Escrevendo a história!

Páginas douradas da história do ciclismo nacional têm sido escritas por estes dias, o que nos faz interrogar o que poderá estar ainda por vir. Irá João Almeida vencer o Giro, completando o maior feito do ciclismo português e um dos maiores do desporto luso? Mesmo que não o consiga, mesmo que tenha um dia verdadeiramente mau (o que parece pouco provável), o que João Almeida fez é já difícil de enquadrar em termos de grandes feitos de atletas nacionais, quanto mais se fizer um pódio, se ganhar a juventude, ou se ganhar a prova.

E Ruben Guerreiro? Nesta edição do Giro, tornou-se no segundo português a vencer uma etapa na prova, o que só por si já é um feito de grande montra. Agora, com duas etapas de montanha para o final da prova, tem a camisola azul praticamente ganha, representativa do melhor trepador da prova, ainda para mais com a desistência de Giovanni Visconti antes da etapa de hoje! Guerreiro possui 198 pontos, tendo 116 de vantagem sobre Thomas de Gendt (Lotto Soudal). Nesta etapa há 148 pontos em disputa e na etapa de sábado haverá 98. A presença do Guerreiro de Gelo na fuga pode garantir já hoje a classificação da montanha! Recorde-se que nenhum lusitano alguma vez venceu uma classificação individual de uma grande volta. Neste Giro, podem ser logo três!

Hoje, na etapa rainha da prova italiana, Guerreiro irá sair de azul e Almeida de rosa, pelo 15º dia consecutivo, numa demonstração mundial superlativa do talento velocipédico nacional! Refira-se que o ciclista de 22 anos das Caldas da Rainha é 1º, com 17 segundos de vantagem sobre Wilco Kelderman e 2:58 sobre Jai Hindley, ambos da Team Sunweb.

A 18ª etapa apresenta 207 km numa ligação entre Pinzolo e Laghi di Cancano, no Parque Nacional do Stelvio. Serão 4 contagens de montanha: uma 2ª categoria que põe os ciclistas a subir desde o km 0, seguindo-se uma 1ª categoria e depois uma categoria especial, o mítico Passo do Stelvio (24.8 km a 7.4%). O Stelvio representa a Cima Coppi, o ponto mais alto ultrapassado pelos ciclistas nesta edição do Giro. Note-se que na abordagem ao Stelvio, os ciclistas já irão em subida, perfazendo um total de praticamente 70 km sempre a subir! Após o Stelvio, os corredores descem durante 20 km para depois abordar a 1ª categoria final, Torri di Fraele (9 km a 6.8%), cujo topo estará colocado antes de uma descida de 2 km até à meta.

Perfil da 18ª etapa da Volta a Itália

Se na 17ª etapa existia a possibilidade de uma fuga resultar, esse cenário diminui de probabilidade para esta jornada. Trata-se da penúltima jornada de montanha e quem quiser mexer na geral não pode esperar por sábado, até porque já se sabe que o percurso desse dia irá ser alterado, devido à impossibilidade de entrada da caravana em território francês, o que significa que a subida do Izoard não será ultrapassada.

A Sunweb tem obrigatoriamente que assumir a corrida se a quiser ainda vencer, assim como muitas equipas que quererão ver os seus líderes mais bem colocados na geral: a INEOS, a BORA, a Trek, a Astana, ou a Bahrain. A própria Deceuninck poderá tentar levar o ritmo alto, no entanto, perante a importância da jornada, deverá tentar poupar ao máximo todos os ciclistas na ajuda e proteção ao João Almeida.

Muito possivelmente teremos um cenário semelhante ao de domingo, com a dupla da Sunweb a tentar fazer descolar o Canibal das Caldas preferencialmente na subida do Stelvio ou então na ascensão final. O único homem que mostrou ser capaz de subir igual ou melhor que esse trio é o britânico Tao Geoghegan Hart, da INEOS Grenadiers. A possibilidade de Hart voltar a vencer existe claramente, uma vez que num cenário de grupo muito reduzido no final, ele não só terá vantagem no confronto direto como poderá usar a seu favor o jogo tático entre Almeida e Kelderman pela vitória no Giro.

