Tour de France 2022 – Tadej Pogačar no trilho da história!

Arranca amanhã a 109ª edição do Tour de France, a maior prova velocipédica do planeta e, para a maioria dos fãs de ciclismo, o grande momento da temporada! Durante 21 dias, 176 ciclistas, de 22 equipas, irão percorrer um total de 3.350 km, na disputa pela tão cobiçada camisola amarela!

O Percurso

A edição de 2022 da Volta a França irá iniciar-se em solo dinamarquês, na capital Copenhaga, com um contrarrelógio individual de 13 km. Seguem-se depois duas etapas em linha, ainda na Dinamarca, ambas propícias a uma chegada ao sprint. Convém ter atenção que o pelotão irá encontrar diversas estradas bem expostas ao vento, nomeadamente em pontes, onde o vento pode causar estragos.

Depois, os ciclistas terão um dia de descanso, que servirá para fazer a viagem para solo francês, para a disputa da etapa 4, entre Dunquerque e Calais, num dia com algumas subidas, mas que deverá favorecer nova chegada em pelotão compacto.

No quinto dia, chega uma das primeiras provas de fogo da corrida, com uma etapa entre Lille e Wallers-Arenberg, que irá percorrer alguns dos troços de “pavé” utilizados no famoso Paris-Roubaix. Serão “apenas” 155 km e 11 setores de empedrado, mas todos sabem que qualquer desatenção pode ser fatal nesta amostra do “Inferno do Norte”.

A etapa 6 terá um final propício aos “puncheurs” do pelotão, seguindo-se depois, na etapa 7, o primeiro desafio de alta montanha da corrida, e logo com chegada em alto, na Super Planche des Belles Filles! Será um final bem conhecido do Tour, mas desta feita com dificuldade acrescida, fruto da secção final, em “sterrato”!

A caravana do Tour fará depois uma incursão por território suíço, com a etapa 8 a terminar em Lausanne e a etapa 9 a arrancar de Aigle, para depois terminar novamente em solo francês, no Châtel Les Portes du Soleil. Ambas terão montanha, especialmente a segunda, com um final após uma subida de 1ª categoria.

Segue-se novo dia de descanso, que irá preceder a etapa 10, mais um dia de montanha, com um final numa 2ª categoria em Megève.

O pelotão entra depois, de forma decisiva, no território dos Alpes. A etapa 11 terá duas subidas de categoria especial, a segunda das quais a coincidir com o final, no Col de Granon.

De seguida, virá a etapa 12, num dia simplesmente brutal, com três míticas subidas, todas de categoria especial: o Col du Galibier, o Col de la Croix de Fer, e depois o final no icónico Alpe d’Huez! Esta será a primeira grande candidata ao estatuto de etapa rainha desta edição do Tour!

A etapa 13 terá um dia ondulado, na chegada a Saint-Étienne, antes da etapa 14, numa jornada mais complicada, com um final numa 2ª categoria para Mende. A 15ª tirada terá um dia relativamente suave, na chegada a Carcassonne, que pode ser aproveitado pelo menos por alguns sprinters. Segue-se o terceiro e último dia de descanso.

A última semana de Tour arranca com uma etapa com duas contagens de 1ª categoria, colocadas antes da descida para Foix, já nos Pirenéus. Virá depois a etapa 17, que irá incluir três contagens de 1ª categoria, a última das quais coincidente com a meta, em Peyragudes.

A etapa 18 trará nova jornada colossal de alta montanha e outra séria candidata a etapa rainha. Serão, mais uma vez, três grandes montanhas aquelas que serão ultrapassadas: o Col d’Aubisque (HC), o Col de Spandelles (1C), e depois a subida final para o Hautacam (HC). Este será o espetacular final do Tour, naquilo que toca à montanha, uma vez que as três etapas finais serão planas.

A jornada 19 terá um bombom para os sprinters do pelotão, na chegada a Cahors, eles que assim têm um incentivo extra, além dos Campos Elísios, para permanecer numa prova que os favorece pouco ao longo das três semanas.

A etapa 20 consiste no decisivo contrarrelógio individual de Rocamadour, num dia com 40.7 km, onde os favoritos irão esgrimir os últimos argumentos na luta pela amarela.

