A besta está à espreita!

Após mais um dia no escritório para Arnaud Démare, que garantiu a 4ª vitória neste Giro d’Itália, a prova prossegue com a 12ª etapa. No menu constam 204 km, com partida e chegada em Cesenatico e 5 contagens de montanha, duas de 4ª categoria e três de 3ª, além de diversas outras ascensões não categorizadas. A última subida é uma 4ª categoria (4.7 km a 5.6%), seguindo-se 15 km em descida e outros 15 planos no acesso à meta.

Perfil da 12ª etapa da Volta a Itália

Esta é uma tirada que pode ter vários desfechos. Olhando ao que tem acontecido neste Giro, a probabilidade de uma fuga resultar mais uma vez é bastante elevada. No caso de estar um grupo numeroso na frente, vai depender dos interesses no pelotão a anulação ou não da fuga.

A Deceuninck-Quick Step, do líder João Almeida, até pode controlar mas só irá eliminar verdadeiramente a fuga se houver algum perigo na frente para a camisola rosa. As restantes equipas dos favoritos poderão tentar algum ataque numa das subidas, mas não irão gastar energias para anular uma fuga.

Assim, a chave da jornada estará novamente na BORA-hansgrohe e em Peter Sagan. Na 10ª etapa, a “Besta Verde” integrou a fuga e venceu mesmo e essa é uma hipótese que se pode repetir. Tal como referimos antes da vitória de Sagan, com a ausência de Michael Matthews, o eslovaco poderia tentar estar na fuga, que teria sempre boas hipóteses de resultar, onde seria o favorito. Mesmo com o trabalho forte da Groupama-FDJ durante alguns km, a fuga aguentou-se e Sagan venceu. Desta feita, a equipa francesa não irá certamente perseguir, uma vez que as subidas são muito duras para Démare e mesmo o sprint intermédio surge apenas ao fim de três subidas categorizadas.

Poderão sempre haver equipas que queiram eliminar a fuga, mas esta não será uma etapa fácil de controlar, pelo que muitas irão optar por lançar alguém na frente. Assim, o cenário mais provável parece ser o da fuga vencer e, se assim for, Peter Sagan volta a ser um grande candidato a integrar a mesma e a finalizar o serviço. Como referimos, a chave é a BORA. Se Sagan falhar a fuga, será interessante ver se a equipa alemã irá perseguir. Por um lado, a equipa não quererá desgastar-se muito a eliminar uma fuga forte, por outro esta é uma oportunidade de ouro para Sagan recuperar pontos para Démare, pelo que a equipa pode querer endurecer a preparar um sprint, onde o eslovaco será sempre o principal favorito.

Outro nome que pode vencer a partir de uma fuga ou de um sprint é Ben Swift (INEOS Grenadiers). O britânico tem estado a um bom nível e se passar as subidas sem despender um esforço excessivo, será um osso duro de roer em qualquer tipo de sprint.

O mesmo pode ser dito do italiano Diego Ulissi (UAE-Team Emirates), que estará certamente a estudar qual a próxima etapa onde apostar as suas fichas. Na etapa 10, Ulissi ainda atacou mas foi inconsequente. Após um dia tranquilo, esta poderá ser uma boa oportunidade para o italiano, tanto a partir de uma fuga, como de um ataque a partir do pelotão, ou ainda de um sprint num eventual grupo reduzido de favoritos.

Entre os nomes que mais temos referido nas nossas previsões está outro ciclista em grande forma e que pode ter esta etapa debaixo de olho. Falamos de Ruben, o Guerreiro de Gelo! O ciclista português venceu a 9ª etapa a partir da fuga e conseguiu ainda ascender à liderança da classificação da montanha. Esta não é uma daquelas etapas com pontos decisivos para a montanha, mas o montante em jogo é interessante para os corredores que tenham a camisola azul debaixo de olho. Guerreiro pode sentir que tem que estar na fuga, por exemplo se Visconti também estiver ao ataque, mas o português pode de qualquer forma achar que esta é novamente uma boa chance para atacar a etapa, o que seria mais uma genial pincelada na obra de arte que Portugal tem estado a pintar por terras transalpinas. Tal como Ulissi, Guerreiro pode também estar ao ataque, se já não houver fuga perto do final, ou até tentar um sprint num grupo restrito.

Outras ciclistas que poderão tentar a sua sorte nos vários cenários de fuga, ataque, ou sprint são Jhonatan Narváez ou Andrea Vendrame. No caso de uma fuga resultar, refiram-se outros candidatos como Thomas de Gendt ou Tanel Kangert, enquanto na hipótese haver um sprint relativamente numeroso, nomes como Fabio Felline ou Nico Denz poderão estar em destaque, eles que deverão trabalhar durante a etapa na proteção aos seus líderes, Fuglsang e Kelderman, respetivamente.

Caso a corrida seja endurecida e não só a fuga seja anulada como a etapa venha a ser discutida pelos favoritos, será possível nomear alguém além de João Almeida para a vitória? Na 10ª etapa, o português deu espetáculo, controlando, atacando com classe, e fechando o dia com um sprint demolidor a bater todos os favoritos. Se um grupo reduzido chegar à meta, não há qualquer dúvida que Almeida será um forte candidato à vitória, mantendo também o foco nos segundos de bonificação. Tao Geoghegan Hart e Patrick Konrad serão os principais rivais num sprint ou num final lançado, enquanto Pello Bilbao e Wilco Kelderman estarão de olho em encurtar distâncias para Almeida. Recorde-se que João Almeida lidera a classificação geral, com 34 segundos de vantagem sobre Kelderman e 43 sobre Pello Bilbao.

Favoritos Ciclismo Mundial

⭐⭐⭐⭐⭐ Peter Sagan
⭐⭐⭐⭐ Ben Swift e Diego Ulissi
⭐⭐⭐ Ruben Guerreiro, Jhonatan Narváez, e Andrea Vendrame
⭐⭐ Thomas de Gendt, Tanel Kangert, Fabio Felline, e Nico Denz
⭐ João Almeida, Tao Geoghegan Hart, Patrick Konrad, Pello Bilbao, e Wilco Kelderman

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