Arranca hoje a Vuelta, e logo sem dó nem piedade!

Arranca hoje a 75ª edição da La Vuelta Ciclista a España, na região do País Basco, este ano numa altura bem diferente do normal. A principal prova velocipédica espanhola inicia-se passado um mês do final do Tour de France e enquanto se disputa ainda o Giro d’Itália e algumas clássicas em atraso.

No entanto, esta sobrecarga do calendário não diminui o valor da prova, que apresenta uma startlist de luxo e um percurso extremamente montanhoso, numa clara garantia de espetáculo a fechar um ano tão complicado a tantos níveis.

A Vuelta deste ano apresenta um percurso mais curto do que é normal, na sequência do cancelamento das primeiras etapas na Holanda, sendo apenas 18 as etapas a percorrer. Existe um contrarrelógio individual e 4 etapas que poderão ser ao sprint, sobrando 4 etapas de média montanha e 9 etapas de alta montanha! A startlist reflete este duro percurso, sendo o número de homens rápidos reduzido e a quantidade de voltistas e trepadores bem elevada.

O favorito nº 1 à vitória na prova é o esloveno Primoz Roglic, da Jumbo-Visma. Depois de uma Volta a França onde acabou por ver uma vitória praticamente “cantada” fugir no último dia para o seu compatriota Tadej Pogacar, Roglic não ficou a lamber as feridas durante muito tempo, fazendo um 6º lugar nos mundiais e vencendo depois um dos monumentos do ciclismo, a Liège-Bastogne-Liège. O difícil percurso desta Vuelta e o tipo de subidas pode claramente favorecer o esloveno, como aconteceu no ano passado.

Além disso, a Jumbo-Visma mostrou no Tour que possui o bloco mais forte do ciclismo internacional e uma boa parte da equipa que brilhou nas estradas francesas irá alinhar à partida em Irún: George Bennett, Sepp Kuss, Robert Gesink, e claro Tom Dumoulin. O holandês, que prescindiu de qualquer aspiração à geral no Tour em favor de Roglic, deverá ter um papel semelhante na Vuelta, embora mais que no Tour a Jumbo deva querer ter dois homens apontados à geral. Dumoulin será sempre uma séria ameaça à vitória enquanto permanecer entre os primeiros lugares.

A principal opositora da equipa holandesa deverá ser a INEOS Grenadiers, que tentará redimir-se da goleada que levou em termos de luta pela geral no Tour e que acabou abruptamente com uma era de domínio da equipa britânica. O líder deverá ser Richard Carapaz, que foi ao Tour apoiar Bernal, acabando por limitar a sua participação a um 2º lugar na classificação da montanha e dois 2ºs postos em etapas, pese embora um deles tenha sido lado a lado com o seu colega Kwiatkowski. O equatoriano deverá estar em bom nível e certamente com vontade de vencer corridas. Ao seu lado estará uma equipa de bom nível, com Iván Ramiro Sosa, Andrey Amador, e o consagrado Christopher Froome, que não conseguiu ainda voltar a um nível elevado e consistente desde a recuperação da grave queda que sofreu. O britânico deverá ter um papel de apoio a Carapaz, podendo tentar atacar etapas, que seriam uma bela forma de se despedir da INEOS a caminho da Israel Start-Up Nation.

A Vuelta é sempre uma prova em que as previsões saem furadas, fruto de ser a última grande prova por etapas do ano, com ciclistas favoritos a aparecerem fatigados e com outsiders em grande nível. As condicionantes do ano de 2020 complicam ainda mais esta equação. Tal como os dois gigantes do pelotão, muitas equipas apresentam blocos fortes para a montanha, havendo várias com múltiplos candidatos a atacar a geral, senão vejamos. A Groupama-FDJ leva Thibaut Pinot e David Gaudu, a Astana aposta em Aleksandr Vlasov e Ion Izagirre, a Movistar tem três setas apontadas à geral: Enric Mas, Alejandro Valverde, e Marc Soler, tal como a EF Pro Cycling, com Daniel Martinez, Michael Woods, e Hugh Carthy, e ainda a UAE-Team Emirates, com David de la Cruz, Davide Formolo, e Sergio Henao (mais Rui Costa). Refiram-se depois líderes mais óbvios como Guillaume Martin (Cofidis), Esteban Chaves (Mitchelton-Scott), Wout Poels (Bahrain-McLaren), ou Dan Martin (Israel Start-Up Nation).

Apesar do perfil da corrida ser pouco convidativo às chegadas rápidas, algumas equipas trazem um sprinter forte, como a BORA, com Pascal Ackermann, e a Deceuninck-Quick Step, com Sam Bennett. Estarão presentes outros homens rápidos como Jasper Philipsen (UAE-Team Emirates), Matteo Moschetti (Trek-Segafredo), Jakub Mareczko (CCC Team), embora estes não deverão ter uma equipa tão dedicada.