O Tour termina, como é hábito, com a etapa de consagração, a 21ª tirada, nas ruas de Paris, com um final nos emblemáticos Campos Elísios! Este será um dia para o grande vencedor posar enquanto bebe champagne, mas também para os sprinters lutarem pelo mais bonito triunfo das suas carreiras!

As Equipas

Na linha da frente para a disputa pela classificação geral surgem três equipas: UAE Team Emirates, Jumbo-Visma, e INEOS Grenadiers.

A UAE Team Emirates, do grande favorito Tadej Pogacar, surge com o claro e único objetivo de levar o esloveno ao terceiro triunfo no Tour. O conjunto dos Emirados Árabes Unidos traz um alinhamento bastante focado na montanha, com nomes como Majka, McNulty, Soler, Hirschi, ou George Bennett preparados para rodear Pogi quando a estrada inclinar, e ainda Bjerg e Laengen a darem corpo nas zonas mais planas. Note-se que a equipa foi forçada a abdicar de Matteo Trentin, em função de um teste positivo à Covid-19, um elemento que seria bastante importante, em especial na etapa do “pavé”.

A Jumbo-Visma apresenta-se como a grande candidata a poder destronar o Pequeno Pogi, trazendo uma liderança que se adivinha partilhada, entre Primoz Roglic e Jonas Vingegaard. Depois dos azares de Rogla no ano passado, que colocaram Vingegaard no comando da equipa e na rota para o 2º lugar da CG, as abelhas assassinas estarão certamente com mil e uma ideias na cabeça em como poderão, finalmente, bater Pogacar. No Critérium du Dauphiné ficou bem vincada a força dos dois líderes da Jumbo, sendo que, nas subidas mais complicadas, o próprio Vingegaard pareceu, a espaços, mais forte que Roglic. Depois do 2º de Roglic em 2020 e do 2º de Vingegaard em 2021, a Jumbo quererá certamente jogar com os seus dois besouros, naquela que parece ser a única forma possível para alguém bater Pogacar. Note-se que a formação neerlandesa surge como equipa-chave na luta pela amarela mas também pela verde, com Wout Van Aert entre os maiores favoritos a vencer a camisola dos pontos.

O terceiro elemento da equação será a INEOS Grenadiers, que se apresenta não com um, não com dois, mas com três líderes: Geraint Thomas, Daniel Martinez, e Adam Yates. A formação britânica já fez saber que pretende correr de uma forma distinta do que é hábito, controlando menos e jogando mais na expetativa. O resto da equipa é de alto nível, em especial com Tom Pidcock, Dylan Van Baarle, e ainda Filippo Ganna, que terá a amarela no primeiro dia como grande objetivo, mas nota-se alguma falta de homens de trabalho para a alta montanha no bloco dos granadeiros. Será interessante analisar a estratégia do conjunto britânico e perceber quem será o verdadeiro líder ao longo das três semanas.

Entre as principais equipas para a geral, refira-se depois a BORA-hansgrohe, que irá colocar todas as fichas em Aleksandr Vlasov. A formação alemã deixou bem patente qual o seu plano para o Tour, apostando num alinhamento para rodear o russo, e deixando de fora um dos grandes nomes do sprint, Sam Bennett.

Já a Movistar, do português Nelson Oliveira, terá como líder Enric Mas, restando saber qual a forma do corredor espanhol, depois de indicações menos positivas ao longo da temporada.

No caso da Bahrain-Victorious, a liderança deverá estar a cargo de Jack Haig, num conjunto que irá apresentar também um forte vice-líder, o 2º classificado do Giro 2021, Damiano Caruso, sendo que ambos os ciclistas estiveram em bom plano no Critérium du Dauphiné.

Um dos nomes que promete estar na luta por um lugar de destaque na geral é Ben O’Connor, o único que pareceu poder seguir a dupla da Jumbo no Dauphiné. A formação da AG2R Citröen apresenta um conjunto que irá tentar rodear o australiano sempre que possível, abdicando de nomes como Greg Van Avermaet.

Ainda entre as equipas da geral, refira-se depois a Groupama-FDJ, que será comandada por David Gaudu, e que terá também Thibaut Pinot, mas este na luta por etapas e eventualmente pela camisola da montanha.

