Circuito em solo esloveno promete animar 15ª etapa!

Depois de uma vitória histórica para a Eolo-Kometa e de mais uma demonstração de força de Egan Bernal, a prova italiana prossegue com a realização da 15ª etapa, um périplo de 147 km, com partida em Grado e chegada na localidade fronteiriça de Gorizia/Gorica, entre a Itália e a Eslovénia. As principais atrações da jornada encontram-se, de resto, em solo esloveno, com um circuito que implica três incursões ao país vizinho do Giro, com três passagens pela subida de Gornje Cerovo, cada uma delas representando uma contagem de 4ª categoria, com 2.2 km a 6.9% e pendentes máximas na ordem dos 15%.

Depois destas três subidas em solo esloveno, a corrida cruza a fronteira para Itália por breves instantes, antes de voltar a entrar na Eslovénia, onde o pelotão irá encontrar uma curta ascensão, que irá distar 3 km da meta, com apenas 1 km de extensão e 5.9% de pendente, mas que terá zonas a 14% perto do topo. Já dentro dos 2 km finais, a corrida volta a entrar em solo italiano, sendo que no km final os corredores encontram um troço de 500m de empedrado que antecede a derradeira curva no acesso aos 300m finais.

Perfil da 15ª etapa da Volta a Itália

Num Giro que tem sido profícuo em termos de vitórias de fugas, esta é uma jornada que tem tudo para voltar a terminar com o triunfo dos corajosos do dia. A grande maioria das equipas vão querer estar presentes na frente, o que pode causar a formação de um grupo bem forte, e se ninguém muito relevante estiver na fuga, dificilmente a Ineos ou outra equipa da geral (como a Astana) irão gastar energias a perseguir durante todo o dia.

A equipa-chave para esta tirada, como é habitual quando fazem alinhar Peter Sagan, é a BORA-hansgrohe. A equipa alemã seria a única com um interesse real em perseguir a fuga durante todo o dia, no entanto, dificilmente irá gastar todas as baterias, com risco de esgotar o apoio a Emanuel Buchmann para as próximas jornadas. No caso de termos uma corrida caótica, com a fuga apenas a formar-se já dentro dos 90 ou 80 km finais, talvez aí sim tenhamos a BORA a perseguir, mas mesmo nesse cenário não irá colocar toda a carne no assador se não tiver auxílio de mais nenhuma equipa.

O melhor cenário para a BORA deverá ser o de apostar em colocar Peter Sagan na fuga do dia, onde será sempre o principal favorito à vitória. O eslovaco está na luta pela maglia ciclamino, sendo que realisticamente apenas sobra esta e também a etapa 18, como jornadas onde os velocistas podem pontuar. Sagan sabe que não terá facilidade em bater a concorrência num sprint puro, mas também sabe que hoje dificilmente um dos outos sprinters de topo lhe dará luta, especialmente no contexto de uma fuga. Esta é a etapa-chave para Sagan poder juntar mais uma classificação por pontos ao seu extenso palmarés. Enquanto terminamos esta análise, deparamo-nos com a notícia do abandono de Giacomo Nizzolo (2º na classificação dos pontos), pelo que a pressão de Sagan em fazer um resultado de topo hoje já não é tão elevada. Ainda assim, com um total de 135 pontos, contra os 113 de Davide Cimolai e 110 de Fernando Gaviria, uma vitória ou um resultado entre os melhores para Sagan nesta etapa garante uma margem confortável, mesmo um dos seus adversários triunfe na etapa 18.

Esta será uma jornada com uma grande panóplia de resultados possíveis: uma fuga pode escapar cedo e discutir a vitória tranquilamente, mas pode também acontecer a fuga demorar muito tempo a formar-se, e depois se verá se alguém persegue ou se há alguns ataques tardios, eventualmente até de alguém relevante na geral.

À imagem de Sagan, uma grande variedade de corredores rápidos surge como forte candidato a integrar a fuga e triunfar a partir da mesma, sendo que serão homens muito perigosos também para uma chegada em pelotão (mais ou menos) compacto. Embora nenhum tenha velocidade para bater Sagan, importa referir os nomes Andrea Vendrame, Alessandro Covi, Patrick Bevin, Gianni Vermeersch, Fabio Felline, Nikias Arndt, Filippo Fiorelli, Francesco Gavazzi, e o próprio Mikkel Honoré.

Covi e Bevin têm nas fileiras das suas equipas ciclistas que podem muito bem ser grandes candidatos a bater Sagan, seja na fuga, seja no pelotão, e que têm de ser incluídos entre os favoritos, restando saber como irão cada um eles responder às dificuldades da jornada. Falamos, claro, de Fernando Gaviria e de Davide Cimolai, eles que possuem 110 e 113 pontos, respetivamente, pelo que estarão bem alerta para esta etapa e para a possibilidade de se intrometerem na luta dos dois primeiros. Note-se que é possível vermos os três primeiros da classificação por pontos presentes na fuga, numa fascinante luta direta pela maglia ciclamino.

O lote de candidatos a triunfar a partir da fuga é, naturalmente, bem extenso, sendo possível de referir desde logo Ruben Guerreiro, ele que pode ser o representante lusitano na fuga de hoje, depois da extraordinária exibição de Nelson Oliveira na etapa de ontem. Depois do grande esforço do homem da Movistar no Zoncolan, é difícil de imaginá-lo a regressar já hoje à fuga, mas também não o podemos descartar em completo.

Refiram-se depois Quinten Hermans, Jan Tratnik, Alberto Bettiol, Remi Cavagna, Thomas de Gendt

Iremos ainda incluir Elia Viviani na lista de favoritos, embora seja mais difícil de o imaginar na fuga. Além disso, com apenas 86 pontos para a maglia ciclamino é praticamente impossível ameaçar a posição de Sagan. De qualquer forma, o italiano da Cofidis tem estado em bom plano nas subidas, pelo que este poderá ser um dia interessante para ele.

Favoritos Ciclismo Mundial:

⭐⭐⭐⭐⭐ Peter Sagan

⭐⭐⭐⭐ Andrea Vendrame e Alessandro Covi

⭐⭐⭐ Patrick Bevin, Gianni Vermeersch, e Fabio Felline

⭐⭐ Nikias Arndt, Filippo Fiorelli, Francesco Gavazzi, e Mikkel Honoré

⭐ Fernando Gaviria, Davide Cimolai, Giacomo Nizzolo, Ruben Guerreiro, Quinten Hermans, Jan Tratnik, Alberto Bettiol, Remi Cavagna, Thomas de Gendt, Elia Viviani

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