Indecisão até final e um super lote de candidatas!

Dia de Ronde van Vlaanderen, o histórico, o mítico Tour de Flanders, ou como por cá apelidamos, a Volta à Flandres. O segundo Monumento do Ano é o também para o pelotão feminino, apesar de para as senhoras não ter esta designação “oficial”, após o primeiro deles, o Trofeo Alfredo Binda, se ter disputado o mês passado, logo no dia seguinte à Milano – Sanremo para o pelotão masculino, e ter sido ganho por uma das ciclistas em melhor forma esta temporada, a Campeã Italiana, Elisa Longo Borghini, da Trek – Segafredo.

A história da corrida remonta-nos a 2004, ano em que a Ronde começou a ser também disputada pelas senhoras. Na edição inaugural, a cazaque Zulfia Zabirova (Team Let’s Go Finland) levantou os braços após 94km de corrida, colocando o seu nome para sempre na história como a primeira mulher a vencer uma corrida tão especial como esta. 17 edições decorreram entre 2004 e 2020, com 15 ciclistas diferentes a vencerem a corrida, um número que mostra bem a imprevisibilidade existente no pelotão feminino. Apenas a holandesa Mirjam Melchers conseguiu revalidar a vitória, quando venceu em 2005 e 2006, e até hoje é ainda a única que venceu de forma consecutiva duas edições distintas da Ronde. Melchers é também recordista no número de triunfos, com 2, um feito que mantém com a alemã Judith Arndt, que venceu em 2008 e em 2012. Na década dos 10’s dos anos 2000, as vitórias foram sempre conquistadas por ciclistas diferentes, um facto que é por si só bastante curioso e que nos faz apaixonar cada vez mais por esta corrida.

Na edição 18, que se corre neste domingo de Páscoa, contamos desde logo à partida com 8 vencedoras da corrida, Annemiek van Vleuten (2011), Marianne Vos (2013), Ellen van Dijk (2014), Elisa Longo Borghini (2015), Lizzie Deignan (2016), Anna van der Breggen (2018), Marta Bastianelli (2019) e Chantal van den Broek – Blaak (2020). Também no pódio já terminaram Amy Pieters, Jolien d’Hoore, Lotte Kopecky e Cecilie Uttrup Ludwig. Um número de 12 ciclistas que já subiram ao pódio, e que é certamente histórico na startlist de uma importante corrida como esta.

Perfil

152.5km com partida e chegada em Oudenaarde farão parte do menu do dia para as senhoras, com 11 setores de pavê, alguns dos quais inclinados, e um total de 13 muros. Os primeiros setores de empedrado irão aparecer ao km 40, com o Lippenhovestraat e o Paddestraat a serem um pequeno aperitivo para aquilo que espera as ciclistas a partir do km 56. A partir do Kattenberg, rampa em empedrado com 500m a 7.3% de pendente média, o percurso será em constante sobe e desce, pelos mais míticos muros da região da Flandres.

A decisão da corrida deverá estar reservada para os últimos 45km quando se der a entrada no Kanarieberg, uma rampa já bastante conhecida do pelotão com 1.1km a 9% de pendente média. A partir daí, e de forma consecutiva, o pelotão cruzará os setores do Taaienberg, do Oudestraat, do Kruisberg pelo lado de Hotond, e uma longa descida se seguirá até se entrar no Oude Kwaremont ao km 133. À já mitíca rampa seguir-se-á o Paterberg, ao km 139, e a partir daí será descer e rolar durante 12km até à linha de chegada.

Perfil da Ronde van Vlaanderen feminina

Favoritas

A lista de candidatas a vencer hoje é bastante extensa, pelo que a luta pela vitória é esperada ser ofensiva, e de grande espetáculo e força, como o pelotão feminino nos tem habituado nos últimos tempos. A principal favorita é certamente a Campeã do Mundo, a holandesa Anna van der Breggen (Team SD Worx). Duas corridas disputou em 2021, e se uma venceu (Omloop Het Nieuwsblad), na outra ficou na terceira posição (Strade Bianche), depois de a sua colega de equipa Chantal van den Broek – Blaak se ter adiantado na companhia da italiana Elisa Longo Borghini (Trek – Segafredo).