Depois, há o caso da EF Education-EasyPost, que terá como líder Rigoberto Urán, mas com algumas interrogações relativamente ao nível do colombiano para este Tour. No seio da formação norte-americana irá estar o Cowboy de Pegões, Ruben Guerreiro, que poderá ser um “dark-horse” na luta por um top 10, mas também uma séria ameaça na luta por etapas e pela camisola das bolinhas.

Na luta por um top 10 deverão estar também a Arkéa-Samsic, de Nairo Quintana, e a Team DSM, de Romain Bardet, uma equipa que terá também interesse nos sprints, através de Alberto Dainese, à imagem da Intermarché-Wanty-Gobert, de Louis Meintjes e Alexander Kristoff. Haverá ainda a Cofidis, com Guillaume Martin, a Astana, com Alexey Lutsenko, e a Israel-Premier Tech, de Jakob Fuglsang (e Chris Froome). Todos estes nomes serão fortes candidatos a poder abdicar da geral para se focarem na luta por etapas.

Estas 15 equipas deverão estar focadas na luta pela geral, com as restantes na luta pelos sprints e pela presença em fugas.

Entre as formações com interesse na camisola verde, além das já referidas Jumbo-Visma, DSM, e Intermarché refira-se a Quick-Step, do sprinter neerlandês Fabio Jakobsen, que deverá ser o homem a abater nas chegadas mais velozes. O “Wolfpack” não terá apenas foco nas chegadas rápidas, tentando certamente dar alguma proteção a Mattia Cattaneo na luta pelo top 10.

Na linha da frente para a luta com Van Aert e Jakobsen, deverá estar Jasper Philipsen, da Alpecin-Fenix. O conjunto belga irá contar também com Mathieu Van der Poel, que terá como objetivo o ataque a etapas e à camisola amarela na primeira semana de prova.

Refira-se depois a BikeExchange, que abdicou de Simon Yates para dar primazia aos seus homens rápidos. Dylan Groenewegen será o ciclista protegido nas etapas mais planas, com Michael “Bling” Matthews na luta pelas jornadas de média montanha e possivelmente pela camisola verde.

Apesar do percurso montanhoso deste Tour, o palco de velocistas é bastante extenso. Haverá ainda Caleb Ewan, o Pocket Rocket da Lotto Soudal, que surge numa espécie de “take 2” da temporada 2022, após a frustração no Giro, onde caiu na etapa de abertura, acabando depois por não conseguir qualquer vitória, antes do abandono após a 11ª tirada.

Na estrada estará também a TotalEnergies, construída em redor de Peter Sagan e da tentativa de levar o Hulk de Zilina à oitava camisola verde. O antigo tricampeão do mundo parece algo renascido nesta fase da carreira, com triunfos recentes na etapa 3 da Volta à Suíça e nos campeonatos nacionais da Eslováquia.

No caso da Trek-Segafredo, a formação norte-americana apresenta Mads Pedersen, que poderá ser um outsider para algumas chegadas rápidas e para a camisola verde. O resto do alinhamento será um conjunto de “oportunistas”, em especial Bauke Mollema e Giulio Ciccone, dois claros candidatos à luta por etapas e pela montanha, ou eventualmente por um top 10.

Finalmente, estará também em prova a B&B Hotels-KTM, que irá apostar declaradamente na presença em fugas, nomeadamente através de Pierre Rolland, mais um potencial vencedor da classificação dos melhores trepadores, que, recorde-se, ficou para Tadej Pogacar no ano passado.

Geral, juventude, e montanha! Pogacar arrasou em 2021!

Os Favoritos

Desde os tempos áureos de Chris Froome que não tínhamos um favorito tão destacado como é nesta fase Tadej Pogacar. O prodígio eslovaco é o bicampeão em título da prova e tem demonstrado que está em grande forma e totalmente focado em voltar a arrasar com a concorrência. Mesmo com alguma dificuldade que possa surgir, nomeadamente na etapa do “pavé”, o nível de Pogi parece suficiente para aguentar a carga da Jumbo e da INEOS, especialmente perante tanta montanha.

