A Guerra da Torre!

Disputa-se hoje a etapa 3 da Volta a Portugal, a primeira das jornadas decisivas para a definição da classificação geral. Perante os ciclistas coloca-se um desafio de 170.3 km, com partida da Sertã e chegada no alto da Torre da Serra da Estrela, num dia que será bastante acidentado durante todo o percurso, mesmo antes da Torre. No total, existem quatro subidas categorizadas, uma de 4ª categoria, duas de 3ª, e a titânica subida final de categoria especial.

A subida para a Torre representa um total de 20.2 km de subida, a 6.5% de pendente média, sendo que esse valor acaba por ser suavizado devido às fases em plano e em descida que existem na estrada para a Torre. Note-se que a zona inicial da subida tem secções bem inclinadas, muitas vezes acima dos 8% e chegando até aos 11%, e os 6 km finais apresentam uma inclinação média acima dos 7%.

Perfil da etapa 3 da Volta a Portugal

Os Favoritos

À 3ª etapa chegam as primeiras grandes decisões na Volta a Portugal, com a subida ao ponto mais alto do continente. Será um dia onde ninguém se pode esconder e a clássica jornada onde será difícil alguém ganhar já a Volta, fruto das pernas ainda frescas de muitos corredores, mas onde se pode facilmente ficar já arredado das contas finais. A jornada da Senhora da Graça até pode ter argumentos para discutir o estatuto de etapa rainha, mas é inegável que a subida à Torre é única em Portugal. Hoje discute-se a nossa grande montanha!

Trata-se de uma jornada para as grandes equipas esgrimirem argumentos, onde dificilmente a fuga terá margem para triunfar. O cenário deverá ser diferente do dia de ontem, quando a formação da Tavfer-Measindot-Mortágua controlou sozinha a maior parte da jornada, acabando por dar margem suficiente à fuga para triunfar, com o esforço tardio da Caja Rural e da Kern Pharma a não dar os frutos pretendidos.

Uma das equipas que se absteve de perseguir foi a W52-Porto, surgindo na frente apenas nos quilómetros finais, certamente a reservar energias para o dia de hoje. Depois de um início de Volta discreto, é altura para a formação azul e branca tomar conta das operações e surgir de forma decisiva na corrida. A equipa de Nuno Ribeiro sabe da valia da concorrência, pelo que não poderá relaxar em momento algum, e se os seus líderes estiverem em dia sim, é altura de colocar a carne no assador! Neste momento, é ainda uma incógnita o nível dos seus três líderes, no entanto, no dia de ontem, o inconformado Joni Brandão mostrou estar com pernas para atacar no final, pelo que deverá ser ele a aposta da equipa, ele que venceu a jornada da Torre no ano passado.

Note-se que o homem de Travanca é o melhor W52 na geral, no 4º posto, a 18 segundos do líder Rafael Reis e a apenas 5 do 2º lugar, que pertence a outro Efapel e possível líder virtual, Mauricio Moreira. Brandão quererá certamente arrecadar etapa e amarela neste local tão especial!

A principal rival da W52-Porto, pelo menos no que toca ao pelotão nacional, será certamente a Efapel, esta sim uma formação que esteve em destaque nos primeiros dias. Agora que chega a alta montanha, é crucial que a equipa canarinha continue a mostrar o seu valor, se pretende de facto roubar o trono do ciclismo nacional à W52. Será um dia para Frederico Figueiredo confirmar a boa forma trazida para Volta e para tentar melhorar o 2º posto da etapa da Torre de 2020. Mas será também dia para aferir a forma de António Carvalho e para saber onde chega Mauricio Moreira! Será o uruguaio capaz de sair da “Guerra da Torre” envergando o manto amarelo da vitória?

Refira-se que também a W52-Porto irá também tentar jogar com os seus números no final, pelo que Amaro Antunes e João Rodrigues serão dois óbvios candidatos a concretizar o trabalho da equipa.

Importa ter em conta que existe grande valor no contingente de equipas estrangeiras nesta Volta. A presença da Movistar, formação do World Tour, é incontornável e a formação espanhola quererá certamente mostrar a sua força neste dia, tentando levar Sergio Samitier a um grande resultado, um corredor que fechou o Giro 2020 na 13ª posição. Refira-se que a Movistar alinha nesta Volta com uma formação tendencialmente jovem, com vários ciclistas na busca de acumular experiência e outros que tentam encontrar as suas pernas no duro percurso da Grandíssima. De qualquer forma, a equipa tem mostrado que quer ser protagonista na prova maior do seu país vizinho e hoje será dia para deixar claro quem é a equipa de 1ª divisão neste campeonato!

Muitos ciclistas terão hoje um verdadeiro teste de fogo, que tirará as dúvidas sobre quem irá de facto lutar pela Volta. Nesse sentido, vem à mente o nome de Gustavo Veloso (Atum General/Tavira), ele que parece estar com ganas de fazer mais um grande resultado e que terá aqui o palco perfeito para demonstrar que “velhos são os trapos”.

Entre os melhores deverão estar também nomes como João Benta (Radio Popular Boavista), Jhojan Garcia (Caja Rural), Héctor Carretero (Movistar), José Félix Parra (Kern Pharma), Roniel Campos (Louletano), Keegan Swirbul e Ben King (Rally Cycling), Henrique Casimiro (Kelly/Simoldes/UDO), ou ainda Luís Fernandes e Daniel Freitas (Radio Popular Boavista).

Favoritos Ciclismo Mundial

⭐⭐⭐⭐⭐ Joni Brandão
⭐⭐⭐⭐ Frederico Figueiredo e António Carvalho
⭐⭐⭐ Amaro Antunes, João Rodrigues, e Sergio Samitier
⭐⭐ Mauricio Moreira, Gustavo Veloso, João Benta, e Jhojan Garcia
⭐ Héctor Carretero, José Félix Parra, Roniel Campos, Keegan Swirbul, Ben King, Henrique Casimiro, Luís Fernandes, e Daniel Freitas

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