Pelo Ciclismo Português! – Carta aberta à UVP-FPC

Vivemos atualmente um período pelo qual nunca passamos na história recente. Estamos confinados, em casa, de modo a protegermo-nos de um terrível vírus que circula no planeta, o Covid-19. Foi uma mudança radical na vida das pessoas em todo o mundo, que nos obrigou a adaptar toda uma rotina diária já há muito implementada, para um sistema de teletrabalho, ou até para o encerramento temporário de empresas, já para não falar em todas as pessoas que perderam os seus postos de trabalho.

Com o desporto as coisas não foram diferentes. Inúmeros eventos cancelados em todo o Mundo, desde campeonatos de futebol à NBA, passando por todos os campeonatos e eventos locais, e/ou regionais. O Ciclismo não foi exceção. Tudo começou quando vários ciclistas deram positivo no UAE Tour, com a modalidade a parar de vez após um Paris-Nice disputado em 7 etapas.

A partir daí, todas as organizações começaram a trabalhar num plano que pudesse garantir a segurança e estabilidade de todas as equipas, que tiveram de readaptar todo um processo de treino a rolos, com poucas ou até nenhumas saídas de casa para não se correrem riscos que pudessem colocar em causa a saúde dos atletas. As Federações, juntamente com a UCI procuraram recriar os calendários, de modo a que a maioria das provas se pudesse correr ainda este ano, tentando não colocar em causa aquilo que são as dependências das equipas, nomeadamente nos patrocínios, para que estas garantir a sua continuidade, assim como também a continuidade de uma série de atletas que têm no ciclismo o seu sustento e das suas famílias, que ganham fazendo aquilo que mais gostam!

Também em Portugal, a Federação Portuguesa de Ciclismo foi obrigada a adaptar o calendário. Para se correrem as provas mais importantes, e para os patrocinadores garantirem a continuidade das equipas do pelotão nacional, algo essencial para o Ciclismo Português! Assim aconteceu, e a 19 de junho de 2020, foi revelado um calendário para os Elites Masculinos na vertente de estrada. Esse calendário incluía, a Prova de Reabertura no dia 5 de julho, a qual decorreu perfeitamente, e pela qual parabenizamos todas as entidades, equipas, atletas e espectadores envolvidos, o Challenge Memorial Bruno Neves, programado para os dias 11 e 12 de julho, o Trofeu Joaquim Agostinho, planeado para os dias 18, 19 e 20 de julho, a Volta a Portugal entre 29 de julho e 9 de agosto, e os Campeonatos Nacionais de estrada entre 21 e 23 de agosto. Julgávamos nós todos (adeptos da modalidade) que as coisas estavam já alinhavadas em todas as provas, com autarquias, e percursos delineados. Porém, assim não foi, e assistimos a uma série de situações que pretendemos reportar como falhas graves da Federação para com todos os adeptos de ciclismo em Portugal!

O adiamento da Volta a Portugal, acabou por ser o único destes a ser falado, e porquê? Porque é a Volta a Portugal, e algumas autarquias vieram a público dizer que não queriam que a Volta passasse pelos seus municípios, os quais estavam previstos receber chegadas da mesma. Isto obrigou a adiar a Volta, e acabou por ser reportado pela Federação (e bem!), e até abordado em televisão pelo Presidente da Federação, Delmino Pereira. Todavia, foi o único caso positivo a reportar nesse sentido. Depois disto assistimos à alteração das datas dos Campeonatos Nacionais de Estrada, tendo sido as mesmas atrasadas em uma semana, para os dias 14, 15 e 16 de agosto, ao retirar de um dia de prova do Troféu Joaquim Agostinho, passando a ser apenas uma prova de dois dias, e ao cancelar do Challenge Memorial Bruno Neves. Nenhuma destas três situações, e frisámos NENHUMA, foi reportada pela Federação Portuguesa de Ciclismo! Apenas os meios de comunicação local deram ênfase às situações, sendo por isso impossível chegar a todos os adeptos da modalidade com as novas situações nas diversas provas.

Após esta análise, surgem-nos duas questões. A primeira é perceber o porquê de a Federação Portuguesa de Ciclismo ter aprovado estas alterações no calendário e não as ter comunicado ao público, público esse que é essencial para que a modalidade possa existir. A segunda é perceber a razão de o artigo que apresentava este calendário inicialmente proposto, no site da FPC, ter sido editado desde então, ao invés de se criar novos artigos para as alterações, já que a maioria das pessoas vê o artigo uma vez, e não anda a verificar se o mesmo foi editado, pois quando um artigo é lançado, é suposto já estar finalizado e não sujeito a alterações, se não tiver indicações para tal.

Olhando aos restantes escalões, em estrada, destacamos a ausência de calendários para o ciclismo FEMININO (exceto as provas dos campeonatos nacionais em linha e em contrarrelógio), e a ausência completa de notícias e provas calendarizadas para o ciclismo de formação, quer masculino, quer feminino. Esperamos, dentro daquilo que é possível, que todas as equipas tenham já informações para a retoma da temporada, por muito triste que seja para nós (como veículo de promoção saudável da modalidade, mas ESSENCIALMENTE como ADEPTOS), que não exista NENHUMA informação pública sobre tal.

Também nas restantes vertentes ativas nesta fase do ano, das quais destacamos o BTT e o BMX, não temos qualquer notícias, nem uma expectativa sobre que provas vão decorrer, e da mesma forma esperamos que as equipas participantes nas provas das diversas formações tenham já alguma informação.

Em jeito de síntese, não escrevemos isto de forma destrutiva, escrevemos isto PELO CICLISMO PORTUGUÊS! Porque é essencial LEVAR o CICLISMO às PESSOAS, porque são elas que fazem a modalidade, são elas que dão a alma a este desporto tão belo, e é graças a isso que hoje podemos dizer que temos crianças, crianças pequenas, que dizem “Quando for grande, eu quero ser ciclista!”.

Em nome de uma boa parte dos adeptos de ciclismo deste país,
Ciclismo Mundial

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