Bota lume que é hoje, João!

Hoje atingimos o 20º e penúltimo dia de prova de uma das mais míticas e importantes competições velocipédicas do planeta, a Volta a Itália, naquela que será a última etapa de montanha, e que irá anteceder o decisivo contrarrelógio de Milão.

Apesar da jornada começar e terminar nos Alpes Italianos, boa parte dos 164 km de etapa será disputada em solo suíço. O pelotão irá partir de Verbania, seguindo para Norte, rumo à fronteira suíça. No país vizinho, os ciclistas terão alguns km em plano antes de abordarem a subida colossal de Passo San Bernardino, uma ascensão de 1ª categoria, com 23 km a 6.3%. Segue-se uma descida que leva os ciclistas até à base da subida de Splügenpass/Passo della Spluga, mais uma montanha de 1ª categoria, esta com 8.9 km a 7.3%. No topo desta subida, o pelotão cruza a fronteira, entrando novamente em território italiano e descendo durante quase 20 km, em direção ao início da última contagem de montanha da Volta a Itália, mais uma de 1ª categoria. A ascensão para Alpe Motta representa um desafio de 8.1 km, com 7.8% de pendente média, com zonas que irão atingir os 13%. Note-se que esta subida final terá uma pequeno planalto a meio, e que os 400 m finais serão também bastante suaves.

O perfil da 20ª etapa da Volta a Itália
A subida final para Alpe Motta

Os favoritos

Já deu para perceber quem são os três homens mais fortes na montanha nesta fase do Giro: Simon Yates, João Almeida, e Egan Bernal. Neste momento, é difícil de imaginar que a vitória nesta jornada caia para outro nome que não um destes três. Na etapa de ontem, apontámos para o português como grande favorito e para Simon Yates como principal adversário, e isso confirmou-se, com uma luta a dois que apenas por 11 segundos não caiu para o lado do ciclista da Deceuninck Quick-Step. Na etapa de hoje, a subida final assenta muito bem ao luso, mais do que a de ontem, essa mais ao jeito do britânico.

Assim, é impossível apontar para outro nome que não João Almeida como principal candidato para triunfar neste dia tão importante. O português tem estado a um nível simplesmente estratosférico, sendo que nas últimas duas etapas de montanha foi 1º e 2º do grupo de favoritos, batendo em ambas as ocasiões o camisola rosa, Egan Bernal, que todos tinham como intocável durante boa parte do Giro.

O nosso bravo lusitano ocupa nesta altura o 8º posto da geral, a 8:26 de Bernal, mas está a apenas 44 segundos de Dani Martinez, a 54 de Romain Bardet, a 1:16 de Hugh Carthy, e a 2:15 de Vlasov, o 4º da tabela. Perante o nível demonstrado pelos ciclistas, não é de excluir que Almeida possa hoje passar Martinez e Bardet, aproximando-se ainda de Carthy e mesmo de Vlasov. Recorde-se que, no contrarrelógio de Milão, o português representa um verdadeiro perigo à solta, podendo ganhar tempo considerável a qualquer rival.

Assim, perante uma subida final relativamente curta, e que apresenta fases planas intercaladas com zonas bem íngremes, todos os ingredientes parecem estar reunidos para o Canibal das Caldas finalmente caçar a sua etapa. Não quer isto dizer que o homem de A dos Francos não ataque antes da última subida, nomeadamente na penúltima montanha, onde diferenças consideráveis podem ser feitas e depois capitalizadas na ascensão final.

Pensamento semelhante terá o segundo grande favorito para esta etapa, Simon Yates, que irá fazer tudo para tentar ganhar o máximo de tempo a Bernal. O britânico é 3º na CG, a 2:49 do colombiano, e saberá que será complicado recuperar assim tanto tempo, até porque, nas últimas etapas, apesar de Bernal ter passado algumas dificuldades, deu sempre a ideia que dificilmente perderia mais que alguns segundos para Yates. No entanto, ao contrário das últimas etapas de montanha, desta vez haverá uma sequência de três subidas bem duras, sem zonas em plano, o que mudar o figurino da etapa e revelar o verdadeiro estado de forma de todos os corredores. Para o britânico poder realmente ameaçar a rosa de Bernal, não poderá atacar apenas na última subida, pelo que está garantido um dia recheado de espetáculo e emoção nesta reta final de Giro.