A edição deste ano da Vuelta irá ter a presença de 5 corredores portugueses: Rui Costa, Rui Oliveira, e Ivo Oliveira (UAE-Team Emirates), Nelson Oliveira (Movistar), e Ricardo Vilela (Burgos-BH). Os três Oliveiras irão ter funções de trabalho durante as três semanas, sendo difícil mas não impossível de procurarem uma oportunidade para brilhar. Vilela deverá procurar marcar presença em fugas enquanto Rui Costa terá muitas oportunidades para atacar vitórias em etapas.

Favoritos CG Vuelta Ciclismo Mundial:

⭐⭐⭐⭐⭐ Primoz Roglic

⭐⭐⭐⭐ Richard Carapaz e Thibaut Pinot

⭐⭐⭐ Enric Mas, Aleksandr Vlasov, e Tom Dumoulin

⭐⭐ Daniel Martinez, Guillaume Martin, Wout Poels, e Esteban Chaves

⭐ Dan Martin, Alejandro Valverde, Marc Soler, David de la Cruz, David Gaudu, George Bennett, Iván Ramiro Sosa, Ion Izagirre, Hugh Carthy, Michael Woods, Davide Formolo, Sergio Henao, Andrea Bagioli, Mattia Cattaneo, Jan Hirt, Kenny Elisonde, Felix Grossschartner, Mikel Nieve, Clément Champoussin

Com o cancelamento das etapas planas que estavam pensadas para os primeiros dias de Vuelta, a 1ª etapa abre as hostilidades logo com uma jornada bem difícil. Serão 173 km corridos na região do País Basco, entre Irún e Arrate, e 4 contagens de montanha, 3 de 3ª categoria mais a subida final, de 1ª categoria, o Alto de Arrate (5km a 8.5%), com 1 km em descida depois até à meta.

Perfil da 1ª etapa da Volta a Espanha

No 1º dia de uma prova tão importante, com os ciclistas bem frescos, é difícil de imaginar a fuga a resultar. As equipas com trepadores são muito mais do que aquelas com roladores, pelo que muitas deverão querer controlar a fuga, que deverá incluir ciclistas das equipas pró-continentais espanholas.

Depois das várias exibições de grande nível recentemente e perante a fortíssima equipa que tem a seu lado, o grande favorito a levar a etapa é Primoz Roglic. A Jumbo tem todas as condições de controlar a corrida até à ascensão final, onde o campeão esloveno será favorito a fazer a diferença, assim como um forte candidato no caso de um sprint entre os favoritos após a subida.

O canadiano Michael Woods (EF Pro Cycling) aprecia bastante este tipo de subidas e será sempre um perigo nos km finais, assim como Dan Martin (Israel Start-Up Nation), e mesmo Alejandro Valverde (Movistar). A descida no último km pode ser chave para alguém como o campeão espanhol poder dar um golpe de misericórdia nos rivais.

Outros candidatos a fazer a diferença na subida para Arrate são Richard Carapaz, Thibaut Pinot, Tom Dumoulin, Aleksandr Vlasov, Daniel Martinez, Andrea Bagioli, David Gaudu, Enric Mas, Marc Soler, Guillaume Martin, Davide Formolo, Esteban Chaves, e vamos ainda referir um histórico do pelotão que tem um grande ponto de interrogação em cima de si mas que apenas precisará de uma parte da sua antiga forma para poder finalmente voltar a brilhar: Chris Froome.

Quanto aos portugueses será complicado estarem em destaque num final tão exigente. Espera-se que Rui Costa permaneça junto do seu bloco, que tem muita qualidade para a montanha, durante boa parte da subida final, de modo a não perder muito tempo na geral. As diferenças entre os melhores corredores não deverão ser muito grandes nesta etapa, uma vez que a subida final não é muito extensa, e os dias seguintes trarão muitas oportunidades para ciclistas como o campeão nacional tentarem atacar tanto a vitória numa etapa como a liderança da prova.

Favoritos 1ª etapa Ciclismo Mundial:

⭐⭐⭐⭐⭐ Primoz Roglic

⭐⭐⭐⭐ Michael Woods e Dan Martin

⭐⭐⭐ Alejandro Valverde, Richard Carapaz, e Thibaut Pinot

⭐⭐ Tom Dumoulin, Aleksandr Vlasov, Daniel Martinez, e Andrea Bagioli

⭐ David Gaudu, Enric Mas, Marc Soler, Guillaume Martin, Davide Formolo, Esteban Chaves, e Chris Froome

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