A batalha pelo Tridente!

Depois das vitórias de Wout Van Aert, Julian Alaphilippe, e Mathieu Van der Poel nas 3 primeiras etapas do Tirreno-Adriático, a Corrida dos Dois Mares prossegue hoje com a realização da sua etapa rainha, um desafio bem diferente dos primeiros dias de competição e que colocará em ação outros colossos do ciclismo internacional!

Perante os ciclistas, perfilam-se 148 km que irão ligar Terni a Prati di Tivo. A primeira metade da jornada é bastante suave, com as principais dificuldades da etapa concentradas na metade complementar.

Primeiro, o pelotão irá ultrapassar a categoria especial do Passo Campanelle (13.8 km a 4.5 %), colocada a 40 km da meta, seguindo-se nova categoria especial, esta condizente com a chegada em Prati di Tivo, uma ascensão com 14.7 km a 7 % de inclinação média! Estas duas ascensões prometem trazer muito espetáculo, podendo ser decisivas para a definição da classificação geral final!

Perfil da 4ª etapa do Tirreno-Adriático

Neste momento, a camisola azul, símbolo da liderança da prova italiana, está nos ombros de Wout Van Aert (Jumbo-Visma), que leva 4 segundos de vantagem sobre Mathieu Van der Poel (Alpecin-Fenix) e 10 sobre Julian Alaphilippe (Deceuninck-Quick Step).

Seguem-se Mikel Landa (Bahrain-Victorious) a 19 segundos e depois um grupo de 16 corredores a 20 segundos, onde se incluem nomes como Tadej Pogacar (UAE-Team Emirates), João Almeida (Deceuninck-Quick Step), Nairo Quintana (Team Arkéa Samsic), Vincenzo Nibali (Trek-Segafredo), Jakob Fuglsang (Astana), Romain Bardet (Team DSM), entre outros ciclistas de muita qualidade. Refira-se que Egan Bernal (Ineos Grenadiers) é 27º a 38 segundos, com o companheiro de equipa Geraint Thomas na posição seguinte da tabela, a 39 segundos, ele que foi o 2º classificado da edição de 2020. O campeão em título, Simon Yates (Team BikeExchange) ocupa a 48ª posição, a 2:09 de Van Aert.

Apesar do grande nível demonstrado pelos 3 monstros que venceram as 3 primeiras etapas, tanto a subir como a descer e a sprintar, a 4ª etapa do Tirreno-Adriático será uma besta bem diferente de derrotar!

Para MVDP, este será um grande teste às capacidades de puro trepador, algo que a este nível é uma novidade para o gigante holandês. Pese todo o potencial e toda a categoria que lhe são reconhecidos, não é expectável que Van der Poel aguente junto dos melhores neste tipo de chegada, ou pelo menos junto daqueles que irão discutir a etapa. No entanto, acreditamos que ele se quererá testar, pelo que não será de espantar que termine perto da frente.

O mesmo não se pode dizer de Wout Van Aert e, claro, de Julian Alaphilippe. O belga já provou conseguir subir a alta montanha com os melhores do mundo, algo que ficou bem patente com o seu trabalho de gregário na Volta a França de 2020, um dos melhores dos últimos anos em provas de 3 semanas. Quanto ao campeão do mundo, trata-se de um dos melhores puncheurs do mundo, que se defende muito bem na alta montanha.

O favoritismo para esta 4ª etapa divide-se entre outros dois pesos-pesados do ciclismo mundial, os dois últimos vencedores da Volta a França: o esloveno Tadej Pogacar (UAE-Team Emirates) e o colombiano Egan Bernal (Ineos Grenadiers). A perspetiva de um despique mano-a-mano entre os dois fenómenos em Prati di Tivo faz crescer água na boca de todos os fãs velocipédicos a uma escala global!

Até este momento, na época 2021, Pogacar tem mostrado estar um nível acima de toda a concorrência, como o comprovam a vitória no UAE Tour e a grande prestação na Strade Bianche, onde terminou na 7ª posição. No entanto, este tipo de subidas são a praia de Bernal, que se mostra em boa forma, o que é sem dúvida preocupante para qualquer ciclista, incluindo Pogacar. Não obstante, o esloveno reúne ainda uma maior dose de favoritismo, uma vez que ainda não revelou falhas de maior até este ponto, o que lhe confere ainda o estatuto de melhor do mundo em corridas por etapas. Nesta corrida em particular, Pogacar terá apenas de se preocupar em não perder a roda de Bernal e, se o conseguir, será favorito num final a dois.

Refira-se que a Ineos possui um bloco bastante forte, sendo previsível que tente fazer uma corrida de eliminação, o que poderá resultar contra a maioria do pelotão, mas que se pode tornar perigoso, se Pogacar se mantiver firme dentro do grupo. Veremos qual a estratégia da Ineos, que terá a obrigação de assumir as despesas nas subidas, mas que terá de jogar de forma inteligente para não abrir caminho ao ataque do esloveno da Emirates. A equipa já referiu que quer abordar as etapas de montanha de uma forma diferente daquilo que se notabilizou a fazer, em especial nos tempos de Bradley Wiggins e de Christopher Froome, pelo que é possível que a aposta seja lançar os vice-líderes, Geraint Thomas e Pavel Sivakov, obrigando as outras equipas a responderem.

Quem também já andou ao ataque nesta competição é o trepador Mikel Landa. O espanhol da Bahrain-Victorious está num bom momento e tem nesta etapa, finalmente, um perfil à sua imagem. O mesmo se pode dizer de outro puro trepador, e que também atravessa uma fase positiva, o colombiano Nairo Quintana (Team Arkéa-Samsic).

