Aproveitar enquanto dura!

A 12ª etapa desta 103ª edição do Giro d’Itália trouxe um dia de tormenta por terras do “Pirata” Marco Pantani, que terminou na vitória de um corajoso corsário equatoriano, o mais forte dos navegantes solitários do dia. E tempos cinzentos são também aqueles que são vividos nesta altura na Volta a Itália, que vai sendo levada dia a dia, na tentativa de levar o barco pela tempestade até ao bom porto de Milão. Com a realização de mais testes à covid-19, novos casos positivos poderão surgir, e o medo que alguns ciclistas já disseram sentir pode ser estendido à organização e às autoridades sanitárias e a prova ser interrompida antes do seu final. Por agora, continuamos para mais um dia.

A 13ª etapa terá 192 km corridos entre Cervia e Monselice, com um perfil bem particular. A jornada é quase totalmente plana, no entanto, nos últimos 40 km existem duas contagens de 4ª categoria, uma com 4.3 km a 7.8%, e a segunda, um autêntico muro, com 2 km e 9.9% de inclinação média, antecedendo os últimos 15 km em plano até à meta.

Perfil da 13ª etapa da Volta a Itália

Na teoria, estas são subidas que serão ultrapassadas com maior ou menor dificuldade por uma boa parte do pelotão, incluindo muitos sprinters. No entanto, esta edição do Giro e a própria tradição da prova mostram que muitas surpresas podem acontecer em etapas como esta. O percurso é fácil até à abordagem das subidas, pelo que as equipas dos homens rápidos estarão em condições para dar tudo nas ascensões, na tentativa de proteger os sprinters.

No caso da BORA-hansgrohe, de Peter Sagan, esta será nova etapa chave. Após um dia muito duro de chuva e frio, em que a equipa optou por lançar Cesare Benedetti na fuga, poupando Sagan e a restante equipa, a 13ª etapa surge como uma nova oportunidade para recuperar pontos para Démare. As duas subidas são duras e deverão ser atacadas, no entanto, Sagan mostrou na 10ª etapa que está a trepar bem e mesmo que perca algum terreno, a equipa terá ainda 15 km após a última ascensão para recolocar o eslovaco na frente. Para esta etapa, o favorito nº1 tem mesmo de ser o Hulk de Zilina!

A Deceuninck-Quick Step irá trabalhar na proteção do líder e consoante o desenrolar dos acontecimentos, pode decidir atacar a etapa. Caso as subidas não sejam excessivamente atacadas, Davide Ballerini deverá aguentar junto do pelotão, e num sprint plano será dos poucos a ter uma hipótese de bater Sagan. O mesmo se poderá dizer de Ben Swift, da INEOS.

A hipótese mais provável nesta etapa será a de um sprint de um grupo relativamente numeroso, mas sem muitos homens pesados, que certamente irão ser descartados. Mas a alternativa de existirem ataques nas últimas subidas entre homens da geral e termos uma corrida lançada nos últimos km, com as equipas a perseguirem eventuais atacantes com os elementos que sobrevivam, existe claramente.

Por estes dias, os amantes de ciclismo lusitanos vivem uma espécie de sonho acordado. Hoje é o décimo! Sim, leu bem! O décimo dia de João Almeida envergando a mítica e emblemática camisola cor-de-rosa! O próprio João estará ele próprio inebriado pela magia do que está a acontecer, imaginando, sonhando, pensando no que poderá vir por aí, olhando para si próprio e percebendo que tem força e coragem para atacar alguns dos melhores ciclistas do mundo. E se está bem, porque não aproveitar a sua forma e correr como aquilo que é: um campeão? Porque não atacar na subida final? Poderá ser demasiado ousado e a grande maioria dos homens da geral em grandes voltas não o faria, mas se a corrida vier lançada de trás e o português sentir alguma fragilidade no grupo, porque não tentar? Certamente não será um dia para ir “à morte”, até porque no sábado se irá correr o contrarrelógio, que tão importante será para tentar aumentar a sua vantagem, no entanto, os grandes campeões são destemidos e imprevisíveis, pelo que não surpreenderia ver João Almeida honrando ainda mais a camisola rosa com um ataque para a vitória. Assim, o líder tem de constar entre os favoritos à etapa.

No caso de a etapa ser relativamente endurecida, e sobrar um grupo muito reduzido, ciclistas como Diego Ulissi ou até Ruben Guerreiro podem ser muito perigosos. O português mostrou novamente na etapa de ontem que está em grande forma e com muita confiança. Se perceber que um ataque ou um sprint são possíveis, ele não irá hesitar!

É uma lotaria acertar nos homens mais rápidos para discutir um sprint num pelotão mais reduzido. Os maiores candidatos serão Andrea Vendrame, Fabio Felline, Enrico Battaglin, Jhonatan Narváez, Nico Denz, ou Mikkel Honoré. Fazendo fé na forma de Arnaud Démare e no modo como já abordou algumas subidas neste Giro, não podemos descartar totalmente que a Groupama-FDJ consiga levar Démare até perto da frente após a subida, nem que o campeão francês discuta um sprint, onde seria o claro favorito.

Na hipótese de acabar por resultar um fuga, alguns dos nomes referidos poderão ser parte integrante da mesma, sendo possível juntar os já habituais Thomas de Gendt ou Marco Frapporti.

Favoritos Ciclismo Mundial

⭐⭐⭐⭐⭐ Peter Sagan
⭐⭐⭐⭐ Davide Ballerini e Ben Swift
⭐⭐⭐ João Almeida, Diego Ulissi, e Ruben Guerreiro
⭐⭐ Andrea Vendrame, Fabio Felline, Enrico Battaglin, e Jhonatan Narváez
⭐ Nico Denz, Mikkel Honoré, Arnaud Démare, Davide Cimolai, Jhonatan Restrepo, Thomas de Gendt, e Marco Frapporti

Podes acompanhar a etapa em direto na Eurosport1!

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