Fuga, puncheurs ou geral, eis a questão do dia?

O irlandês Sam Bennett (Deceuninck – QuickStep) voltou ontem às vitórias, como seria de esperar, e agora viajará até Nice para terminar a prova e tentar garantir a camisola verde dos pontos entre alguns dias difíceis de montanha. Vencer mais uma verde não será impossível, mas será bastante complicado, já que se inicia hoje um conjunto de três etapas mais duras que tiram os sprinters da corrida.

Perfil

Perfil da Etapa 6

Hoje é típico dia do Paris – Nice que tanto dá para os puncheurs brilharem, como os fugitivos terem a sua hipótese ou então os homens da geral começarem a fazer diferenças extras para os dias de montanha mais agressivos e exigentes.

Com 202.4km, 5 contagens categorizadas de montanha, 2 de 3ª categoria, 2 de 2ª categoria e 1 de 1ª categoria, o dia tem tudo para ser de espetáculo. A etapa oferece um total de desnível positivo de 3.181 metros de altitude. Em 2014 tivemos uma etapa muito idêntica, com final em Biot, quando Rui Costa, com as cores de campeão mundial, foi 2º classificado na etapa e cimentou a 2ª posição do pódio. Tom-Jelte Slagter foi o vencedor de etapa, num sprint entre um pequeno conjunto de 30 corredores.

Favoritos

Hoje temos um belo menu no Paris Nice. Uma etapa que pode dar para tantas possibilidades de chegada que torna difícil a previsão. Os últimos dois quilómetros têm uma ligeira inclinação, com 1.9km a 5.1% que poderá dar para algum ataque de última hora ou complicar o sprint reduzido.

Mesmo com todos os cenários possíveis, Primoz Roglic parece estar uns furos acima de toda a concorrência. A subida é uma cópia de Sueances, na Vuelta, onde Roglic já venceu e onde pudemos testemunhar o quão bom finalizador ele é. Certamente o esloveno quererá ir para o fim de semana confortável, aumentado a sua vantagem.

No entanto, Michael Matthews é outro forte nome à apontar. O australiano está bastante bem e não fosse a existência de Lucas Hamilton na equipa teria todo o bloco da BikeExchange a trabalhar o dia todo para ele ficar bem colocado para a vitória. Numa chegada em grupo com favoritos, Matthews é sem dúvida o principal candidato! Em 2014, Matthews ficou fora do top10 no final em Biot, mas são outros tempos, Matthews evoluiu e está hoje um melhor ciclista do que estava à 7 anos atrás.

Maximilian Schachmann é quem quer mostrar o porquê de estar com o dorsal #1. O alemão venceu em 2020, depois de uma bela etapa inicial, e acabou por aproveitar a situação pandémica para vencer a prova francesa que não teve a última etapa a realizar-se, com a já habitual chegada a Nice. A equipa é fraca para o apoiar, contando apenas com Felix Grossschartner com capacidade na montanha, mas o alemão sabe trabalhar sozinho.

Hoje é dia de Matteo Jorgenson mostrar o que vale, e se a Movistar tem apostado nele, hoje é dia do americano retribuir estando na discussão da etapa. Ele é um trepador explosivo, e a etapa de hoje é para isso. A subida da etapa 4 foi talvez longa demais para ele, mas hoje não há desculpas. Outro grande enigma é Magnus Cort. Talvez seja dificil demais para ele, mas as montanhas são ainda cedo na etapa, e o dinamarquês poderá ter equipa para o ajudar a ultrapassar as principais dificuldades.

David Gaudu está em grande forma, e hoje pode tentar arrancar uns segundos a Roglic. Claro que ele sabe da dificuldade, e sabe também que a etapa não é assim tão dificil para as suas características, mas o 7º lugar obtido na passada quarta, deixou claro que o francês vai lutar pela geral. Outro nome a apontar para a disputa é Pierre Latour. O francês surpreendeu o público estando já num grande momento de forma nesta altura, mas de facto provou que está bem, e a sua ponta final pode dar-lhe a vitória no dia de hoje. Por último, e não só por ser português, Rui Costa merece o destaque. Não é o Rui que nos habitou durante anos, tendo agora um papel diferente na equipa. McNulty sabe viver sozinho, numa equipa que já habitou os espectadores que é “um por um e um por um”, por isso, não será pela não existência do apoio do Rui que não fará o seu papel de defender a liderança da juventude. Posto isto, Rui Costa afirmou estar interessado em vencer uma etapa e que iria ter essa liberdade. Se há dia para ele, é hoje. A etapa não é muito dura, uma chegada a subir, mas não explosiva, o que pode dar bom resultado para o nosso Campeão Nacional. Tanto numa fuga com sucesso, quer num grupo restrito de candidatos à geral, Rui Costa poderá tentar a sua sorte. Não será uma surpresa a sua vitória e cá estaremos para celebrar se assim for.

Por ultimo atenção a corredores como Jonathan Hivert, Quentin Pacher, Omar Fraile, Luis Leon Sanchez e claro, Tiesj Benoot. Thomas de Gendt ou Remi Cavagna são nomes a considerar para um ataque a 20 ou 30km do fim.

Favoritos Ciclismo Mundial

⭐⭐⭐⭐⭐ Primoz Roglic
⭐⭐⭐⭐ Michael Matthews e Maximilian Schachmann
⭐⭐⭐ Matteo Jorgenson, Magnus Cort, David Gaudu, Pierre Latour e Rui Costa
⭐⭐ Omar Fraile, Luis Leon Sanchez, Tiesj Benoot. Thomas de Gendt e Remi Cavagna
⭐ Dylan Teuns, Philippe Gilbert, Alexey Lutsenko, Jonathan Hivert, Quentin Pacher e Ben Switf

Presença Portuguesa

Em prova estarão dois portugueses: Rui Costa (153) e Rui Oliveira (156), em representação da UAE Team Emirates.

Transmissão e Horas de Partida

A Eurosport1 terá transmissão a partir das 13h30.

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