UAE Team Emirates 2022 – A armada lusitana entre os emires do pelotão!

A temporada de 2022 promete ser marcante para o ciclismo português! A formação da UAE Team Emirates, que contava já nas suas fileiras com Rui Costa, Rui Oliveira, e Ivo Oliveira, protagonizou uma das grandes mexidas do mercado, com a contratação de João Almeida, o que significa que teremos um fortíssimo núcleo luso numa das maiores equipas do ciclismo internacional.

Refira-se que o conjunto dos Emiratos Árabes Unidos, onde milita o bicampeão da Volta a França e vencedor do ranking UCI, Tadej Pogacar, fortaleceu bastante o seu plantel, com a entrada de outros nomes importantes como Marc Soler ou Pascal Ackermann, perfilando-se cada vez mais como o alvo a abater nesta nova época.

O Canibal das Caldas – João Almeida

Do lado dos portugueses, a integração nesta formação de topo será sempre algo de muito positivo, tanto para o ciclismo nacional como para a própria equipa. Quatro dos grandes nomes do panorama atual do ciclismo português irão estar em destaque numa das principais equipas do pelotão, que certamente irá tirar partido da qualidade, da experiência, e da própria sinergia dos portugueses.

No caso de João Almeida, que se perfila como um dos grandes talentos emergentes para provas de três semanas, o facto de entrar na equipa do melhor ciclista do mundo poderia ser visto como um entrave à sua afirmação, no entanto, importa notar que o Canibal das Caldas será o nº2 indiscutível da equipa, com liderança garantida na Volta a Itália, um papel que não era claro dentro da Quick-Step devido à presença de Julian Alaphilippe e Remco Evenepoel. Com esta transição, Almeida garante a entrada numa equipa do top 3 mundial (em conjunto com a Ineos e com a Jumbo-Visma) para provas por etapas e a liderança indiscutível numa grande volta.

João Almeida protagonizou uma das grandes transferências do defeso

O plano do ciclista luso passará certamente pela tentativa de fazer mais um grande resultado no Giro, depois de 4º em 2020 e 6º em 2021, antes de pensar em fazer o seu primeiro Tour em 2023. Aí, mesmo que Almeida seja ainda o nº2 da equipa, ele irá apresentar-se à partida como um dos grandes nomes do pelotão, e as oportunidades para brilhar em solo francês não faltarão, mesmo que o líder seja Pogacar. Este poderá ser o percurso ideal para o crescimento do português, tendo em vista uma futura liderança indiscutível no Tour, seja na Emirates ou noutra formação.

A posição de destaque de João Almeida garante que o ciclista das Caldas da Rainha será o líder no Giro e, previsivelmente, no Paris-Nice e na Volta à Catalunha, entre outras importantes provas. Nas corridas onde Pogacar não vier a marcar presença, é difícil de imaginar que o líder seja outro que não o português.

Note-se que, além dos dois top 10 no Giro, Almeida tem colecionado resultados de grande nível, em especial na temporada transata, onde venceu a Volta à Polónia e a Volta ao Luxemburgo e onde fechou dentro do top 10 de provas como o Tirreno-Adriático ou a Volta à Catalunha, além de se ter sagrado ainda campeão nacional de contrarrelógio. A ambição do Duro das Caldas é enorme, como todos sabemos, e ele estará certamente motivado para escrever mais algumas páginas douradas do livro de honra do ciclismo português.

O campeão adormecido – Rui Costa

O passar dos anos tem alterado um pouco o perfil de Rui Costa enquanto ciclista. A experiência e solidez do antigo campeão do mundo tornam-no um elemento fulcral para a estratégia global da equipa, o que tem reduzido as oportunidades de o vermos lutar por vitórias. Ao invés, tem sido recorrente vermos o homem da Póvoa do Varzim a impor ritmos e a lançar ataques dos seus companheiros. Aos 35 anos, começa a tornar-se difícil de igualar a potência dos inúmeros jovens de grande qualidade que têm vindo a impor-se, o que tem trazido à tona um gregário de luxo e uma voz de liderança e sabedoria para os companheiros de equipa.

O último triunfo de Rui Costa remonta já a Agosto de 2020, quando venceu os campeonatos nacionais de fundo, e em termos de World Tour é necessário recuar a Fevereiro de 2017, quando triunfou no Abu Dhabi Tour. Dito isto, não se pense que a fome de vitórias do português se esgotou. Na temporada passada, Rui Costa esteve perto de levantar os braços, no GP Kantons Aargau e na etapa 6 da Volta à Suíça, entre outros resultados interessantes, e em 2022 irá certamente tentar novamente. Ainda assim, o foco da época será o apoio a Almeida e eventualmente a Pogacar, surgindo em segundo plano o ataque a etapas e a clássicas.