Pode ser um pouco injusto para João Almeida não o colocarmos no top 3 de favoritos, mas tal apenas se deve à enorme qualidade deste pelotão e à dureza e extensão deste tipo de subidas que não são, neste ponto, o grande forte do jovem lusitano. De qualquer forma, Almeida está indiscutivelmente entre os melhores do mundo em qualquer corrida que dispute e tem que ser incluído nos favoritos para esta chegada. Se até aqui era esperado que o português prestasse auxílio a Alaphilippe e a Ballerini, a etapa de alta montanha que se avizinha deverá mudar esse cenário, constituindo um teste perfeito para o luso, que irá ao Giro d’Itália como líder da equipa. Este pode ser um dia para João Almeida lançar mais uma mensagem para dentro da equipa, reforçando o seu estatuto e a confiança que é depositada no ciclista das Caldas da Rainha. As hostes lusas aguardam com ânsia por mais um momento de brilhantismo do jovem canibal!

Refira-se que a Deceuninck apresenta um bloco mais virado para as etapas planas e de média montanha do que para a alta montanha, sendo de prever que a equipa cedo se veja reduzida à dupla maravilha Almeida/Alaphilippe. A powerhouse belga deverá ter em conta, por um lado, que terá de se defender da força da Ineos e de ciclistas como Pogacar e Landa, mas por outro, que poderá fazer uso do perigo que qualquer um dos seus líderes coloca na classificação geral, atacando à vez, se as pernas assim o permitirem, obrigando as demais equipas a responderem e a desgastarem-se. Também o campeão do mundo tem que ser encarado como um candidato a triunfar em Prati di Tivo, restando saber se a equipa pretende apostar tudo num ciclista ou se o desenrolar da etapa irá acabar por evidenciar quem é o líder. De qualquer forma, não acreditamos que a equipa venha a queimar um dos seus líderes, caso o outro sinta dificuldades.

Pode ser um pouco arriscado acreditar que Van Aert vá aguentar esta jornada junto dos melhores, mas para quem seguiu com atenção o Tour de 2020, não será surpresa se tal vier a acontecer. Claro que é bastante diferente liderar um pelotão a ritmo e responder a ataques diretos de escaladores como Pogacar ou Bernal, mas o nível do belga tem sido simplesmente estratosférico e, neste momento, não é possível colocar limites claros nas suas performances. Apesar de ainda não ter sido possível aferir o seu nível na alta montanha nesta temporada, tudo leva a crer que estará em bom nível, em função das expetativas e do treino que tem sido desenvolvido pelo atleta e respetiva equipa. Pela primeira vez, WVA será o líder da Jumbo neste tipo de terreno e, apesar de não ter à sua disposição o alinhamento mais forte da formação holandesa, conta ainda assim com os préstimos de Tobias Foss e Robert Gesink, que se encontram também eles em grande forma.

Tal como Ineos e Deceuninck, também a Bahrain irá abordar esta etapa com dois ases na mão: Landa e o nº2 da equipa, Pello Bilbao, mais um vice-líder bem colocado na geral, que pode ser lançado para abrir caminho para o líder.

Este pode ser um dia decisivo para as aspirações de muitos corredores. Os trepadores com ambições a esta prova terão que atacar e ganhar algum tempo, tendo em vista o contrarrelógio de depois de amanhã, que irá encerrar as contas da competição. Falamos de nomes como Jakob Fuglsang (Astana), Sergio Higuita (EF Education-Nippo), Romain Bardet (Team DSM), Vincenzo Nibali e Giulio Ciccone (Trek-Segafredo), ou Marc Soler (Movistar). De destacar ainda dois jovens valores, que podem surpreender: Matteo Fabbro (BORA) e Simon Carr (EF Education).

Nomes como Simon Yates, Patrick Konrad, Valentin Madouas, Tim Wellens, Domenico Pozzovivo têm também que ser incluídos no lote de homens que podem estar entre os melhores, mas é difícil de os imaginar a disputar os lugares cimeiros da jornada.

Como referimos por diversas ocasiões, o pelotão deste Tirreno Adriático está recheado de grandes nomes, nomeadamente no que diz respeito aos trepadores, pelo que a vitória poderá surgir por parte de um ciclista menos óbvio, não sendo de menosprezar a possibilidade da fuga triunfar, caso não constitua perigo para a geral. As principais equipas (leia-se Ineos, Emirates, Jumbo, e Deceuninck) estarão focadas na luta pela geral, pelo que não deverão desgastar-se em demasia a perseguir uma fuga apenas pela vitória na etapa.

Favoritos Ciclismo Mundial

⭐⭐⭐⭐⭐ Tadej Pogacar
⭐⭐⭐⭐ Egan Bernal e Mikel Landa
⭐⭐⭐ Nairo Quintana, João Almeida e Julian Alaphilippe
⭐⭐ Geraint Thomas, Wout Van Aert, Pello Bilbao e Pavel Sivakov
⭐ Jakob Fuglsang, Sergio Higuita, Romain Bardet, Vincenzo Nibali, Giulio Ciccone, Marc Soler, Matteo Fabbro, Simon Carr, Mathieu Van der Poel, Simon Yates, Patrick Konrad, Valentin Madouas, Tim Wellens e Domenico Pozzovivo

Presença Portuguesa

Portugal contará com 3 corredores no Tirreno Adriático! São eles João Almeida, com o dorsal 82, Nelson Oliveira com o dorsal 183 e Ivo Oliveira com o dorsal 245.

Transmissão em Direto

Podes acompanhar a corrida em direto na Eurosport 2 a partir das 14h05!

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