Bettiol vence na raça, num dia de descanso para o pelotão!

O italiano Alberto Bettiol, da EF Education-Nippo, foi o grande vencedor da etapa 18 do Giro d’Italia, sendo o mais o forte da fuga que marcou a jornada e que chegou com 23:30 de vantagem sobre o pelotão! Na 2ª posição terminou Simone Consonni, da Cofidis, enquanto o 3º foi Nicolas Roche, da Team DSM, eles que chegaram 17 segundos depois do vencedor da etapa!

A etapa 18 do Giro d’Italia constituía a jornada mais longa da prova, numa extensão de 231 km, que iria partir de Rovereto para terminar em Stradella. O perfil apresentava-se praticamente plano durante boa parte do dia, no entanto, dentro dos 40 km finais, os corredores encontravam quatro colinas, que deixavam antever a possibilidade das equipas dos sprinters alhearem-se desta etapa, o que significaria, mais uma vez, a vitória da fuga.

Este pensamento estava certamente na mente de muitos corredores, sendo que a corrida começou de forma frenética, com imensos ciclistas a tentarem escapar do pelotão. Depois de muitas tentativas, finalmente um grupo de 23 corredores conseguiu isolar-se e formar a fuga do dia, para alívio do pelotão, que seguia já bastante sufocado.

O espaço entre os grupos era de apenas 35 segundos, já com mais de 50 km de etapa percorridos, com a Ineos e a BORA a tomarem conta da frente do pelotão, de forma a arrumar a casa e não permitir que mais ninguém atacasse. Assim, a fuga conseguiu mesmo estabelecer-se e a vantagem começou a crescer de forma constante. Note-se que no caso da equipa alemã, a vitória da fuga significava que não haveria pontos em disputa para o pelotão, o que praticamente garantia a vitória de Peter Sagan na maglia ciclamino.

Na frente seguiam 23 ciclistas, a saber: Andrea Vendrame (AG2R Citroën), Gianni Vermeersch (Alpecin-Fenix), Simon Pellaud, Andrii Ponomar, Natnael Tesfatsion (Androni-Sidermec), Samuele Battistella, Gorka Izagirre (Astana-PremierTech), Filippo Zana (Bardiani-CSF-Faizanè), Simone Consonni (Cofidis), Rémi Cavagna (Deceuninck-QuickStep), Alberto Bettiol (EF-Nippo), Francesco Gavazzi, Samuele Rivi (EOLO-Kometa), Wesley Kreder (Intermarché-Wanty-Gobert), Patrick Bevin (Israel Start-Up Nation), Stefano Oldani (Lotto Soudal), Dario Cataldo (Movistar), Nikias Arndt, Nico Denz, Nicolas Roche (Team DSM), Jacopo Mosca (Trek-Segafredo), Alessandro Covi, Diego Ulissi (UAE Team Emirates). A 152 km do final, o avanço dos fugitivos era já de 6:30, e ficava claro que o dia era mesmo para a fuga, com o pelotão a ser controlado pela locomotiva do costume, Filippo Ganna, da Ineos Grenadiers, hoje a trabalhar com a fornalha a meio gás.

Sensivelmente a meio da etapa, à entrada dos segundos 115 km, a vantagem da fuga chegava já aos 10 minutos! O dia prosseguiu de forma tranquila, com todo o pelotão contente com o destino desta tirada. Quanto aos fugitivos, iam-se preparando para a batalha nas quatro colinas finais, que iria ditar o vencedor da jornada.

Simone Consonni e Alberto Bettiol a liderarem a fuga da etapa 18 do Giro d’Italia (Getty Images)

A 40 km da meta, na aproximação às subidas, a diferença para o pelotão era de uns abissais 15:35, num autêntico dia de descanso para boa parte do pelotão. Na primeira colina, começaram as hostilidades, com as movimentações de Battistella e de Zana, que foram seguidas por ataques de Bevin, Roche, e Bettiol. Durante alguns km, um grupo de seis corredores conseguiu isolar-se, mas acabaria por ser alcançado pelo resto da fuga.