Juan Ayuso e um bem-disposto Rui Costa, em preparação para a nova época

UAE Team Emirates – Versão 2022

Para esta nova época, a estrutura da formação dos Emiratos Árabes Unidos será organizada em torno de dois blocos, o do Giro, de João Almeida, e o do Tour, de Tadej Pogacar, sendo que a temporada ditará se pelo menos um deles ou ambos estarão na Vuelta.

No Giro d’Itália, o líder será o Canibal das Caldas, com Davide Formolo como braço direito nas montanhas, juntando-se depois ciclistas úteis e oportunistas como Diego Ulissi e Rui Costa. A tarefa não será fácil para Almeida poder repetir ou melhorar os êxitos dos últimos anos na prova transalpina pois adivinha-se a presença de diversos voltistas de peso, nomeadamente Simon Yates, Miguel Ángel López, Vincenzo Nibali, Richard Carapaz, Tao Geoghegan Hart, Richie Porte, Wilco Kelderman, Jai Hindley, Mikel Landa, Pello Bilbao, Bauke Mollema, Giulio Ciccone, Tobias Foss, Alejandro Valverde, ou Warren Barguil.

Já no Tour de France, a equipa deverá fazer alinhar um poker de luxo no apoio a Pogacar, com Rafal Majka, George Bennett, Brandon McNulty, e Marc Soler. Este será o grande objetivo da época: ganhar a luta com a Jumbo-Visma, de Primoz Roglic, e a Ineos Grenadiers, de Egan Bernal, e oferecer o terceiro Tour ao Pequeno Pogi.

O bicampeão do Tour de France, Tadej Pogacar

Entre os ciclistas que estarão certamente a ser equacionados para integrar os alinhamentos para Giro e/ou Tour estão os gémeos Oliveira, dois valores seguros do pelotão internacional e que prometem voltar a dar cartas nesta nova época, seja em termos individuais seja através do apoio à equipa, nomeadamente no que toca às chegas rápidas.

Recorde-se que, na temporada passada, Rui e Ivo Oliveira foram dois elementos muito importantes para a equipa, incansáveis no apoio aos líderes, e tentando aqui e ali mostrar-se a nível individual, em particular Rui Oliveira. O ciclista de Vila Nova de Gaia esteve muito perto de erguer os braços no ano transato, em especial na Volta a Espanha, fechando em 2º na etapa 19 da prova, batido apenas por um superlativo Magnus Cort.

Como referido, o foco da equipa estará colocado sobre a geral do Tour e do Giro, mas isso não significa que não exista poder de sprint dentro da Emirates, antes pelo contrário. A equipa perdeu Alexander Kristoff mas foi buscar o alemão voador Pascal Ackermann, que se junta a nomes como Fernando Gaviria, Álvaro José Hodeg, Matteo Trentin, Juan Sebastián Molano, ou Ryan Gibbons, o que garante que também nos sprints a Emirates estará na luta pelas vitórias. Note-se que nos últimos dias, a equipa anunciou também o regresso de Maximiliano Richeze, que estava retirado da competição. Perante a lesão de Hodeg, o argentino foi repescado da reforma, assinando contrato até ao final do Giro.

Assim, pode-se adivinhar que Richeze, e possivelmente Gaviria, estarão no alinhamento do Giro, ficando a incógnita se a equipa irá levar algum sprinter ao Tour. Ackermann estará certamente na Vuelta, restando saber se a equipa o quererá levar ao Giro, onde formaria um comboio muito interessante com Richeze e Gaviria, ou ao Tour, onde estaria certamente mais isolado nas chegadas rápidas.

Refira-se que a formação dos Emiratos apresenta um plantel com imensa qualidade e profundidade, em todas as vertentes. Na luta por uma presença nas grandes corridas do ano estarão, além dos gémeos Oliveira, nomes como Alessandro Covi, Jan Polanc, Marc Hirschi, Mikkel Bjerg, Vegard Stake Laengen, Joel Suter, e o prodígio de 19 anos Juan Ayuso.

Adivinha-se um ano de emoções fortes para os lados deste pequeno país da Península Arábica, com uma aposta forte na luta pela hegemonia do ciclismo mundial. Pogacar irá tentar vencer o seu terceiro Tour com apenas 23 anos, sendo importante lembrar que o esloveno venceu em 2021, além do Tour, o UAE Tour, o Tirreno-Adriático, a Liège-Bastogne-Liège, a Volta à Eslovénia, e ainda a Volta à Lombardia. Não se adivinha que o apetite do Pequeno Prodígio seja menor para 2022.

Com João Almeida pronto a atacar o Giro e um plantel com soluções para todo o tipo de corridas, este poderá ser um ano de sonho para a formação dos Sete Emiratos!

Foto de família da UAE Team Emirates para a temporada 2022

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