Resposta da organização depois das críticas nas discrepâncias dos prémios da Omloop!

A Campeã Mundial Anna van der Breggen (Tean SD Worx) ganhou monetariamente 5.8% do que Davide Ballerini (Deceuninck – QuickStep) ganhou por vencer a clássica belga Omloop Het Nieuwsblad no passado sábado. A discrepância entre os prémios para homens e mulheres reacendeu uma longa discussão sobre um empurrão para a igualdade de prémios monetários no ciclismo.

O CEO da Flanders Classics, Tomas Van Den Spiegel, declarou que a maior prioridade para este ano foi a cobertura televisiva durante toda a competição e que a organização irá trabalhar para atingir um prémio monetário igual em 2023.

De facto, a Flanders Classics anunciou antes da corrida que iria fazer a cobertura ao vivo do evento feminino pela primeira vez na sua história, quando apenas eventos Women’s WorldTour têm a obrigatoriedade de realizar a transmissão em direto. Isso quer dizer que a organização teve que garantir um investimento financeiro para que a transmissão fosse feita. Esforço que é aplaudido por todos na comunidade.

Mas, a transmissão em direto de Omloop Het Nieuwsblad Feminina apenas mostrou os últimos 35km, dando apenas para ver uma parte de como a corrida se desenrolou antes de Anna van der Breggen garantir uma vitória a solo.

Para decompor os números, Van der Breggen ganhou uns meros 930€ de um total de 4.660€ do conjunto de prémios monetários que a Flanders Classics ofereceu na prova feminina, enquanto que Davide Ballerini ganhou 16.000€ de um total de 40.000€ de prémios para a competição masculina. É importante salientar que estes montantes cumprem os requisitos estipulados pela UCI para os eventos ProSeries Feminino e World Tour Masculino.

Em torno dos valores oferecidos para a Omloop, e de várias criticas e sugestões para dividir o valor por igual, a organização, através de Tomas Van Den Spiegel, afirmou não ser possível dividir uniformemente já que um evento pertence a uma categoria diferente da outra – World Tour Masculino (1º escalão) e ProSerie Feminino (2º escalão). E que para garantir um valor igual para ambas as provas seria necessário um financiamento de mais de 100 mil euros para colmatar a diferença.

A Flanders Classic tem um plano a quatro anos denominado “Closing the Gap” e com inicio em 2020, que inclui a transmissão em direto e a introdução da paridade nos prémios e valores monetários. A iniciativa, que inclui vários eventos femininos (Omloop Het Nieuwsblad, Gent-Wevelgem, Dwars Door Vlaanderen, Tour de Flandres, Scheldeprijs, e Brabantse Pijl) em conjunto com as mesmas provas masculinas, procura também a subida de escalão, sendo que tudo isso tem um custo e não pode aparecer de um ano para o outro. A Closing the Gap pretende em 2023 conseguir atingir prémios monetários de valores igual para ambas as competições.

A discussão sobre o pagamento de prémios iguais nas corridas masculinas e femininas tem estado na vanguarda do ciclismo profissional desde há muito tempo. Alguns organizadores foram em frente e ofereceram prémios em dinheiro iguais, sem que isso fosse obrigatório, tais como o SweetSpot que organiza tanto o Tour of Britain, como o OVO Women’s Tour, com um valor 97.880 euros em 2019.

O dinheiro dos prémios dos Mundiais de Ciclocrosse são também igualmente distribuídos entre os vencedores da prova masculina e feminina em 20.000€. O mesmo acontece com os organizadores do Troféu Telenet Superprestige e X²O Badkamers Trophy com valores iguais para o Top15.

Parte da discussão em torno do progresso do ciclismo feminino, no entanto, centra-se em saber se a transmissão em direto é mais importante do que o mesmo prémio monetário. Uma coisa poderá levar a outra, e a ex-campeã do mundo Annemiek van Vleuten foi voz disso mesmo em 2018, quando em declaração ao Cycling News apontou três pontos como principais para o progresso do ciclismo:

  • Transmissão em direto;
  • Eventos Masculinos e Femininos alinhados e coincidentes;
  • Salários mínimos.

Para Van Vlueten a ordem teria que seria essa para que o valor do ciclismo feminino existisse, e que a prioridade não podia ser só o profissionalismo no modalidade.

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