Irá Filippo Ganna completar o seu conto de fadas no arranque do Giro d’Itália?

Arranca hoje a 103ª edição do Giro d’Itália. A emblemática prova por etapas transalpina disputa-se numa altura do ano bem diferente do habitual e perante um contexto de ainda alguma incerteza sobre a evolução da pandemia global e em particular sobre a realização de eventos desportivos. Por agora, vai mesmo arrancar a Volta a Itália, tal como muitas outras provas de ciclismo, em particular a Volta a Espanha, que arranca no dia 20 de outubro, estará o Giro ainda na 16ª etapa. De facto, com a reorganização do calendário, as provas vão surgir em catadupa nos próximos tempos, saciando fartamente o apetite dos amantes do ciclismo.

Após uma Volta a França que guardou o melhor para o fim, o Giro d’Itália apresenta um percurso e uma Startlist que prometem emoção e onde o espetáculo e a incerteza poderão ser superiores aos verificados em muitas etapas da prova francesa, também em função da menor pressão que os ciclistas sentem no Giro e na Vuelta em relação ao Tour.

Percurso da 103ª edição da Volta a Itália

Entre os principais favoritos à camisola rosa, Geraint Thomas parece partir na pole position, embora Simon Yates, Jakob Fuglsang, Vincenzo Nibali, Steven Kruijswijk, ou Rafal Majka possuam todas as condições para poder brilhar.

A grande expetativa entre as hostes lusas será de perceber qual o papel do jovem prodígio João Almeida, inserido numa Deceuninck-Quick Step que contará também com Fausto Masnada e James Knox, além de Álvaro Hodeg e Davide Ballerini para os sprints. Sem um líder incontestado para a montanha, a powerhouse belga procurará aproveitar todas as oportunidades que lhe forem proporcionadas, tanto a nível de etapas como de classificação geral. Será difícil para o ciclista de 22 anos das Caldas da Rainha igualar a melhor classificação de um português de sempre (José Azevedo, 5º no Giro de 2001), mas a luta por um top 10 e pela classificação da juventude não pode ser posta de parte.

A representação lusitana no Giro inclui ainda Ruben Guerreiro, que correrá pela EF Pro Cycling. A equipa norte-americana apresenta-se sem um líder óbvio para a geral, correndo para tentar vencer etapas, o que dará liberdade ao oportunista português.

A primeira etapa do Giro consiste num contrarrelógio de 15.1 km, corrido na ilha da Sicília, mais em particular na zona metropolitana de Palermo. Os ciclistas irão sair de Monreale e logo aí enfrentarão a primeira contagem de montanha da prova, uma quarta categoria com 1.2 km e 4.8% de inclinação média, onde está colocado o primeiro ponto de cronometragem. A partir do topo da subida será sempre a descer até ao segundo ponto de cronometragem, colocado ao fim de 9 km de prova. Os últimos km serão planos, com curvas largas, num percurso urbano, indicado para contrarrelogistas potentes.

Perfil do contrarrelógio individual da primeira etapa da Volta a Itália

O rol de especialistas no pelotão desta Volta a Itália é assinalável, algo a que não será alheio o facto de termos três provas contra o relógio, uma a abrir, uma a fechar, e outra à 14ª etapa.

A aposta do Ciclismo Mundial para este dia não pode ser outra que não a mesma da prova de contrarrelógio dos campeonatos do mundo. Após triunfar em Ímola, o campeão italiano e mundial da INEOS Grenadiers, Filippo Ganna, irá estrear a camisola do arco-íris na primeira etapa da principal prova ciclística do seu país, procurando a envergar a camisola rosa logo no primeiro dia, o que seria um verdadeiro conto de fadas para o ciclista de 24 anos.

Os principais adversários de Ganna neste contrarrelógio serão nada mais nada menos que dois companheiros de equipa na INEOS, o australiano Rohan Dennis e o galês Geraint Thomas, que irá procurar desde já distanciar os seus principais rivais. Nos mundiais, Thomas ficou na quarta posição, a oito segundos da medalha de bronze de Stefan Küng, enquanto Dennis terminou em quinto, a dois segundos de Thomas. A mão da INEOS nesta etapa pode, no entanto, não ser um trio, mas sim um poker, com a presença do espanhol Jonathan Castroviejo.

Também na discussão pela etapa deverão estar mais dois homens que fizeram top 10 no contrarrelógio dos mundiais, o belga Victor Campenaerts (NTT Pro Cycling) e o britânico Alex Dowsett (Israel Start-Up Nation). A lista de especialistas para um dia como este prossegue depois, com Tony Martin e Jos van Emden (Team Jumbo-Visma), Benjamin Thomas (Groupama-FDJ), Edoardo Affini (Mitchelton-Scott), Jan Tratnik (Bahrain-McLaren), Mikkel Bjerg (UAE-Team Emirates), entre muitos outros ciclistas que se poderão adaptar, como Michael Matthews (Team Sunweb) ou mesmo Peter Sagan (BORA-hansgrohe) que irão procurar não ficar muito longe da liderança da prova, que pode ser atacada na segunda etapa.

Apesar de à partida os especialistas terem vantagem sobre o restante pelotão, boas performances poderão surgir de homens que aproveitem as suas características para fazer a diferença neste percurso. Falamos de ciclistas que, por exemplo, descem muito bem, como o “Tubarão do Estreito” Vincenzo Nibali, que ainda por cima irá competir perto da sua terra natal, Messina, ou de corredores com potência para uma jornada rápida e não muito extensa, como o campeão francês de fundo, Arnaud Démare.

Favoritos Ciclismo Mundial

⭐⭐⭐⭐⭐ Filippo Ganna
⭐⭐⭐⭐ Geraint Thomas e Rohan Dennis
⭐⭐⭐ Victor Campenaerts, Jonathan Castroviejo, e Alex Dowsett
⭐⭐ Tony Martin, Benjamin Thomas, Edoardo Affini, e Jos van Emden
⭐ Michael Matthews, Jan Tratnik, Mikkel Bjerg, Vincenzo Nibali, e Arnaud Démare

Poderás acompanhar a etapa em direto na Eurosport 2, a partir das 12h10!

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