De Panne: Uma batalha de sprinters no meio de paralelepípedos!

As clássicas na Bélgica continuam esta semana e têm o seu início com a Oxyclean Classic Brugge – De Panne, uma corrida que ao longo dos últimos tempos tem mudado muito de figura, e que tem uma história até engraçada entre todos os formatos que já teve. Inicialmente, em 1977, a De Panne começou por ser uma corrida do escalão 2.1 com 4 etapas distribuídas por 3 dias, sendo que uma delas era um contrarrelógio que se fazia no mesmo dia que uma etapa em linha mais curta. Em 1990, a corrida passou para o escalão 2.2, mas manteve o seu formato que vigorou durante bastante tempo. Em 2005 a corrida subiu para o escalão 2.HC, que é o equivalente ao escalão ProSeries atual, e em 2018 deu-se uma alteração relevante, com a renovação do formato da corrida para uma prova de apenas 1 dia, que se colocou no escalão 1.HC. Se inicialmente a prova era focada em ciclistas que eram completos mas tinham a sua maior força nos paralelepípedos, e assim foi durante bastante tempo, em 2018 deu-se uma transição que viu os sprinters ganharem força, num percurso em que apesar de ter paralelepípedos presentes, não tinha a força suficiente para ser diferenciador e eliminar alguns dos principais sprinters. Em 2019 a corrida subiu ao escalão World Tour, no qual permanece 2 anos depois, mas teve em 2020 uma corrida com um perfil um pouco diferente daquele que se correu em 2018 e 2019, e com o vento presente, os ataques aconteceram naturalmente e o pelotão partiu-se sem dificuldade em diversos bocados, com o belga Yves Lampaert (Deceuninck – QuickStep) a bater a concorrência chegando isolado à meta em De Panne.

Perfil

Este ano, e apesar do vento estar presente, não se espera uma corrida tão dura como em 2020, e os homens rápidos presentes deverão voltar a ter oportunidade de discutir a corrida e a vitória final. O percurso apresenta ao pelotão 203.9km, num perfil que é praticamente plano, mas que apresenta um pouco de relevo na zona da meta, que no entanto não deverá ser significativa. Os ciclistas sairão de Brugge, onde será dado o tiro de partida, e ao km 51.5 entrarão no circuito local de De Panne. Ao km 68.5, será cruzada a primeira vez a meta, e o pelotão completará 3 voltas ao circuito de 45.1km ao redor da região.

Perfil da Oxyclean Classic Brugge – De Panne

Favoritos

A Deceuninck – QuickStep levou a corrida de vencida em 2020, e este ano voltam a ser os maiores favoritos com Sam Bennett a alinhar como o chefe de fila do conjunto belga, que não traz Yves Lampaert, vencedor no ano passado. O irlandês tem estado on fire esta temporada, e já ergueu os braços por 4 vezes, tendo conquistado 2 vitórias no UAE Tour e 2 outras no Paris – Nice. Caso a corrida possa partir, por alguma eventualidade, o francês Florian Senechal será o maior candidato do conjunto belga a acompanhar os primeiros grupos e a lutar pela vitória.

Como principais adversários estarão o francês Arnaud Demare (Groupama – FDJ), que mesmo não tendo começado da melhor forma a temporada, costuma dar-se bem neste tipo de corridas, e pode uma vez mais tentar chegar aqui ao pódio e até à vitória. Uma das nossas apostas de hoje vai para o holandês David Dekker (Jumbo – Visma), ele que foi uma das grandes revelações do último UAE Tour, e que levou para casa a classificação da regularidade na prova dos Emirados. Dekker não deverá ter dificuldades num dia como o de hoje, e caso o vento se faça sentir de forma importante, deverá também ter capacidade para estar com os melhores.

Numa outra linha destacamos Elia Viviani (Cofidis), ele que venceu em 2018 e esteve no pódio em 2019, na altura em que estava ao serviço da Deceuninck – QuickStep, e ainda Pascal Ackermann (Bora – Hansgrohe), Fernando Gaviria (UAE Team Emirates) e Jasper Philipsen (Alpecin – Fenix), que também subiram ao pódio nas edições de 2018 ou de 2019. Nenhum deles teve um início de temporada fácil, com os problemas de saúde de Viviani e ausência de resultados de topo de Ackermann e Gaviria a serem bastante notados na estrada, e Philipsen ainda não estando completamente entrosado com a nova equipa, sentindo talvez a ausência dos irmãos Oliveira para o posicionarem no final das etapas.

Giacomo Nizzolo (Qhubeka – Assos) e Cees Bol (Team DSM) já venceram em 2021, mas têm sido bastante irregulares, porém, o italiano está a adaptar-se cada vez melhor a corridas com pequenas colinas e paralelepípedos, enquanto o holandês gosta de pedalar neste tipo de terrenos, como o prova a vitória na Nokere Koerse de 2019. Tanto um como outro são nomes a ter debaixo de olho e a vitória poderá aparecer também para qualquer um dos dois.

Nacer Bouhanni (Arkea – Samsic), Sonny Colbrelli (Bahrain Victorious), Timothy Dupont (Bingoal WB), Kristoffer Halvorsen (Uno-X Pro Cycling Team) e Edward Theuns (Trek – Segafredo) deverão também estar na conta, e todos eles já obtiveram resultados muito interessantes em 2021, mas para o dia de hoje um lugar entre os 10 primeiros já deverá ser um resultado bem conseguido, perante a qualidade de todos os presentes.

Favoritos Ciclismo Mundial

⭐⭐⭐⭐⭐ Sam Bennett
⭐⭐⭐⭐ Arnaud Demare e David Dekker
⭐⭐⭐ Elia Viviani, Pascal Ackermann e Fernando Gaviria
⭐⭐ Jasper Philipsen, Giacomo Nizzolo, Cees Bol e Nacer Bouhanni
⭐ Sonny Colbrelli, Timothy Dupont, Kristoffer Halvorsen, Edward Theuns e Florian Senechal

Presença Portuguesa

Rui Oliveira, com o dorsal 46, é o único português presente, e estará ao serviço do líder da UAE Team Emirates, o colombiano Fernando Gaviria.

Transmissão em Direto

Podes acompanhar a corrida em direto na Eurosport 2, a partir das 14h.

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