Jogos Olímpicos e o Calendário UCI 2021 – as dúvidas e os mistérios

O presidente do comité organizador dos Jogos Olímpicos de Tóquio insistiu que os Jogos serão realizados este Verão, independentemente da situação da pandemia da COVID-19.

Um pico de infecções no Japão colocou Tóquio e mais 10 cidades da periferia em estado de emergência, mas o Presidente Yoshiro Mori disse esta terça-feira que os Jogos Olímpicos terão lugar de 23 de Julho a 8 de Agosto.

“Vamos realizar os Jogos Olímpicos, independentemente da situação do coronavírus. Temos de considerar novas formas de realizar os Jogos Olímpicos”.

Yoshiro Mori

No fim de janeiro a polémica começou a instaurar-se sobre um eventual cancelamento. O Times noticiou que o governo japonês iria cancelar os JO e o Governo da Flórida veio a público mostrar o interesse em acolher o evento, mas rapidamente, o COI e o governo japonês negaram o cancelamento.

O presidente do Comité Paraolímpico Internacional, Andrew Parsons, sugeriu que os Jogos poderiam ser realizados à porta fechada, evitando qualquer infeção externa à Aldeia olímpica. “Compreendemos que os Jogos não serão os mesmos sem espectadores, mas o impacto dos Jogos é muito forte fora da cidade anfitriã e da nação anfitriã”.

Segundo o manual hoje publicado pelos organizadores, dedicado às restrições e medidas em torno do contexto pandémico em que os Jogos, que arrancam em 23 de julho, deverão decorrer, salta à vista a proibição de gritos e cânticos entre todos os presentes nos estádios.

O apoio aos atletas deve surgir “através de palmas”, nuns Jogos que se querem “silenciosos”, para minimizar o risco de contágio de todas as partes, algo que se alastra à proibição de uso de transportes públicos pelas comitivas acreditadas, exceto quando autorizados.

Os atletas serão ainda testados, pelo menos, de quatro em quatro dias, mediante a permanência em Tóquio, e devem apresentar prova de um teste negativo recente, ainda que a vacinação contra a covid-19 não seja obrigatória. Atletas e membros do ‘staff’, entre outros profissionais acreditados, devem usar máscara e praticar distanciamento social sempre que possível, sendo qualquer tipo de turismo ou passeio proibido.

As explicações do documento versam ainda regras de entrada, permanência e saída do país, tanto para os Jogos Olímpicos como para os Paralímpicos, que arrancam um mês depois, e é uma “primeira versão” de um trabalho ainda em desenvolvimento e a ser melhorado nos próximos meses. As novas medidas juntam-se a várias já destacadas por membros do comité organizador ou do Comité Olímpico Internacional, como a redução de atletas nas cerimónias de abertura e encerramento e a redução drástica do período de permanência na aldeia olímpica.

Nos próximos dias, adiantam ainda, serão publicadas novas diretrizes, a caminho de uns Jogos em que a incerteza e o espetro de um cancelamento continuam na agenda, com a opinião pública japonesa favorável a esse desfecho e os organizadores, bem como o governo do Japão, determinados em realizar o evento, como “prova de vitória sobre o novo coronavírus”.

Esta situação deixa alguns organizadores em suspenso, já que houve prova a serem alteradas no calendário devido à realização dos JO, como é o caso do Tour de France, que foi antecipada em uma semana e começará agora a 26 de Junho e terminará a 18 de Julho (apenas seis dias antes da corrida de estrada masculina). Ainda não é claro se os atletas olímpicos serão obrigados a passar por um período de quarentena aquando da sua chegada ao Japão, mas cada vez mais essa tese está a ganhar terreno. [1] Desde o dia 9 de fevereiro sabe-se que os atletas não necessitarão de uma quarentena para chegar ao Japão, havendo apenas uma avaliação do seu estado de saúde diariamente.

A pandemia da COVID-19 também forçou o adiamento ou cancelamento de muitos eventos no início da época, incluindo o Tour Down Under, Vuelta a San Juan, Volta a la Comunitat Valenciana e Volta ao Algarve.

Quem admite que a situação está complicada é o próprio presidente da UCI David Lappartient numa declaração aos jornalistas, mas espera que a situação fique resolvida até março. Será nesse mês que se pretender reavaliar o calendário e atribuir novas datas aos adiamentos, onde entra a Volta ao Algarve.

[1] Texto editado a 9 de fevereiro devido às novas informações relativas à quarentena obrigatória à chegada a Tóquio.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Releated

Please turn AdBlock off  | Por favor desative o AdBlock