas curtas, será um claro favorito se estiver integrado numa fuga que resulte mas também se atacar do pelotão nas últimas ascensões. Até na hipótese de haver um sprint sem os homens mais rápidos e mais pesados ele será alguém a ter muito em conta. Após a vitória na segunda etapa, esta pode ser uma jornada assinalada no livro de prova do italiano. O cenário mais provável parece ser o de controlo do pelotão por parte da BORA e da Sunweb, mas com as inclinações finais a fazerem acreditar que um ataque oportuno pode garantir a etapa.

Na linha de Ulissi, estão nomes como o do equatoriano Jhonatan Narváez (INEOS Grenadiers) ou mesmo o de Ruben Guerreiro (EF Pro Cycling), que tão bem esteve na última escapada e que estará de momento com uma confiança sólida como um iceberg. Curiosidade para ver o Iceman de Pegões de camisola azul ao peito e saber se ele tentará atacar a etapa ou se irá lutar pelos poucos pontos da montanha em disputa, sabendo que dias mais recompensadores estão pela frente. Na classificação dos trepadores, Guerreiro lidera com 84 pontos, contra os 76 de Giovanni Visconti e os 45 de Jonathan Castroviejo.

Os óbvios Sagan e Matthews serão claros candidatos tanto num sprint como se estiverem na fuga, assim como Andrea Vendrame (AG2R La Mondiale) ou Ben Swift (INEOS Grenadiers). Refiram-se ciclistas com perfis distintos mas que podem estar em destaque, em especial se integrarem a fuga: Enrico Battaglin, Matt Holmes, Nicolas Edet, e ainda o clássico Thomas de Gendt.

Na eventualidade da corrida ser muito endurecida, possivelmente pela BORA e Sunweb numa fase inicial, mas depois também por outras equipas com interesses à geral, como a Trek-Segafredo ou a Astana, deve-se juntar ao lote de favoritos ciclistas como Wilco Kelderman, Jakob Fuglsang, Patrick Konrad, Tao Geoghegan Hart, e o próprio João Almeida. Não será, no entanto, um dia para fazer grandes diferenças na geral, pelo que o Foguete das Caldas continuará com toda a certeza a liderar este extraordinário Giro d’Itália.  

Recorde-se que Almeida é o primeiro da classificação geral, com 30 segundos de vantagem sobre Kelderman e 39 sobre Pello Bilbao, enquanto na classificação da juventude lidera com 1:02 sobre o belga Harm Vanhoucke e 1:15 sobre o australiano Jai Hindley.

ATUALIZAÇÃO:

Nota ainda para as notícias do dia de descanso, que dão conta de vários abandonos na Volta a Itália em resultado de testes positivos à covid-19, entre os quais o australiano Michael Matthews (o que altera em boa parte a nossa previsão), mas também a totalidade das equipas da Jumbo-Visma, após o teste positivo de Steven Kruijswijk, e da Mitchelton-Scott, após quatro casos positivos entre os atletas. Recorde-se que o líder da formação australiana, Simon Yates, tinha já também abandonado a prova pela mesma razão.

Favoritos Ciclismo Mundial:

⭐⭐⭐⭐⭐ Diego Ulissi

⭐⭐⭐⭐ Johnatan Narváez e Ruben Guerreiro

⭐⭐⭐ Peter Sagan, Andrea Vendrame, Ben Swift

⭐⭐ Enrico Battaglin, Matt Holmes, Nicolas Edet e Thomas de Gendt

⭐ Wilco Kelderman, Jakob Fuglsang, Patrick Konrad, Tao Geoghegan Hart, e João Almeida

Veja em directo connosco a Etapa:

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