Na linha da frente para tentar derrubar Pogi estão os homens da Jumbo, Jonas Vingegaard e Primoz Roglic, vice-campeões da prova em 2021 e 2020, respetivamente. Depois da exibição tremenda do dinamarquês no Tour do ano passado, onde foi o único a conseguir, por momentos, descarregar Pogacar nas montanhas, Vingegaard surge no mínimo com a liderança partilhada com o seu companheiro mais veterano e que tanto tem procurado o sucesso nesta prova. Recentemente, no Critérium du Dauphiné, ficou até a ideia que Vingegaard estava mesmo mais forte que Roglic, mas resta saber esse cenário se irá manter ao longo de três semanas, contando que Rogla não tenha azares. A equipa neerlandesa quererá, certamente, manter os seus dois líderes em contacto com a amarela o maior tempo possível e jogar com a superioridade numérica na terceira semana.

Na lista de favoritos, colocamos de seguida Dani Martinez, da INEOS Grenadiers, que parece ser o elemento mais perigoso da formação britânica. Se os granadeiros conseguirem jogar de forma correta com o seu trio de líderes, poderão abrir brechas nas fortalezas da Emirates e da Jumbo e imiscuir Martinez na luta pela amarela.

Refira-se de seguida Aleksandr Vlasov, da BORA-hansgrohe, um ciclista que tem protagonizado uma excelente temporada e que estará à espreita de uma oportunidade de garantir o primeiro pódio em grandes voltas, depois do 4º lugar no Giro 2021.

Um dos ciclistas de quem se esperam grandes exibições neste Tour é Ben O’Connor, da AG2R Citröen, mais um corredor que será um perigoso outsider na luta pelo pódio.

Continuamos depois com a grande esperança espanhola de um bom resultado neste Tour, Enric Mas. O líder da Movistar não tem estado no seu melhor, mas irá procurar na prova francesa e no seu perfil montanhoso o catalisador para o regresso às melhores exibições.

Uma das formações com mais argumentos para a montanha será a Bahrain-Victorious, com uma forte dupla de líderes em Jack Haig e Damiano Caruso.

Na luta pelo top 10, deverão estar também David Gaudu, da Groupama-FDJ, algo que poderá também acontecer com os outros dois líderes da INEOS, Geraint Thomas e Adam Yates.

Depois, haverão ainda Romain Bardet (DSM), Nairo Quintana (Arkéa), Louis Meintjes (Intermarché), Mattia Cattaneo (Quick-Step), Rigoberto Urán (EF Education-EasyPost), embora alguns deles poderão abdicar da geral para se focarem na luta por etapas ou até pela montanha.

O mesmo pode ser dito de outro elemento da EF, Ruben Guerreiro, ele que tem referido o seu interesse em lutar por um top 10 no Tour, apesar do principal foco continuar ser o triunfo em etapas. A confiança do homem de Pegões estará certamente em alta, após o triunfo no Mont Ventoux Challenge, e porque não imaginá-lo a lutar por juntar a camisola da montanha do Tour àquela conquistada no Giro de 2020.

Finalmente, refiram-se alguns outsiders na luta pelo top 10: Alexey Lutsenko (Astana), Jakob Fuglsang (Israel), Guillaume Martin (Cofidis), e também Giulo Ciccone e Bauke Mollema (Trek), embora também eles devam estar focados na luta por etapas. Note-se que em função do decorrer da prova, mais alguns nomes podem surgir em boa posição na luta pelo top 10, nomeadamente gregários como Rafal Majka ou Brandon McNulty, e também segundas linhas como Michael Storer, Felix Grossschartner, Warren Barguil, ou Michael Woods.

Favoritos Ciclismo Mundial

⭐⭐⭐⭐⭐ Tadej Pogacar
⭐⭐⭐⭐ Jonas Vingegaard e Primoz Roglic
⭐⭐⭐ Dani Martinez, Aleksandr Vlasov, e Ben O’Connor
⭐⭐ Enric Mas, Jack Haig, Damiano Caruso, e David Gaudu
⭐ Geraint Thomas, Adam Yates, Romain Bardet, Nairo Quintana, Louis Meintjes, Mattia Cattaneo, Rigoberto Urán, Ruben Guerreiro, Alexey Lutsenko, Jakob Fuglsang, Guillaume Martin, Giulio Ciccone, Bauke Mollema, Rafal Majka, Brandon McNulty, Michael Storer, Felix Grossschartner, Warren Barguil, e Michael Woods

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