Neste momento tão precioso para o ciclismo e para o desporto nacional, não queremos ser demasiado otimistas nem derrotistas à partida. Na etapa de ontem, ficou mais uma vez patente que João Almeida tem força para seguir os Sunweb. Quando Hindley e Kelderman mexeram, Almeida seguiu de pronto, e os dois Sunweb desistiram de voltar a tentar, ou por acharem que aquela não seria a altura certa para continuar a despender energias ou por pura incapacidade. De qualquer forma, à partida não podemos dizer que o português irá descolar e se a Sunweb tentar insistentemente e se mesmo assim Almeida se for mantendo, não se pode descartar um ataque do português no final, ele que já mostrou que não pede licença se cheirar sangue! Uma vitória de rosa nesta etapa seria sem dúvida um dos grandes momentos da história desportiva nacional, mas também do próprio Giro, ao nível de performances míticas dos grandes deuses do pedal.

Wilco Kelderman irá tentar tudo para deixar João Almeida para trás, pelo que a vitória de etapa será sempre uma forte possibilidade, assim como do seu braço direito, Jai Hindley, embora no caso do australiano ele tenha de dar tudo no endurecimento da corrida. Hindley já mostrou que é possivelmente o melhor trepador deste Giro, resta saber se a sua forma será suficiente para levar Kelderman até ao final e ainda rematar com a vitória de etapa.

Na lista de favoritos a esta etapa seguem-se os restantes membros do top 10, na sua maioria ciclistas consagrados que tentam fechar a prova com uma nota de destaque, seja uma etapa ou um pódio final. A Trek irá certamente trabalhar para o ataque de Nibali, que deverá ser no Stelvio, na tentativa de usar a descida que se segue para aumentar diferenças para os rivais.

Também ao ataque deverão estar os homens da BORA, Rafal Majka e Patrick Konrad, assim como Domenico Pozzovivo, Pello Bilbao, e Jakob Fuglsang, embora não seja previsível que o dinamarquês volte finalmente aos bons momentos.

Claro que a possibilidade de uma fuga resultar é também bastante forte. Estamos na parte final de uma volta de 3 semanas, o que torna as forças dos ciclistas mais justas. Se o grupo da frente for muito forte, não haverá capacidade para uma Sunweb ou outra qualquer equipa perseguir e depois ainda forçar andamentos nas subidas.

No caso de a fuga resultar, o que é um cenário também bastante possível uma vez que muitas equipas vão colocar homens na frente, incluindo as equipas da geral tendo em vista os líderes terem apoios na estrada na parte final da jornada, porque não acreditar que possa ser ainda mais um dia de glória para Portugal, com outra vitória de etapa para Ruben Guerreiro? O Iceman de Pegões sabe que tem a camisola da montanha praticamente ganha mas pode querer estar na frente para garantir já hoje e deverá mesmo fazê-lo se Thomas de Gendt integrar a fuga. Recorde-se que Guerreiro possui 198 pontos agora contra os 82 do belga!

Favoritos Ciclismo Mundial

⭐⭐⭐⭐⭐ Tao Geoghegan Hart
⭐⭐⭐⭐ João Almeida e Wilco Kelderman
⭐⭐⭐ Jai Hindley, Vincenzo Nibali, e Rafal Majka
⭐⭐ Domenico Pozzovivo, Jakob Fuglsang, Patrick Konrad, e Pello Bilbao
⭐ Ruben Guerreiro, Thomas de Gendt, Ben O’Connor, Ilnur Zakarin, Matteo Fabbro, Victor de la Parte, Antonio Pedrero

Podes acompanhar a etapa em direto na Eurosport!

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