Hoje não se guarda nada!

A etapa 4 da Volta a Portugal irá consistir numa jornada de 181.6 km, entre Belmonte e Guarda. O percurso será relativamente simples na primeira metade, com os ciclistas a encontrarem apenas uma contagem de 4ª categoria, logo no início da tirada. Depois serão muitos quilómetros a rolar, com passagem por três sprints intermédios, antes dos 40 km finais, onde estarão colocadas três contagens de montanha.

Primeiro será a subida de 2ª categoria para Videmonte (10.9 km a 5.5%), seguindo-se depois uma 3ª categoria (6.3 km a 4.4%) que levará os ciclistas pela primeira vez até à cidade da Guarda. O pelotão irá depois descer para fazer nova subida de 3ª categoria (3.1 km a 6.3%) rumo à meta na cidade mais alta do País.

Perfil da etapa 4 da Volta a Portugal

Os Favoritos

A etapa de ontem acabou por revelar, por um lado, o receio que as principais equipas nacionais têm em atacar a corrida, e por outro, a falta de estratégia e de solidariedade de algumas formações, nomeadamente a W52-Porto. No conjunto azul e branco, depois de um trabalho incrível de Ricardo Vilela que dizimou autenticamente o pelotão, era necessário que um dos três líderes se sacrificasse e impusesse um ritmo alto que viesse a permitir um ataque de outro líder mais perto do final. Em vez disso, a formação azul e branca optou por atacar à vez, aos repelões, sem qualquer sentido de tática e sem qualquer consequência, uma vez que a Efapel ia marcando todas as movimentações, confortável com a vantagem relativa de Mauricio Moreira. A W52 ia desgastando mais os seus líderes do que os seus rivais.

A passividade das principais equipas do pelotão nacional acabou por abrir caminho para um homem com muita experiência, um antigo vencedor da Volta que sabe fazer como ninguém estas difíceis subidas. Note-se que Alejandro Marque descolou na subida, conseguindo depois aproveitar o impasse no grupo de favoritos para recolar e depois atacar sem piedade rumo à Torre! Ao invés de cooperarem para alcançar o espanhol, a W52, a Efapel, e mesmo a Radio Popular Boavista limitaram-se a uma marcação cerrada, permitindo a Marque chegar com mais de um minuto de vantagem à meta! Junte-se a isso a penalização a Mauricio Moreira e a Abner Gonzalez que permitiu a Gustavo Veloso subir ao 2º posto da CG e temos um cenário de pesadelo para as três maiores formações ciclísticas nacionais, que vêm o conjunto da Atum General/Tavira/Maria Nova Hotel a tomar conta das operações, com dois ciclistas experientes e bons contrarrelogistas na frente da CG.

Hoje não será um dia fácil, mas também não é expectável que existam grandes diferenças entre os principais galos do pelotão. De qualquer forma, as equipas nacionais, em especial a W52, têm de atacar fortemente a corrida, se quiserem começar já a diminuir distâncias para os dois homens do Tavira, em especial Marque. Note-se que o esforço do espanhol pode pagar fatura no dia de hoje, pelo que os rivais deverão forçar bastante o andamento, ainda para mais na véspera do dia de descanso.

O cenário da tirada de hoje deverá ser o habitual, com uma fuga a sair e o pelotão a controlar as operações. Até poderia ser um bom dia para os fugitivos mas, como referimos, as principais equipas têm de forçar o ritmo da corrida, pelo que acreditamos que o pelotão discuta a vitória nas subidas finais.

Pesem todas estas condicionantes, vamos apontar para Joni Brandão como principal favorito, ele que, além dos ataques na Torre, esteve também na ofensiva na chegada em Castelo Branco, e terá hoje uma jornada com final em subida onde pode mostrar mais uma vez a sua explosividade. Resta saber se a W52-Porto conseguirá gerir a corrida de forma correta e atacar de forma precisa, em completo contraponto ao que sucedeu no dia de ontem.

Se a formação azul e branca estiver em condições de atacar a chegada na Guarda, terá outros dois nomes capazes de bater a concorrência: Amaro Antunes e João Rodrigues.

Será importante analisar o posicionamento da Efapel, que passa de um cenário onde estava confortavelmente à defesa para uma situação onde tem de atacar obrigatoriamente. Depois de um excelente início de Volta para a formação canarinha, hoje será dia para retificar o que foi menos bem feito na Torre e tentar levar Mauricio Moreira à vitória. À semelhança da W52, a Efapel terá outros dois tubarões em busca de sangue neste final: Frederico Figueiredo e António Carvalho.

Muito do que foi dito até agora pode ser transposto para a formação da Radio Popular Boavista, que tem no entanto a atenuante do principal líder, João Benta, não estar nas melhores condições físicas em resultado da queda sofrida nas primeiras etapas. Ainda assim, a formação axadrezada conseguiu colocar homens na fuga e vários elementos no grupo restrito de favoritos, faltando talvez apenas um pouco de coordenação para um resultado mais positivo. Para o dia de hoje, poderá ser Luís Fernandes a grande aposta da equipa, ele que foi o melhor boavisteiro na etapa de ontem, fechando em 8º.

Será curioso de analisar também a postura da Movistar, que conseguiu ontem colocar o jovem Abner Gonzalez entre os melhores, num dia onde Sergio Samitier cedeu mais de 8 minutos. Ambos serão, ainda assim, duas boas cartadas que a equipa do World Tour poderá jogar neste final, em especial o porto-riquenho, que tão à vontade se mostrou na Torre. Alguma curiosidade também para o que pode fazer o jovem colombiano Juan Diego Alba.

Hoje será dia para a Atum General/Tavira estar mais à defesa, agora que tem dois corredores no topo da CG, no entanto, todos sabem que se houver pernas há que aproveitar! Se houver alguma indefinição, nem Gustavo Veloso nem Alejandro Marque se farão rogados de juntar mais uma vitória ao seu extenso palmarés na Volta.

Entre outros corredores com capacidade para triunfar neste final, refiram-se Henrique Casimiro (Kelly/Simoldes/UDO), Diego Lopez (Kern Pharma), Tiago Antunes (Tavfer-Measindot-Mortágua), ou ainda Luís Gomes (Kelly/Simoldes/UDO), embora depois do esforço de ontem hoje deva ser um dia de alguma recuperação para o corredor de Vila Nova de Gaia.

Num nota final importa referir que a fuga pode claramente vir a triunfar nesta etapa, pelo que nomes como Kyle Murphy (Rally Cycling), Marvin Scheulen (LA), Hugo Nunes (Radio Popular Boavista), ou César Fonte (Kelly/Simoldes/UDO) têm de ser tidos em conta.

Favoritos Ciclismo Mundial

⭐⭐⭐⭐⭐ Joni Brandão
⭐⭐⭐⭐ Amaro Antunes e João Rodrigues
⭐⭐⭐ Mauricio Moreira, Frederico Figueiredo, e António Carvalho
⭐⭐ Luís Fernandes, Abner Gonzalez, Gustavo Veloso, e Alejandro Marque
⭐ Henrique Casimiro, Diego Lopez, Tiago Antunes, Sergio Samitier, Juan Diego Alba, Kyle Murphy, Marvin Scheulen, Hugo Nunes, César Fonte, e Luís Gomes

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