Numa segunda linha, estará a própria colega de equipa de Breggen, Chantal Blaak, ela que venceu a última Strade Bianche, e que anda muito bem no empedrado. O principal objetivo da Primavera seria a Paris – Roubaix, mas com o adiamento da corrida para o outono, Blaak pode jogar todas as suas fichas nesta fase do ano na Flandres. Annemiek van Vleuten estreou-se a vencer com as cores da Movistar na passada quarta na Dwars door Vlaanderen, e essa vitória pode muito bem ter sido o que a holandesa precisava para dar o clique e voltar a um período de superioridade no pelotão feminino. Certo é que tem de ser contada como favorita, e uma vitória hoje não seria nenhuma surpresa.

Elisa Longo Borghini é certamente a maior candidata da Trek – Segafredo. A Campeã Italiana está em super forma, e se atacar pode muito bem livrar-se das adversárias ao ponto de se conseguir isolar para a vitória. Lotte Kopecky (Liv Racing) é certamente um nome a ter em conta. O ano passado a jovem belga foi terceira, ainda pela Lotto Soudal, e a mudança para a Liv fez-lhe muito bem. Quer com ataques, quer ao sprint, Kopecky nunca poderá ser descartada das candidatas ao triunfo, e se o fizer, será mais uma a estrear-se. Marianne Vos (Jumbo – Visma Women Team) conquistou a primeira vitória pela equipa da Jumbo na última Gent – Wevelgem, numa jornada em que a frieza da veterana levou a melhor sobre todas as rivais. Motivação certamente não lhe falta, e a possibilidade de voltar a vencer aqui também não lhe deverá passar ao lado, apesar de também como Blaak ter o seu maior objetivo em Roubaix.

A polaca Katarzyna Niewiadoma (Canyon // SRAM Racing) está também a andar muito bem, e certamente deverá estar na luta hoje pelos primeiros lugares, assim como a dinamarquesa Cecilie Uttrup Ludwig (FDJ Nouvelle – Aquitaine Futuroscope). Ambas são bastante irreverentes na sua forma de correr e certamente serão capazes de estar com as melhores do dia. Lisa Brennauer (Ceratizit – WNT Pro Cycling) segue um pouco na linha de Kopecky, e é das ciclistas que terá capacidade para seguir os ataques e sprintar bem caso assim seja preciso. Apesar de não ter a força da belga, é também uma candidata e uma ciclista que deverá fechar entre as melhores. Grace Brown (Team BikeExchange) também já provou que consegue atacar e distanciar-se e que em esforços individuais tem capacidade para não se deixar alcançar. Hoje deverá também ter capacidade de estar com as melhores, e quem sabe não possa atacar e não mais ser alcançada.

Ainda com alguma capacidade para discutir a corrida, deveremos contar Ellen van Dijk e Lizzie Deignan da Trek – Segafredo, duas ciclistas que também podem vencer, mas que não sabemos bem qual o nível a que irão estar no dia de hoje e após diversos muros ultrapassados. Demi Vollering e Amy Pieters deverão ser duas das principais gregárias da Team SD Worx, e se a corrida for levada para o risco ao sprint podem muito bem terminar entre as cinco primeiras. Emma Cecilie Norsgaard (Movistar) segue também nesta ideia, e apesar de estar a fazer uma excelente temporada, hoje deverá ser a principal escudeira de Annemiek van Vleuten. A Ale BTC Ljubljana tem a sua principal arma em Marta Bastianelli, mas a italiana parece não estar na forma de 2019, em que venceu a corrida e teve uma excelente temporada. A presença no top10 poderá sem dúvida ser já um bom resultado para a consagrada Bastianelli.

Favoritas Ciclismo Mundial

⭐⭐⭐⭐⭐ Anna van der Breggen
⭐⭐⭐⭐ Annemiek van Vleuten e Chantal van den Broek – Blaak
⭐⭐⭐ Elisa Longo Borghini, Lotte Kopecky e Marianne Vos
⭐⭐ Katarzyna Niewiadoma, Cecilie Uttrup Ludwig, Lisa Brennauer e Grace Brown
⭐ Amy Pieters, Emma Cecilie Norsgaard, Marta Bastianelli, Ellen van Dijk, Demi Vollering e Lizzie Deignan

Presença Portuguesa

Nenhuma ciclista portuguesa alinhará à partida para a corrida.

Transmissão em Direto

Podes acompanhar a corrida em direto na Eurosport1, a partir das 15h45!

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