Perante a força que a Ineos e que o seu líder ainda vão demonstrando nesta fase do Giro, não se pode colocar de parte que Egan Bernal volte a colocar toda a concorrência contra a espada e a parede, garantindo a terceira vitória em etapa, e sentenciando o destino do Troféu Sem Fim. Na etapa de ontem, o colombiano mostrou que não está completamente vazio de forças, atacando, perseguindo, e lutando de uma forma bem mais desenvolta do que na etapa de Sega di Ala. Se o antigo campeão do Tour estiver de volta às suas boas sensações e aguentar quando os seus rivais atacarem de longe, poderá no final servir um prato bem frio de vingança a Yates, Almeida, e companhia.

De seguida, uma palavra para Damiano Caruso, que tem sido provavelmente a grande sensação na luta pela geral. À partida, o italiano da Bahrain-Victorious era apenas o 3º na hierarquia da equipa, atrás de Mikel Landa e de Pello Bilbao. No entanto, depois do abandono de Landa, Caruso assumiu com confiança e qualidade a sua posição vantajosa na geral, fazendo uso da sua experiência e de um nível de forma superlativo para ocupar nesta altura o 2º posto da geral, a 2:29 de Bernal. Na etapa de ontem, o italiano cedeu alguns segundos para o colombiano, algo que não tinha acontecido em Sega di Ala, pelo que a tendência será para Caruso manter o 2º posto, ou eventualmente descer para o 3º, se Yates conseguir voltar a ganhar tempo a toda a concorrência.

Entre os melhores deverão estar também Aleksandr Vlasov, Dan Martin, Hugh Carthy, George Bennett, Romain Bardet, e ainda Daniel Martinez, embora no caso do colombiano dificilmente haja margem para tentar a vitória na etapa, sendo que terá de concentrar todos os seus esforços no auxílio a Bernal.

Não podemos excluir por completo a possibilidade de termos uma fuga novamente a triunfar neste Giro. Entre os principais candidatos a vencer dessa forma, destaque-se desde logo o já referido George Bennett, ele que ocupa o 11º lugar da geral, mas já a 21:30 de Bernal. Além do campeão neozelandês, refiram-se nomes como Antonio Pedrero, Koen Bouwman, Vincenzo Nibali, Jan Hirt, Lorenzo Fortunato, Davide Formolo, Bauke Mollema, e ainda Geoffrey Bouchard, ele que lidera a classificação das montanhas, com 180 pontos, contra os 121 de Bernal, e que quererá certamente garantir que será ele o sucessor de Ruben Guerreiro como rei dos trepadores no Giro d’Italia!

Iremos incluir ainda o nome de Nelson Oliveira, ele que tem vindo a realizar um tremendo Giro, ocupando o 26º posto da CG e tendo estado ao ataque por diversas ocasiões. Contudo, neste último dia, o perfil muito duro no final da jornada não o favorece face a trepadores mais dotados que deverão estar presentes na fuga. Além disso, o foco da locomotiva da Anadia estará certamente no contrarrelógio de Milão, onde aí sim pode capitalizar de forma efetiva a sua boa forma e ameaçar o triunfo no último dia de Giro.

Favoritos Ciclismo Mundial:

⭐⭐⭐⭐⭐ João Almeida

⭐⭐⭐⭐ Simon Yates e Egan Bernal

⭐⭐⭐ Damiano Caruso, Aleksandr Vlasov, e Dan Martin

⭐⭐ Hugh Carthy, George Bennett, Romain Bardet, e Daniel Martinez

⭐ Antonio Pedrero, Koen Bouwman, Vincenzo Nibali, Jan Hirt, Lorenzo Fortunato, Davide Formolo, Bauke Mollema, Geoffrey Bouchard, e Nelson Oliveira

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