Etapa rainha dos Apeninos promete espetáculo!

A 9ª etapa do Giro d’Italia traz-nos mais um teste montanhoso às pernas dos favoritos, o mais difícil até agora disputado na competição, naquela que será a jornada rainha dos Apeninos! Não se tratando ainda dos grandes desafios de alta montanha que aguardam os competidores nas próximas semanas, trata-se de um dia bastante difícil e com um final bem complicado, íngreme e sem asfalto!

Perante os ciclistas, perfila-se um percurso de 158 km, entre Castel di Sangro e Campo Felice (Rocca di Cambio), numa jornada que apresenta duas contagens de 2ª categoria e uma de 3ª, antes da subida final. A ascensão para Rocca di Cambio constitui uma contagem de 1ª categoria, com apenas 5.7 km de extensão e 5.8 % de inclinação média, mas que terá um km final bastante duro, com zonas a 14% e piso em gravilha, que promete bastante espetáculo se um pequeno grupo vier a discutir a etapa neste final!

Perfil da 9ª etapa da Volta a Itália

Favoritos

Num Giro onde as fugas têm imperado, é difícil de apostar contra elas, ainda para mais numa jornada de média/alta montanha, onde vão haver muitos interessados em estar na frente, não sendo garantido que a Groupama-FDJ, a Ineos Grenadiers ou outra equipa da geral vá estar disposta a controlar durante toda a jornada. É preciso ter em conta que podemos voltar a ter um cenário como ontem, quando as tentativas de fuga foram tantas que o pelotão, e em especial a Ineos, controlaram bem de perto a dimensão e constituição da fuga, até que finalmente o grupo certo teve permissão para sair, com folga suficiente para levar a etapa.

Mas nesta jornada, a situação poderá ser diferente, sendo que a vantagem da fuga e a possibilidade desta triunfar ou não irão depender de vários fatores. Por um lado, se houver homens na fuga que coloquem a camisola rosa de Attila Valter em perigo, a Groupama-FDJ irá com certeza manter a margem sobre controlo. Se a fuga não ameaçar a rosa, a equipa francesa veria com bons olhos que a movimentação triunfasse e que a chegada do pelotão fosse o mais tranquila possível. Neste jogo de margens, muitas outras equipas poderão entrar, seja com interesse à geral, seja com interesse à etapa.

Pesando bem todos os fatores, e tendo em conta que esta será uma etapa em que muitos homens da geral quererão tentar ganhar tempo aos rivais, o pelotão deverá desta feita manter as operações sobre controlo, deixando a decisão da etapa para a última subida e para os principais galos. Tratando-se da última etapa antes do primeiro dia de descanso, esta pode ser uma jornada que muitas equipas tenham debaixo de olho para tentar atacar a corrida. Assim, apesar da balança poder muito facilmente pender para a fuga, vamos colocar as nossas fichas do lado do pelotão para esta tirada.

Do que foi possível aferir até ao momento, em termos de forma dos favoritos na montanha, alguns corredores parecem estar um patamar acima da concorrência, com Egan Bernal à cabeça. O colombiano da Ineos dispõe de um dos blocos mais sólidos do pelotão, que tem assumido a corrida em diversas ocasiões, cenário que deverá ser o mesmo na etapa de hoje. Se assim se proporcionar, Bernal tentará certamente fazer a diferença antes do último km, de modo a não ser surpreendido por algum bom puncheur sobre a meta, em especial neste tipo de final.

Em particular, olhando às inclinações, este é um final ao jeito de Dan Martin (Israel Start-Up Nation), que tem estado em bom plano, e será possivelmente o maior favorito, se um grupo reduzido discutir a vitória já perto do final.

Na discussão da etapa e de segundos na geral, estará certamente Remco Evenepoel, ele que estará com ganas de atacar a camisola rosa, ainda nos ombros de Attila Valter (Groupama-FDJ), com o jovem húngaro com 11 segundos de avanço sobre o belga e 16 sobre Bernal.

O ataque à rosa será, por esta altura, um objetivo do jovem prodígio da Deceuninck Quick-Step, sendo que no caso de Bernal e da Ineos, poderá não haver um interesse assim tão grande. Se for possível ganhar tempo à concorrência, a equipa britânica não se fará rogada de levar a rosa, no entanto, não deverá atacar a corrida no final apenas com esse objetivo, podendo deixar a liderança e a responsabilidade de controlar o pelotão para outra formação.

Na luta pela etapa, deverão estar os restantes homens da geral, como Giulio Ciccone, João Almeida, Aleksandr Vlasov, Simon Yates, Hugh Carthy, Davide Formolo, Damiano Caruso, ou Marc Soler.

Note-se que, no caso de João Almeida, trata-se de um final que não favorece totalmente o português perante a concorrência presente nesta prova. Além disso, perante o cenário atual de corrida, é possível vermos o Canibal das Caldas a trabalhar para o Canibal em formação, Remco Evenepoel, como já o fez neste Giro. Ainda assim, Almeida dá sinais de estar em bom momento de forma, sendo que depois de ter tido um dia mau na primeira etapa de montanha, pode estar claramente a caminhar para as melhores sensações. Não é de todo de descartar que a Deceuninck tente mexer na corrida com o português, obrigando as outras equipas a perseguirem. Note-se que Almeida ocupa o 25º posto, a 4:49, pelo que um ataque de longe não pode ser menosprezado pelo pelotão.

No caso de Ruben Guerreiro, que tanto tentou estar na fuga no dia de ontem, terminando a jornada a trabalhar para a equipa, este será mais um dia onde poderá tentar estar na fuga, sendo que se tal não acontecer, é previsível que volte a estar perto do seu líder na EF Education-Nippo, Hugh Carthy. De qualquer das formas, o português será um favorito se conseguir estar na fuga, com o mesmo a poder dizer-se de Diego Ulissi, Bauke Mollema, George Bennett, Gino Mäder, ou Felix Grossschartner.

Uma palavra para Nelson Oliveira, da Movistar, que tem sido um verdadeiro lutador neste Giro, com trabalhos fantásticos nas fugas e também no pelotão, em prol da sua equipa. Nesta jornada, e despois do desgaste de ontem, o papel da locomotiva da Anadia deverá ser de apoio total a Marc Soler.

Favoritos Ciclismo Mundial

⭐⭐⭐⭐⭐ Egan Bernal
⭐⭐⭐⭐ Dan Martin e Remco Evenepoel
⭐⭐⭐ Giulio Ciccone, João Almeida, e Aleksandr Vlasov
⭐⭐ Simon Yates, Hugh Carthy, Davide Formolo, Damiano Caruso, e Marc Soler
⭐ Ruben Guerreiro, Diego Ulissi, Bauke Mollema, George Bennett, Gino Mäder, e Felix Grossschartner.

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