A 26 km do final, ataca Cavagna, numa movimentação poderosa do campeão francês de contrarrelógio, certamente o homem mais perigoso do grupo para este tipo de movimentações. O ciclista da Deceuninck Quick-Step conseguiu abrir um fosso relevante, que poderia ser fatal para a concorrência.

A 15 km do final, a margem de Cavagna era de 15 segundos, com Bettiol a atacar no grupo perseguidor em busca do líder da jornada. O pelotão rodava a 18:40 dos fugitivos.

O ritmo de Bettiol, também ele um ótimo contrarrelogista, era bastante forte, com a diferença para Cavagna a baixar para os 10 segundos! No entanto, o francês ia carregando a fundo no pedal, conseguindo manter-se fora da vista do italiano.

A 10 km da meta, Cavagna levava 15 segundos de vantagem agora sobre um dupla de perseguidores: Bettiol e Roche. Faltava apenas uma última colina e Cavagna estava tendencialmente a ganhar segundos aos seus rivais. A vitória parecia estar mesmo a pender para o seu lado.

No entanto, na subida, Bettiol deixou Roche sozinho, partindo em busca de Cavagna. A diferença baixava da barreira dos 10 segundos, e o italiano já conseguia ver o francês ao fundo da estrada. A 7 km do fim, Bettiol alcançava mesmo Cavagna, tentando passar direto, mas o francês conseguia por ora manter-se na roda!

Pouco antes do topo da colina, Bettiol atacou e Cavagna rebentou completamente, ficando praticamente parado na estrada! O homem da EF seguia isolado para o que parecia uma vitória certa! Entretanto, a diferença para o pelotão cruzava já a barreira dos 20 minutos!

A 5 km da meta, Bettiol seguia na frente, com Roche na sua peugada, a 18 segundos, e um grupo de perseguidores a cerca de 20 segundos. O homem da EF Education-Nippo fazia as curvas em descida de forma rápida e eficiente, tornando-se difícil a tarefa de lhe ganhar tempo.

À entrada do último km, Bettiol levava já 22 segundos de vantagem e confirmava-se a vitória do antigo campeão da Volta à Flandres! Sobre a meta, o italiano puxou pelo público e festejou de forma efusiva e emocionada a sua primeira vitória em grandes voltas! Apontando para o céu, dedicava a vitória ao seu agente, Mauro Battaglini, falecido recentemente!

No 2º posto acabou por fechar Simone Consonni, chegando 17 segundos depois de Bettiol, com Nicolas Roche e outros seis corredores a terminarem logo atrás do habitual lançador de Elia Viviani.

Quanto ao pelotão, ia rodando num ritmo calmo, mostrando à própria organização da prova que a escolha de um etapa de ligação tão grande, sem um final em plano, não terá sido a melhor opção. O grupo principal chegou apenas passados 23:30 (!) de Bettiol, encabeçado pela formação da Ineos Grenadiers.

Na classificação geral, não há alterações, com Egan Bernal a manter a camisola rosa, com 2:21 sobre Damiano Caruso e 3:23 sobre Simon Yates.

Os portugueses em prova, João Almeida (41º) e Nelson Oliveira (85º), terminaram a etapa integrados no grupo principal, mantendo as suas posições na geral. O ciclista da Deceuninck Quick-Step é o 8º da geral, a 8:45 de Bernal, enquanto o homem da Movistar é 26º, a 1:02:04.

Amanhã, regressa a montanha, com uma etapa de 166 km, entre Abbiategrasso e Alpe di Mera (Valsesia), e um final em alto numa ascensão de 1ª categoria, com 9.8 km a 8.9 % de inclinação média! Será este mais um dia para o Canibal das Caldas brilhar?

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